{"id":21771,"date":"2026-04-07T21:08:26","date_gmt":"2026-04-07T21:08:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obewise.com.br\/index.php\/2026\/04\/07\/intel-aposta-em-encapsulamento-de-chips-para-lucrar-bilhoes-com-a-ia\/"},"modified":"2026-04-07T21:08:26","modified_gmt":"2026-04-07T21:08:26","slug":"intel-aposta-em-encapsulamento-de-chips-para-lucrar-bilhoes-com-a-ia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obewise.com.br\/index.php\/2026\/04\/07\/intel-aposta-em-encapsulamento-de-chips-para-lucrar-bilhoes-com-a-ia\/","title":{"rendered":"Intel aposta em encapsulamento de chips para lucrar bilh\u00f5es com a IA"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>A Intel est\u00e1 fazendo uma aposta altamente estrat\u00e9gica em uma \u00e1rea que, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, passava longe dos holofotes do grande p\u00fablico, mas que hoje virou pe\u00e7a importante na corrida da intelig\u00eancia artificial: o encapsulamento avan\u00e7ado de chips. Em Rio Rancho, no estado americano do Novo M\u00e9xico, a companhia reativou uma antiga f\u00e1brica que havia ficado parada por anos e despejou bilh\u00f5es de d\u00f3lares no local para transform\u00e1-lo em um dos centros dessa nova ofensiva. O movimento mostra como a empresa quer aproveitar o boom da IA para recuperar espa\u00e7o em um setor no qual vem tentando se reposicionar depois de anos de dificuldades.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-148044\" srcset=\"https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-10.png 1024w, https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-10-768x432.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma foto tirada por drone mostra a nova Fab 9 da Intel em Rio Rancho, Novo M\u00e9xico, em janeiro de 2024. A Fab 9 faz parte do investimento de US$ 3,5 bilh\u00f5es anunciado anteriormente pela Intel para equipar suas opera\u00e7\u00f5es no Novo M\u00e9xico para a fabrica\u00e7\u00e3o de tecnologias avan\u00e7adas de embalagens de semicondutores. (Cr\u00e9dito: Intel Corporation)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A unidade, instalada a poucos quil\u00f4metros de Albuquerque, ocupa uma \u00e1rea enorme e existe desde os anos 1980. Parte dela chegou a ser desativada em 2007, quando a Intel enfrentava um momento mais fraco nos neg\u00f3cios. O cen\u00e1rio era t\u00e3o abandonado que, segundo relatos de funcion\u00e1rios, at\u00e9 animais silvestres passaram a ocupar o espa\u00e7o. Essa realidade mudou em janeiro de 2024, quando a companhia religou a antiga Fab 9 e passou a direcionar investimentos pesados para o complexo, incluindo recursos recebidos por meio do <a href=\"https:\/\/www.chipsact.com\/\">CHIPS Act<\/a>, programa do governo dos Estados Unidos voltado ao fortalecimento da ind\u00fastria dom\u00e9stica de semicondutores. Hoje, a Fab 9 e a Fab 11X s\u00e3o vistas como pilares da opera\u00e7\u00e3o de encapsulamento avan\u00e7ado da empresa.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, esse tipo de tecnologia consiste em reunir v\u00e1rios chiplets, que s\u00e3o pequenos blocos de processamento, em um \u00fanico chip personalizado. Em vez de depender apenas da fabrica\u00e7\u00e3o tradicional, a ind\u00fastria passou a buscar formas mais eficientes de combinar diferentes componentes em estruturas compactas e poderosas. Isso se tornou ainda mais importante com o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial, que exige chips cada vez mais complexos, r\u00e1pidos e eficientes. A Intel acredita que esse segmento pode virar um diferencial competitivo importante, especialmente em um momento em que gigantes da tecnologia querem desenvolver chips pr\u00f3prios e precisam de parceiros industriais capazes de atender a essas demandas.<\/p>\n<p>Executivos da companhia v\u00eam refor\u00e7ando esse discurso nos \u00faltimos meses. O CEO Lip-Bu Tan afirmou que o encapsulamento \u00e9 um dos grandes diferenciais da Intel diante da concorr\u00eancia. J\u00e1 o diretor financeiro Dave Zinsner disse que essa frente de neg\u00f3cios pode come\u00e7ar a gerar receitas relevantes antes mesmo de a opera\u00e7\u00e3o de wafers ganhar tra\u00e7\u00e3o mais robusta. Segundo ele, as proje\u00e7\u00f5es mudaram bastante em pouco mais de um ano, saindo de algumas centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares para algo bem acima de US$ 1 bilh\u00e3o. Em outra fala, Zinsner foi ainda mais longe e sugeriu que a empresa est\u00e1 perto de fechar contratos capazes de render bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano apenas com esse servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Nos bastidores, a Intel estaria negociando com clientes de peso como Google e Amazon, duas empresas que j\u00e1 desenvolvem chips pr\u00f3prios, mas terceirizam partes do processo de produ\u00e7\u00e3o. Nenhuma delas confirmou oficialmente qualquer acordo, e a Intel tamb\u00e9m evitou comentar nomes espec\u00edficos. Ainda assim, a possibilidade de atrair gigantes desse porte ajuda a explicar por que o mercado observa essa movimenta\u00e7\u00e3o com tanta aten\u00e7\u00e3o. Para uma empresa que passou anos tentando reencontrar seu protagonismo no setor de semicondutores, conquistar contratos desse tamanho poderia representar um impulso enorme.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-11.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-148045\" style=\"width:750px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Intel Foundry oferece uma ampla gama de configura\u00e7\u00f5es. Chips podem ser fabricados utilizando teste e montagem de sistemas avan\u00e7ados da Intel Foundry (Intel Foundry ASAT) ou teste e montagem de semicondutores terceirizados (OSAT). Em seguida, s\u00e3o conectados por interconex\u00f5es otimizadas, para as quais ajudamos a impulsionar padr\u00f5es do setor, como o Universal Chiplet Interconnect Express (UCIe).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essa nova fase tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o interna da pr\u00f3pria Intel. Desde 2024, a companhia passou a operar de forma mais dividida entre o lado tradicional, focado em projetar e vender processadores, e a \u00e1rea de Foundry, criada para fabricar semicondutores avan\u00e7ados inclusive para clientes externos. \u00c9 justamente nessa segunda frente que o encapsulamento avan\u00e7ado ganhou status de aposta central. Analistas acompanham de perto essa divis\u00e3o porque ela pode indicar se a Intel realmente conseguir\u00e1 competir com nomes como a TSMC, hoje refer\u00eancia global na fabrica\u00e7\u00e3o de chips e tamb\u00e9m muito forte em tecnologias de encapsulamento.<\/p>\n<p>A TSMC saiu na frente com solu\u00e7\u00f5es como CoWoS e SoIC, ampliando sua atua\u00e7\u00e3o do in\u00edcio ao fim do processo produtivo. A Intel, por sua vez, continuou investindo em alternativas pr\u00f3prias mesmo depois de perder lideran\u00e7a na fabrica\u00e7\u00e3o. Em 2017, lan\u00e7ou o EMIB, tecnologia voltada a reduzir o tamanho das conex\u00f5es entre componentes dentro do pacote do chip. Depois veio o Foveros, focado em empilhamento avan\u00e7ado. Mais recentemente, a empresa apresentou o EMIB-T, uma evolu\u00e7\u00e3o que promete melhorar efici\u00eancia energ\u00e9tica e integridade de sinal entre as partes do chip. Segundo uma fonte ouvida pela reportagem original, a proposta da Intel seria mais precisa e cir\u00fargica do que a abordagem usada pela rival taiwanesa.<\/p>\n<p>Para a empresa, a intelig\u00eancia artificial acelerou drasticamente a relev\u00e2ncia desse segmento. Naga Chandrasekaran, que assumiu a opera\u00e7\u00e3o de Foundry em 2025, afirmou que o encapsulamento avan\u00e7ado praticamente saiu de um papel secund\u00e1rio para ocupar o centro da revolu\u00e7\u00e3o da IA. A vis\u00e3o dele \u00e9 que, na pr\u00f3xima d\u00e9cada, a forma como os chips ser\u00e3o montados e integrados pode ser t\u00e3o ou at\u00e9 mais importante do que o pr\u00f3prio sil\u00edcio em si. N\u00e3o por acaso, a Intel escolheu Rio Rancho para preparar a produ\u00e7\u00e3o em massa do EMIB-T, tentando transformar a unidade em um polo estrat\u00e9gico para essa nova etapa.<\/p>\n<p>Nem tudo, por\u00e9m, \u00e9 simples nessa jogada. Especialistas do setor lembram que encapsulamento avan\u00e7ado n\u00e3o escala de maneira t\u00e3o autom\u00e1tica quanto pode parecer. N\u00e3o basta decidir aumentar a produ\u00e7\u00e3o e pronto. \u00c9 preciso fechar contratos, garantir demanda, ajustar a capacidade fabril e provar ao mercado que a opera\u00e7\u00e3o consegue entregar com consist\u00eancia. Al\u00e9m disso, h\u00e1 press\u00f5es locais envolvendo consumo de \u00e1gua e impactos ambientais, algo comum em grandes expans\u00f5es da infraestrutura tecnol\u00f3gica. A Intel afirma que recicla \u00e1gua na unidade do Novo M\u00e9xico, mas o debate continua presente entre grupos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 a mudan\u00e7a de mentalidade da pr\u00f3pria empresa. Durante d\u00e9cadas, a Intel operou com uma l\u00f3gica mais fechada. Agora, tenta convencer o mercado de que pode receber wafers de terceiros e atuar em etapas espec\u00edficas do processo, oferecendo flexibilidade para que clientes entrem e saiam da cadeia de produ\u00e7\u00e3o conforme suas necessidades. Essa abertura \u00e9 vista como uma das principais armas da companhia para atrair novos parceiros. Ainda assim, existe cautela do outro lado. Algumas empresas podem estar esperando provas mais concretas de que a Intel conseguir\u00e1 cumprir seus planos de expans\u00e3o antes de anunciar qualquer parceria. Tamb\u00e9m existe o receio de desagradar fornecedores j\u00e1 consolidados, como a pr\u00f3pria TSMC.<\/p>\n<p>No fim das contas, a grande aposta da Intel \u00e9 transformar o encapsulamento avan\u00e7ado em uma porta de entrada para sua volta ao jogo pesado da ind\u00fastria de chips. A empresa j\u00e1 deixou claro que o sinal mais forte de que essa estrat\u00e9gia est\u00e1 funcionando ser\u00e1 um aumento relevante em seus investimentos de capital, algo que indicaria a chegada de novos clientes e contratos robustos. Em um mercado que se move cada vez mais em torno da intelig\u00eancia artificial, a Intel tenta mostrar que ainda tem tecnologia, estrutura e ambi\u00e7\u00e3o para disputar uma fatia bilion\u00e1ria desse futuro.<\/p>\n<p>Veja mais tecnologia!<\/p>\n<p><h3 class=\"jp-relatedposts-headline\"><em>Relacionado<\/em><\/h3>\n<\/p>\n<p><!-- CONTENT END 1 --><\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Intel est\u00e1 fazendo uma aposta altamente estrat\u00e9gica em uma \u00e1rea que, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, passava longe dos holofotes do grande p\u00fablico, mas que hoje virou pe\u00e7a importante na corrida da intelig\u00eancia artificial: o encapsulamento avan\u00e7ado de chips. 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