O The Washington Post passou por um dos cortes mais duros da sua história recente e, no meio da reestruturação, tomou uma decisão que reverberou forte no jornalismo visual: o jornal eliminou todos os cargos de fotógrafo contratado. A empresa confirmou uma rodada ampla de demissões que atingiu redação e áreas de negócios, e relatos de veículos e entidades do setor indicam que o departamento interno de fotografia foi desmontado por completo.
Os números variam conforme a fonte, mas o quadro geral é o mesmo. A Associated Press descreve o corte como cerca de um terço do quadro total. Já reportagens setoriais falam em algo acima de 300 profissionais afetados, com impacto em editorias como esportes, livros e parte da cobertura internacional.
O que muda com o fim dos fotógrafos internos
Segundo o PetaPixel, o Post demitiu todos os seus fotógrafos de staff. A National Press Photographers Association também criticou a medida e citou números próximos, apontando que o jornal teria dispensado todos os fotógrafos contratados e uma parte relevante do time de edição de foto. Como há divergência entre relatos sobre a contagem exata de vagas no setor, o ponto central é que o Post deixou de manter uma equipe fixa dedicada a fotografar o noticiário diariamente.
Na prática, isso tende a aumentar a dependência de freelancers, agências e imagens fornecidas por terceiros, um movimento que já acontece em várias redações, mas que chama atenção quando atinge um jornal conhecido por cobertura visual de eleições, conflitos, protestos e grandes momentos culturais.
A justificativa interna
De acordo com a AP, a liderança descreveu o corte como parte de um reposicionamento para lidar com pressão financeira e mudanças de comportamento da audiência. O recado foi que a redação deve concentrar recursos em áreas consideradas essenciais, como política e assuntos nacionais, enquanto reduz estruturas em outras frentes.
O clima piorou com uma troca no topo
O anúncio das demissões também abriu espaço para outra notícia: poucos dias depois dos cortes, o publisher e CEO Will Lewis anunciou que vai deixar o cargo, em meio a críticas e turbulência interna. A saída foi noticiada pela AP e repercutida por outros jornais como mais um sinal do momento delicado vivido pelo Post.
A decisão de cortar toda a fotografia de staff não é só um ajuste de planilha. Ela muda o jeito como o jornal produz imagens próprias do cotidiano, e vira mais um capítulo do encolhimento do fotojornalismo dentro de redações tradicionais.
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