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Novo jogo homebrew devolve vida ao Pokémon Mini, o portátil mais esquecido da Nintendo

Lançado em 2001, o Pokémon Mini foi a aposta mais curiosa da Nintendo na era dos portáteis. Agora, mais de duas décadas depois, um novo jogo criado pela comunidade está trazendo atenção de volta ao console.

O responsável é o desenvolvedor conhecido como Inkbox, que lançou Pokémon Ambulation, um game inédito feito sob medida para o hardware minúsculo do Pokémon Mini.

Um portátil pequeno até para os padrões da Nintendo

O Pokémon Mini foi o menor console baseado em cartuchos já lançado pela Nintendo. Ele tinha uma tela monocromática de baixíssima resolução, bateria movida a pilhas AAA e capacidade técnica extremamente limitada.

No total, apenas dez jogos oficiais foram lançados antes de o portátil desaparecer do mercado. A proposta sempre foi oferecer experiências simples, mas criativas, adaptadas às restrições do hardware.

A cena homebrew entrou em ação

Mesmo esquecido pelo público, o Pokémon Mini nunca foi abandonado por completo. Com o tempo, entusiastas começaram a destrinchar o sistema por meio de engenharia reversa, criando emuladores, ferramentas de desenvolvimento e até cartuchos regraváveis.

Sites mantidos pela comunidade passaram a reunir documentação, jogos experimentais e kits de desenvolvimento. Hoje, programar para o Mini é possível usando linguagem C ou assembly, com ferramentas abertas que simulam o comportamento do console.

Pokémon Ambulation mistura Frogger com criaturas clássicas

É nesse contexto que surge Pokémon Ambulation. O jogo segue uma lógica parecida com a de Frogger, clássico dos fliperamas. O objetivo é atravessar áreas cheias de perigos, desviando de obstáculos em movimento para alcançar o outro lado da tela.

O jogador pode escolher entre oito Pokémon diferentes. Cada um tem seu próprio ritmo, o que muda a forma de encarar os desafios. Há veículos passando em alta velocidade, troncos deslizando pela água e outros perigos que exigem precisão total. Um erro e a tentativa começa do zero.

Programar no limite do impossível

Para rodar no Pokémon Mini, o jogo foi escrito diretamente em assembly, linguagem de baixo nível essencial para extrair o máximo do processador do console. Mesmo com uma tela extremamente limitada, o jogo consegue apresentar animações suaves e detecção de colisão em alta frequência.

Os gráficos usam truques visuais para simular tons de cinza adicionais, enquanto os efeitos sonoros são simples, mas sincronizados com a ação na tela. Tudo foi pensado para respeitar as limitações originais do hardware.

Testes no hardware real, não só em emulador

Embora existam emuladores capazes de rodar jogos do Pokémon Mini, Inkbox fez questão de testar Ambulation no console original. Para isso, ele criou um cartucho personalizado usando um microcontrolador moderno, que simula a memória de um cartucho oficial.

Ao ligar o portátil, o clássico logo da Nintendo aparece e o jogo começa a rodar como se tivesse sido lançado nos anos 2000. Uma experiência autêntica, com botões físicos e a tela monocromática original iluminando suavemente no escuro.

Um resgate histórico em forma de jogo

Pokémon Ambulation não é apenas um novo game. Ele representa o esforço de preservar e explorar um pedaço pouco conhecido da história da Nintendo. Em um mercado dominado por gráficos avançados e grandes produções, o projeto mostra que criatividade ainda floresce mesmo nos hardwares mais improváveis.

Para quem gosta de retro gaming, homebrew ou simplesmente curiosidades do mundo dos videogames, o Pokémon Mini acaba de ganhar um novo motivo para ser lembrado.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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