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WoWee: dev cria cliente de World of Warcraft do zero em C++ e faz Azeroth rodar nativo no Linux

Uma desenvolvedora resolveu encarar uma missão que parece saída de uma raid difícil. Reconstruir o cliente de World of Warcraft praticamente do zero. O resultado se chama WoWee, sigla para World of Warcraft Engine Experiment, e já está chamando atenção na comunidade por ser um cliente nativo em C++ com renderizador próprio em OpenGL.

A ideia é simples de entender e complexa de executar. Em vez de depender do cliente oficial da Blizzard, o WoWee tenta reproduzir o comportamento do jogo sem incluir código proprietário, nem distribuir arquivos do jogo. O projeto se apresenta como educativo e de pesquisa, e exige que o usuário forneça seus próprios dados do WoW obtidos legalmente a partir de uma instalação legítima.

Um cliente alternativo para reviver Classic, TBC e Wrath

O foco principal do WoWee hoje é a era Wrath of the Lich King, na versão 3.3.5a. Mas o projeto já trabalha para cobrir também Vanilla e The Burning Crusade, usando perfis por expansão e variações de parsers de pacotes e opcodes.

Na prática, o WoWee é testado com servidores baseados em projetos conhecidos da cena de emulação, como AzerothCore e TrinityCore, além de suporte citado para Turtle WoW.

Isso deixa claro para quem o projeto conversa. Ele mira principalmente quem gosta de preservar e estudar versões antigas do WoW e quer rodar tudo nativamente, especialmente no Linux.

O que o WoWee já faz hoje

Mesmo sendo um experimento, o projeto já demonstra um pacote de funcionalidades bem amplo. Segundo descrições e demonstrações públicas, dá para entrar no mundo, se mover, interagir com interface e executar ações básicas do gameplay.

O destaque técnico é o renderizador em OpenGL, feito sob medida, que tenta dar conta de elementos clássicos do WoW como ambientes, modelos e efeitos. A documentação do repositório menciona foco em precisão visual e em casos de borda de formatos como M2 e WMO, além de texturas de equipamentos.

Na imprensa de tecnologia, o WoWee também é descrito com features visuais como céu dinâmico, clima e efeitos que ajudam a recriar a atmosfera de Azeroth.

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Por que isso importa para a comunidade

Projetos desse tipo são raros em MMOs. Um cliente open source para um jogo ativo e gigantesco é incomum, porque o trabalho envolve redes, renderização, formatos de arquivos e comportamento de UI em tempo real. Por isso, mesmo quem não pretende usar o WoWee no dia a dia vê valor nele como engenharia reversa e preservação de tecnologia.

No GitHub, o WoWee aparece como repositório público e já soma centenas de commits, o que mostra desenvolvimento constante e escopo crescente.

Além disso, o projeto reforça uma demanda antiga de parte da comunidade. Rodar WoW no Linux sem depender de camadas de compatibilidade. A proposta do WoWee é ser nativo, direto, e controlado pelo próprio código do projeto.

O ponto delicado: regras da Blizzard e o risco de violar termos

Aqui entra a parte que merece cuidado. A Blizzard tem posicionamentos públicos contra softwares de terceiros que modifiquem o cliente do jogo, e diz que toma ações contra quem tenta burlar protocolos de segurança ou alterar funcionalidades do client, incluindo banimento permanente.

O WoWee, por sua natureza, entra em uma zona sensível. Ele se declara educativo e não inclui assets, mas ainda assim replica comportamentos e se conecta a servidores que não são oficiais. Por isso, é importante separar curiosidade técnica de uso em contextos que podem violar termos de serviço.

O próprio repositório faz questão de avisar que não é afiliado nem endossado pela Blizzard e que o usuário é responsável por fornecer dados legais e cumprir as leis aplicáveis.

Warden e a engenharia por trás das compatibilidades

Um dos aspectos mais comentados do WoWee é como ele lida com Warden, o sistema anticheat associado ao WoW. A documentação do projeto afirma execução completa de módulos via emulação de CPU com Unicorn Engine, com cache local, para manter compatibilidade com verificações.

Esse ponto é exatamente o tipo de área em que o assunto vira polêmica rapidamente. É interessante do ponto de vista técnico, mas também esbarra no debate sobre segurança, fair play e regras impostas pela publicadora. A Blizzard, inclusive, cita diretamente a preocupação com quem tenta contornar protocolos de segurança.

Onde isso pode chegar

Hoje, o WoWee ainda é apresentado como experimento. A cobertura técnica aponta que há recursos que ainda precisam amadurecer, como melhorias de interoperabilidade e outros componentes do ecossistema do jogo.

Mesmo assim, ele já mostra um cenário interessante para 2026. Um futuro em que mais jogos clássicos tenham clientes alternativos para pesquisa, preservação e compatibilidade em plataformas diferentes. E, no caso do WoW, um lembrete de quanto conhecimento está escondido dentro de um MMO lançado em 2004 e ainda vivo.

Se você quer acompanhar o projeto pelo lado técnico, a fonte mais direta é o repositório público do WoWee no GitHub.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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