Um projeto chamado AnimaView está ganhando destaque por propor algo bem cara de ficção científica, só que em formato de objeto de mesa. A promessa é simples de entender e difícil de ignorar: você pega uma única foto e o aparelho gera um “ser digital” em 3D, com movimentos sutis e aparência de presença, pronto para interação em tempo real, como um holograma interativo.
A campanha está no Kickstarter desde 27 de janeiro de 2026 e vai até 26 de fevereiro de 2026. Até a última atualização pública capturada por trackers, o projeto já tinha passado com folga a meta, com pouco mais de US$ 23 mil arrecadados e cerca de 200 apoiadores.

Como isso funciona na prática
Pelo que vem sendo divulgado, o aparelho usa técnicas de IA para criar profundidade a partir de uma imagem 2D e depois aplica síntese de movimento para animar rosto e expressões. A intenção é que o resultado não pareça só um vídeo repetindo em loop, mas algo mais responsivo, como um retrato “vivo” que acompanha a conversa e reage ao usuário.
Outra parte importante do conceito é o formato. Em vez de exigir headset, óculos ou acessório no corpo, a proposta é ser um display independente para ficar em mesa, estante ou ambiente compartilhado. A campanha vende isso como uma nova forma de apresentar retratos e lembranças digitais, além de personagens inventados do zero com voz e personalidade configuráveis.
A AnimaView surfa uma tendência que já existe no mercado há alguns anos: displays que tentam mostrar profundidade real sem óculos. Um exemplo famoso é a Looking Glass Factory, que usa tecnologia de light field para exibir cenas 3D com múltiplas perspectivas, também sem headset.
A diferença é que a AnimaView mira no público “quero algo pronto e emocional”, com foco em foto, rosto e personagem, enquanto as soluções tradicionais de light field costumam conversar mais com criadores 3D e visualização técnica.

O alerta inevitável: privacidade, consentimento e deepfakes
Projetos que falam em “trazer pessoas queridas à vida” encostam num ponto sensível. A mesma tecnologia que cria um avatar carinhoso também pode virar ferramenta de cópia não autorizada, golpe ou manipulação emocional, dependendo de como os dados são guardados e de quem controla o resultado. Discussões recentes sobre duplicatas digitais e deepfakes batem muito nessa tecla, principalmente em torno de consentimento e riscos de identidade.
Então, se você ficar curioso com a AnimaView, vale olhar com calma as promessas e as regras. Onde a foto e a voz são processadas. Se há armazenamento em nuvem. Que tipo de proteção existe contra uso indevido. E se a campanha explica claramente o que é simulação e o que é interação real.
No papel, é uma ideia fascinante e com cara de futuro próximo. Na vida real, é o tipo de gadget que pode ser incrível como lembrança e arte interativa, mas que também exige cuidado extra com privacidade e expectativas.

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