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Engenheiro mantém drone no ar por mais de 3h30 com uma única carga e mostra como espremer eficiência ao limite

Um drone quadricóptero ficar voando por mais de três horas com uma única bateria já seria impressionante. Passar de 3 horas e 30 minutos entra no território do absurdo. Foi exatamente isso que o engenheiro Luke Maximo Bell afirma ter conseguido em um projeto feito com obsessão por eficiência, do tipo que mede gramas, troca conectores, testa fios e até simula o comprimento ideal dos braços do drone antes de cortar o primeiro tubo de carbono.

Bell não é novato em “brincar” com limites. Ele também ficou conhecido por projetos de alta performance e por recordes de velocidade com seus quadcopters Peregreen, incluindo um feito reconhecido pelo Guinness para velocidade de quadricóptero movido a bateria.

A receita: hélices gigantes girando devagar e motores de baixo KV

A base do projeto é contraintuitiva para quem pensa em drones comuns. Em vez de hélices pequenas girando muito rápido, Bell usou hélices de 40 polegadas em fibra de carbono, feitas para girar mais lentamente e gerar sustentação com menos desperdício.

No pacote entram motores low KV para casar com esse estilo de propulsão, reduzindo consumo e ruído mecânico. O resultado é um quadricóptero que privilegia “disc loading” baixo, que é uma forma elegante de dizer que ele move muito ar com pouco esforço, o que tende a ser mais eficiente em voo estacionário e cruzeiro leve.

O pulo do gato está na bateria e no corte de peso

Para alcançar esse tempo, a escolha da bateria foi tão importante quanto a aerodinâmica. Bell usou packs do tipo NMC LiPo semi solid state, citando densidade energética por volta de 320 Wh/kg, bem acima do que se vê em LiPo comuns de hobby.

Ele ainda removeu peso “invisível”, como embalagem e conectores mais pesados, somando centenas de gramas economizadas. Em um projeto de endurance, isso faz diferença real, porque menos massa significa menos potência exigida para sustentar o voo.

CFD para decidir até o comprimento dos braços

Outro detalhe que parece pequeno, mas não é: o comprimento dos braços. Bell usou simulações de dinâmica de fluidos para buscar um ponto de equilíbrio. Braços curtos demais aumentam interferência do fluxo entre hélices. Longos demais adicionam peso e perda estrutural. Ele relata ter chegado a um comprimento que maximizou o rendimento nas condições testadas.

Até a fiação entrou no cálculo, escolhendo bitola e extensão pensando em perdas por resistência contra o custo de adicionar cobre.

Eletrônica mínima para reduzir falhas

O drone também foi montado com um conjunto enxuto de eletrônica para evitar surpresas e melhorar confiabilidade, com controladora de voo e componentes focados no essencial, além de GPS e link de vídeo. Segundo o relato, versões iniciais com peças mais leves falharam, então ele voltou para componentes mais “testados” para não perder voos por quebra.

Recorde oficial vs. recorde “de garagem”

Vale separar duas coisas. O voo de Bell é descrito como não oficial, mas ainda assim notável. Ele próprio compara o marco com referências anteriores do setor.

Hoje, um dos benchmarks mais citados é o recorde da SiFly, que registrou com o Guinness um voo de 3 horas, 11 minutos e 54 segundos com seu protótipo Q12 em 2025.

Ou seja, mesmo que o projeto de Bell não esteja homologado, o tempo alegado é alto o bastante para entrar na conversa de “estado da arte” em endurance elétrica para multirrotores.

Drones com autonomia muito longa não são só curiosidade. Eles destravam inspeções mais extensas, mapeamento, agricultura de precisão e operações em que pousar para trocar bateria quebra o fluxo de trabalho. É por isso que a corrida por endurance virou um tema sério, tanto em projetos comerciais quanto em builds experimentais.

O que Bell mostrou é quase uma aula prática de engenharia aplicada. Eficiência vem de um monte de decisões pequenas somadas. Hélice grande, rotação baixa, bateria com densidade alta, menos peso morto, simulação antes de construir, e simplicidade onde dá para simplificar.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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