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Cyclops: O ônibus nuclear gigante que virou piada em Hollywood nos anos 70

Em 1976, Hollywood resolveu brincar com a onda de filmes-catástrofe que lotava os cinemas. A Paramount lançou The Big Bus, uma comédia que satirizava o gênero e colocava como protagonista um ônibus descomunal chamado Cyclops. O detalhe curioso é que o veículo não era apenas um cenário: ele realmente rodava pelas estradas, mesmo com seu visual absurdo.

O responsável pelo projeto foi o designer de produção Joel Schiller, com Gaile Brown e Lee Vaque cuidando da construção e dos efeitos especiais. Para dar vida ao monstro, a equipe desmontou dois caminhões International, trocou o motor por um Ford, instalou uma transmissão automática Allison e criou um sistema de rodas duplas em vez do eixo dianteiro tradicional. Tudo isso foi envolto em uma carcaça de fibra de vidro, adornada com um falso reator nuclear na frente, reforçando o tom de paródia.

O Cyclops impressionava pelas dimensões: 33 metros de comprimento, mais de 5 metros de altura e 3,2 metros de largura. Para se manter de pé, contava com 32 rodas, sendo oito delas direcionais. Por dentro, o espaço era em grande parte vazio, sustentado por uma estrutura de aço que permitia cenas arriscadas, como o ônibus pendurado em um penhasco. As janelas davam a ilusão de passageiros, mas era tudo cenográfico. A exceção ficava por conta do bar no segundo andar, que era real e totalmente abastecido.

Colocar o Cyclops em movimento exigia coordenação. Um motorista ficava na cabine dianteira, enquanto outro operava a parte traseira, sem visão direta e guiado apenas por rádio. Em caso de emergência, havia um sistema que permitia separar rapidamente os módulos, mantendo o controle. Mesmo assim, o ônibus conseguia atingir até 105 km/h. E quando a filmagem acabava, bastavam 45 minutos para unir novamente as duas partes.

O investimento foi pesado: cerca de 500 mil dólares na época, o que hoje equivaleria a mais de 2,7 milhões. O filme, porém, não vingou. Com orçamento de 6 milhões, arrecadou apenas 3,5 milhões nas bilheterias. Apesar disso, o Cyclops ganhou vida própria, participando de eventos promocionais em San Diego e até do desfile do Bicentenário em Los Angeles.

O fim foi melancólico. Sem utilidade após as filmagens, o ônibus foi desmontado e destruído pela Paramount. Nenhum exemplar sobreviveu inteiro. Restaram apenas registros em fotos, revistas como Motor Trend e Bus World, além de vídeos antigos que comprovam que esse colosso nuclear realmente circulou pelas estradas da Califórnia.

Esse é o legado do Cyclops: uma mistura de exagero, humor e engenharia improvável que marcou a história do cinema como uma das criações mais bizarras já feitas para uma comédia.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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