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Uso moderado de cannabis pode estar ligado a melhor memória e saúde cerebral na meia-idade, aponta estudo

Um novo estudo sugere que pessoas que consumiram cannabis em algum momento da vida apresentam, na meia-idade, maior volume em áreas do cérebro associadas à memória, aprendizagem e funções executivas. Embora pesquisas sobre os efeitos cognitivos da substância sempre envolvam diversas variáveis e incertezas, os resultados chamam atenção pela consistência dos dados analisados.

A investigação reuniu informações de mais de 25 mil indivíduos entre 40 e 77 anos e identificou uma correlação entre o uso moderado ao longo da vida e volumes maiores em estruturas cerebrais como o hipocampo, a amígdala, o caudado e o putâmen. Essas regiões desempenham papéis essenciais no processamento emocional, no controle motor e na formação de memórias, o que levou os pesquisadores a examinar também o desempenho cognitivo dos participantes.

Ao avaliar dados de mais de 16 mil pessoas, os cientistas observaram que usuários moderados tiveram melhor desempenho em tarefas relacionadas à aprendizagem, velocidade de processamento e memória de curto prazo. Segundo a autora do estudo, Anika Guha, o resultado surpreendeu, já que parte da literatura científica associa o consumo da substância a prejuízos cognitivos imediatos.

Os pesquisadores destacam que, embora o uso na adolescência possa trazer riscos, esses efeitos negativos não parecem persistir necessariamente ao longo da vida. Pelo contrário, há indícios de que a cannabis possa ajudar a proteger o cérebro contra atrofia relacionada ao envelhecimento e processos neurodegenerativos, fatores fortemente associados ao declínio cognitivo e à demência.

Ainda não está claro como essa possível proteção ocorre, mas chama atenção o fato de que as regiões analisadas possuem alta concentração de receptores CB1, principais pontos de ligação de canabinoides como o tetraidrocanabinol. A ativação desses receptores pode influenciar inflamação, respostas imunológicas e processos degenerativos, mecanismos que potencialmente ajudariam a preservar o volume cerebral.

Outro ponto relevante é que essas áreas estão entre as mais vulneráveis à perda de volume com o avanço da idade. A redução do hipocampo, por exemplo, é considerada um dos fatores importantes no desenvolvimento de demências, o que levanta a hipótese de que o uso moderado possa contribuir para a preservação cognitiva.

Os efeitos positivos foram mais evidentes entre indivíduos com histórico de consumo moderado ao longo da vida e, de forma curiosa, também apareceram em pessoas que não utilizavam cannabis havia décadas.

Apesar das descobertas promissoras, os autores reforçam que ainda existem muitas lacunas. Há indícios de que o impacto dos canabinoides varie entre homens e mulheres, mas os motivos permanecem pouco compreendidos. Além disso, o estudo não analisou detalhes sobre tipo, potência ou composição da cannabis consumida, o que impede conclusões sobre o papel específico de compostos como THC, CBD ou CBG.

Diante disso, os pesquisadores concluem que os efeitos da cannabis sobre a saúde cerebral podem variar ao longo da vida: enquanto o uso precoce pode representar riscos ao desenvolvimento, a exposição moderada na vida adulta pode oferecer efeitos protetores no envelhecimento. O estudo foi publicado no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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