{"id":21422,"date":"2026-03-19T15:35:39","date_gmt":"2026-03-19T15:35:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obewise.com.br\/index.php\/2026\/03\/19\/cinema-palestino-ganha-destaque-na-cphdox-com-documentarios-sobre-resistencia-memoria-e-identidade\/"},"modified":"2026-03-19T15:35:39","modified_gmt":"2026-03-19T15:35:39","slug":"cinema-palestino-ganha-destaque-na-cphdox-com-documentarios-sobre-resistencia-memoria-e-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obewise.com.br\/index.php\/2026\/03\/19\/cinema-palestino-ganha-destaque-na-cphdox-com-documentarios-sobre-resistencia-memoria-e-identidade\/","title":{"rendered":"Cinema palestino ganha destaque na CPH:DOX com document\u00e1rios sobre resist\u00eancia, mem\u00f3ria e identidade"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>O cinema documental palestino esteve no centro das aten\u00e7\u00f5es durante a CPH:Conference, programa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria do Festival Internacional de Cinema Document\u00e1rio de Copenhague, a CPH:DOX. Um dos encontros mais comentados do evento reuniu cineastas palestinos e profissionais do setor para discutir como o audiovisual tem servido n\u00e3o apenas como express\u00e3o art\u00edstica, mas tamb\u00e9m como registro hist\u00f3rico, den\u00fancia pol\u00edtica e ferramenta de resist\u00eancia cultural.<\/p>\n<p>Com audit\u00f3rio cheio, o painel dedicado ao document\u00e1rio palestino contempor\u00e2neo mostrou o interesse crescente por produ\u00e7\u00f5es que abordam a realidade vivida pelo povo palestino a partir de perspectivas \u00edntimas, humanas e autorais. A proposta do debate foi ampliar a compreens\u00e3o sobre como diferentes olhares sobre a Palestina hist\u00f3rica e sua popula\u00e7\u00e3o podem gerar empatia, reflex\u00e3o e impacto tanto entre palestinos quanto junto ao p\u00fablico internacional.<\/p>\n<p>A conversa reuniu nomes de trajet\u00f3rias diversas, mas atravessadas por temas em comum, como ocupa\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, viol\u00eancia, identidade e resist\u00eancia. Entre os participantes estavam Muallem Ashtar, artista e diretor nascido em Jerusal\u00e9m, Dalia Al Kury, que trabalha com narrativas h\u00edbridas, Kinda Kurdi, produtora e documentarista baseada no Reino Unido, e Tanya Marar, cineasta de origem jordaniana, palestina e b\u00falgara, tamb\u00e9m radicada no Reino Unido. A media\u00e7\u00e3o ficou por conta de Mohamed Jabaly, cineasta e artista palestino de Gaza.<\/p>\n<p>Durante a sess\u00e3o, Tanya Marar apresentou seu projeto provisoriamente intitulado <em>Rage &amp; Resist<\/em>, produzido por Ike Rofe. Ao iniciar sua fala, destacou a import\u00e2ncia simb\u00f3lica de ver filmes e realizadores palestinos ocupando espa\u00e7o em um ambiente internacional como aquele. Seu document\u00e1rio acompanha integrantes do grupo Palestine Action, sediado no Reino Unido e conhecido por a\u00e7\u00f5es diretas contra fabricantes de armas israelenses. Segundo ela, o longa acompanha h\u00e1 cerca de dois anos e meio os fundadores do grupo e outros personagens envolvidos na causa, buscando retratar o impulso pol\u00edtico e emocional que move esse tipo de milit\u00e2ncia.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1124\" height=\"748\" src=\"https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-180.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-147156\" srcset=\"https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-180.png 1124w, https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-180-768x511.png 768w, https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-180-270x180.png 270w, https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-180-370x245.png 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 1124px) 100vw, 1124px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A cinegrafista jordaniana\u00a0<br \/><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tanya_marar\/?hl=en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tanya Marar<\/a>\u00a0no set de filmagem de House of the Dragon, prel\u00fadio de Game of Thrones.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dalia Al Kury levou ao debate o projeto <em>Ensaios para a Justi\u00e7a<\/em>, produzido por Nefise \u00d6zkal Lorentzen e Ola Hunnes. A diretora explicou que o filme parte de uma encena\u00e7\u00e3o em que uma pessoa confronta, simbolicamente, um suposto criminoso de guerra israelense interpretado por um ator, em um hotel na Jord\u00e2nia. A proposta \u00e9 investigar o destino da raiva acumulada diante da aus\u00eancia de justi\u00e7a e da viol\u00eancia cont\u00ednua. Para ela, a obra tenta responder at\u00e9 onde essa revolta pode levar e como enfrentar o fascismo sem reproduzir a mesma l\u00f3gica que se combate.<\/p>\n<p>Ao comentar a experi\u00eancia palestina, Al Kury afirmou que h\u00e1 um esfor\u00e7o constante para n\u00e3o reduzir os palestinos ao papel de v\u00edtimas, embora a condi\u00e7\u00e3o de vitimiza\u00e7\u00e3o esteja presente de forma incontorn\u00e1vel. Sua fala sintetizou um dos sentimentos mais fortes do painel, o de que essas narrativas buscam escapar de simplifica\u00e7\u00f5es e construir um discurso mais complexo sobre dor, dignidade e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Kinda Kurdi apresentou <em>O \u00daltimo Prefeito de Jerusal\u00e9m<\/em>, seu primeiro longa documental. Produzido por Janay Boulos, o filme acompanha a trajet\u00f3ria de Rawhi Al Khatib, \u00faltimo prefeito palestino de Jerusal\u00e9m, e mistura anima\u00e7\u00e3o com imagens de arquivo e outros registros para contar uma hist\u00f3ria marcada por sobreviv\u00eancia, amor e ex\u00edlio. A diretora destacou que a obra revisita, entre outros momentos, a deporta\u00e7\u00e3o do pol\u00edtico, acusado de representar amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional. Ao ser questionada sobre os maiores desafios para os realizadores palestinos, Kurdi defendeu uni\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o para garantir que essas hist\u00f3rias continuem sendo contadas e cheguem a mais pessoas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-nerdizmo wp-block-embed-nerdizmo\"\/>\n<p>J\u00e1 Muallem Ashtar falou sobre <em>Condenados a Sonhar<\/em>, seu primeiro longa documental, produzido por Jiries Copti. O filme acompanha a rotina do Teatro Ashtar, em Ramallah, administrado por seus pais e descrito como um dos raros espa\u00e7os de criatividade e liberdade destinados \u00e0 juventude palestina. A proposta do document\u00e1rio \u00e9 mostrar como a cultura pode funcionar como uma forma concreta de resist\u00eancia em um contexto em que identidades s\u00e3o apagadas e narrativas, silenciadas. Para o diretor, resistir tamb\u00e9m passa pela arte, pela preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e pela insist\u00eancia em continuar criando.<\/p>\n<p>Ao longo do encontro, ficou evidente que os documentaristas palestinos n\u00e3o est\u00e3o apenas filmando hist\u00f3rias, mas tentando preservar uma experi\u00eancia coletiva diante de um cen\u00e1rio de opress\u00e3o e apagamento. As falas dos convidados revelaram como o cinema tem sido usado para transformar luto, f\u00faria e trauma em linguagem, debate e testemunho.<\/p>\n<p>No encerramento, poucos dias depois da cerim\u00f4nia do Oscar, Dalia Al Kury resumiu o sentimento que pairava no audit\u00f3rio com uma frase forte e carregada de ironia amarga. Segundo ela, os palestinos deveriam ganhar um Oscar apenas por fingirem que tudo segue normal. A declara\u00e7\u00e3o arrancou rea\u00e7\u00e3o imediata da plateia e sintetizou o tom do painel, que misturou emo\u00e7\u00e3o, indigna\u00e7\u00e3o e a urg\u00eancia de contar hist\u00f3rias que ainda lutam por espa\u00e7o no cen\u00e1rio global.<\/p>\n<p>Leia mais sobre cinema aqui!<\/p>\n<p><h3 class=\"jp-relatedposts-headline\"><em>Relacionado<\/em><\/h3>\n<\/p>\n<p><!-- CONTENT END 1 --><\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cinema documental palestino esteve no centro das aten\u00e7\u00f5es durante a CPH:Conference, programa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria do Festival Internacional de Cinema Document\u00e1rio de Copenhague, a CPH:DOX. 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