Neil Young encontrou um jeito bem particular de responder ao novo barulho político em torno da Groenlândia. O músico anunciou que vai oferecer acesso gratuito ao Neil Young Archives, seu acervo digital com músicas e filmes, para moradores do território. A assinatura vale por 12 meses e pode ser renovada de graça, desde que a pessoa continue na Groenlândia.
A ação veio depois que a discussão sobre a Groenlândia voltou a ganhar tração no noticiário internacional, com declarações e ameaças envolvendo anexação e controle do território. Young disse que quer levar “paz e amor” em forma de música e aliviar parte do estresse que os groenlandeses estariam sentindo com o tema.
Como funciona o acesso e o que entra no pacote
Segundo o próprio Young, o acesso libera todo o catálogo no site, incluindo registros musicais e filmes de décadas de carreira. Para se cadastrar, é necessário usar um celular com o código do país da Groenlândia para verificação, num link específico dentro do Neil Young Archives.
A medida é simbólica, mas também bem prática. Em vez de um comunicado genérico, ele entregou um benefício direto, simples, e que coloca sua obra como uma espécie de “abrigo cultural” em meio a um debate político que não foi escolhido pela população local.
A outra metade do recado: Amazon vira alvo de novo
O anúncio do presente para a Groenlândia veio junto de outra posição que Young já vinha defendendo: boicote à Amazon. Ele reafirmou que sua música não estará no Amazon Music enquanto a empresa continuar sob o comando de Jeff Bezos, e recomendou que fãs evitem a plataforma. Em sua mensagem, ele liga essa decisão a posições políticas e a ações do governo, citando inclusive o tema de imigração e ICE.
Essa não é a primeira vez que ele compra uma briga desse tamanho. Young já tinha removido músicas do Spotify por causa do caso Joe Rogan e da polêmica envolvendo desinformação sobre Covid, embora tenha decidido voltar em 2024, quando o podcast passou a circular também em outras plataformas.
A rixa com Trump vem de antes
A tensão entre Neil Young e Donald Trump é antiga. Em 2020, ele chegou a processar a campanha do então presidente por uso não autorizado de músicas como “Rockin’ in the Free World” em comícios, uma tentativa clara de impedir que sua obra virasse trilha de um discurso político com o qual ele não concorda.
Agora, aos 80 anos, ele está repetindo o mesmo padrão: abrir mão de conveniência e dinheiro para sustentar uma posição pública. Só que desta vez ele foi além do protesto e transformou a resposta em presente, colocando o próprio catálogo como um gesto de solidariedade para quem está do outro lado do tabuleiro.
Veja mais sobre música.




