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Gamer faz DOOM rodar em fones de ouvido sem fio e ainda libera para jogar pela internet

Se existe um esporte não oficial da cultura gamer, é este: colocar DOOM para funcionar onde ele não deveria. A novidade da vez é especialmente absurda, porque envolve um dispositivo que nem tela tem.

O desenvolvedor Arin Sarkisian conseguiu rodar o clássico de 1993 em um par de fones de ouvido sem fio PineBuds Pro e ainda transformou o experimento em algo que qualquer pessoa pode testar online.

O segredo está no tipo de fone escolhido. Os PineBuds Pro, da Pine64, são conhecidos por serem “hackáveis” e terem firmware aberto, algo raro nesse mercado. Dentro de cada lado existe um chip BES 2300YP com CPU dual core Cortex M4F, até 300 MHz, além de 992 KB de SRAM e 4 MB de armazenamento em flash. Não é muito perto de um console moderno, mas é potência suficiente para uma ideia maluca ganhar vida.

Como o jogo aparece se o fone não tem display

Rodar o motor do DOOM foi só metade do problema. A outra metade era mostrar a imagem do jogo. Para isso, Sarkisian usou uma saída serial UART do hardware para transmitir os frames para fora do fone, em um link de 2,4 Mbps. Só que vídeo cru seria pesado demais, então ele aplicou compressão MJPEG, o que permite algo em torno de 18 quadros por segundo, suficiente para jogar sem virar um slideshow.

Outro obstáculo foi o tamanho do conteúdo do DOOM. Um arquivo WAD comum pode passar de 4 MB, e os fones têm exatamente 4 MB de flash. A saída foi usar um WAD bem menor, como o Squashware, com cerca de 1,7 MB, além de várias otimizações para reduzir o consumo de RAM e encaixar tudo “no limite” do dispositivo.

O projeto virou uma espécie de arcade online. No site DOOMBuds, você entra numa fila e, quando chega sua vez, controla o personagem pelo navegador com teclado. O próprio criador também publicou os repositórios com o firmware e a interface web para quem quiser replicar a ideia no próprio par de PineBuds Pro.

No fim, não é “o jeito ideal” de jogar DOOM. Mas esse nunca foi o ponto. A graça aqui é ver até onde dá para empurrar um hardware improvável, com criatividade, compressão, gambiarra elegante e um pouco de teimosia.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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