Uma nova leva de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA voltou a colocar Jeffrey Epstein no centro de uma discussão incômoda. Além dos crimes pelos quais ele já era conhecido, os arquivos mostram que Epstein alimentava uma fixação por genética, transumanismo e ideias de “otimização” humana, como melhorar o DNA humano, e que ele buscava conversar com pesquisadores e acadêmicos sobre isso.
O pano de fundo é o chamado Epstein Files Transparency Act, que levou o DOJ a publicar um grande volume de registros. O próprio governo chegou a retirar temporariamente milhares de documentos para revisar redações e evitar a exposição de dados de vítimas, antes de recolocar o material após nova checagem.
O que aparece nos arquivos sobre “melhorar o genoma”
Reportagens baseadas nesses documentos descrevem um Epstein fascinado por temas como engenharia genética, seleção de características e o que críticos apontam como uma visão moderna de eugenia, tentando levar essas ideias para conversas com nomes influentes e possíveis financiamentos.
Esse padrão não é totalmente novo. Ainda em 2019, veículos já relatavam que Epstein falava com pessoas do meio científico sobre “semear” sua própria genética e criar uma espécie de “projeto” de reprodução em larga escala, algo que ele teria associado a um rancho no Novo México.
Como ele tentava se aproximar do meio acadêmico
O método recorrente descrito por diferentes fontes era simples: acesso e dinheiro. Epstein se oferecia para financiar pesquisas, promovia encontros e cultivava relações com universidades e pesquisadores, mesmo depois de já ter se declarado culpado em 2008 por crimes ligados à exploração de menores.
A ligação com Harvard, por exemplo, está documentada em relatórios oficiais da própria universidade, que detalham doações e o vínculo com programas de pesquisa, incluindo o Program for Evolutionary Dynamics, liderado por Martin Nowak.
Emails com tom perturbador e o caso Martin Nowak
Entre os novos trechos que chamaram atenção, há um email associado ao professor Martin Nowak que virou notícia por causa de uma frase enigmática sobre uma “espiã” capturada, seguida de uma resposta que soou ainda mais estranha no contexto. O conteúdo circulou amplamente após aparecer no material liberado pelo DOJ.
“Viagra feminino” e a conversa sobre sexualidade como projeto
Outro bloco de documentos envolve o virologista Nathan Wolfe, ex Stanford. Reportagens do Stanford Daily e repercussões em veículos de educação superior descrevem trocas de mensagens em que Epstein e Wolfe discutiam ideias sobre sexualidade e até uma proposta apelidada de “female viagra”, além de um conceito chamado de “horny virus hypothesis” em conversas internas citadas pelos jornais. Wolfe também publicou declarações dizendo que se arrepende da linguagem usada e que o estudo não avançou.
O ponto central não é só o choque. É o retrato de como Epstein tentou usar prestígio acadêmico e financiamento como porta de entrada para circular em ambientes de pesquisa, em alguns casos com conversas sobre temas que tocam diretamente em ética, racismo científico e eugenia. Veículos como Nature e Scientific American destacaram justamente esse aspecto: o tamanho da rede, os pedidos de ajuda e a normalização de contatos que, vistos hoje, parecem indefensáveis.
Ao mesmo tempo, os próprios arquivos do DOJ reacenderam o debate sobre transparência e responsabilidade. Parte do material foi publicada e depois removida temporariamente para proteger vítimas, e parlamentares passaram a ter acesso controlado a versões menos redigidas.
O que esses documentos reforçam é uma mistura bem típica do caso Epstein: abuso de poder, influência comprada e um rastro de gente importante que aceitou proximidade demais, por tempo demais, com alguém que já carregava um histórico criminal grave.
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