Um novo estudo gigantesco colocou humanos e inteligências artificiais frente a frente em testes de criatividade e chegou a um resultado bem “meio termo”. Alguns modelos de IA já conseguem passar da criatividade média em tarefas específicas, mas ainda ficam abaixo do nível dos humanos mais criativos, com uma diferença que cresce bastante no topo.
A pesquisa foi publicada em 21 de janeiro de 2026 na Scientific Reports e analisou mais de 100 mil participantes, comparando o desempenho com vários modelos de linguagem atuais.
Como eles mediram “criatividade” nessa comparação
O foco do trabalho é um tipo bem específico de criatividade, chamada de pensamento divergente, que é a habilidade de gerar ideias variadas e pouco óbvias a partir de uma mesma proposta.
O teste principal foi o Divergent Association Task, em que a pessoa precisa escrever 10 palavras que sejam o mais diferentes possível entre si em significado e uso. A pontuação é calculada por distância semântica entre as palavras, usando embeddings e similaridade, e o estudo usa as 7 primeiras palavras válidas para calcular o score.
Os 100 mil participantes foram recrutados pelo site oficial do teste, majoritariamente dos EUA e também de outros países de língua inglesa.
Quais IAs entraram no “campeonato”
O estudo não compara “todas as IAs do mundo”, mas escolhe um conjunto variado de modelos populares e de código aberto. Entre eles aparecem GPT 3.5, GPT 4 e GPT 4 turbo, Claude 3, GeminiPro e modelos open source como Pythia, StableLM, RedPajama e Vicuna.
O resultado mais chamativo
No teste de palavras, o GPT 4 ficou acima da média humana com margem estatisticamente significativa. O GeminiPro ficou praticamente no mesmo nível da média humana. E um dado curioso é que o GPT 4 turbo aparece com queda de desempenho em relação ao GPT 4 em partes da análise.
Só que vem a parte que muda a manchete. Quando os pesquisadores olham para a “elite” humana, o jogo vira. O texto do estudo e o material de divulgação ressaltam que a metade mais criativa dos participantes supera todos os modelos testados e que o top 10% abre uma vantagem ainda maior.
E quando sai do “jogo de palavras” e vai para escrita criativa
Para ver se isso se mantém em tarefas mais próximas do mundo real, o estudo também avaliou escrita criativa, incluindo haicais, sinopses e histórias curtas. O padrão se repetiu: a IA costuma ir muito bem contra a média, mas os humanos mais criativos ainda entregam um nível de originalidade que os modelos não alcançam.
Dá para “aumentar” a criatividade da IA
Os autores também testaram ajustes que mudam o comportamento do modelo. Um deles é a temperatura, o parâmetro que controla o quanto a IA vai ser mais previsível ou mais arriscada nas respostas. O estudo indica que dá para ganhar diversidade semântica com temperatura maior e também com instruções mais bem formuladas.
Isso melhora o resultado, mas não apaga o teto: ainda assim, o topo humano segue acima.
O que isso significa para quem escreve, cria e trabalha com ideias
A leitura mais útil não é “IA venceu” ou “IA perdeu”. É outra.
A pesquisa sugere que a IA já é forte para elevar o nível básico, ajudar em brainstorm, variações, combinações e caminhos alternativos. Mas quando o assunto é criatividade de alto nível, aquela que foge do esperado com saltos conceituais mais raros, o ser humano ainda tem vantagem.
Em outras palavras, a IA pode virar um motor de rascunho e exploração. O diferencial continua sendo o que você coloca por cima: repertório, experiência, intenção, humor, dor, contradição, vivência.
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