Astrônomos identificaram um fenômeno extremo no espaço profundo que parece coisa de ficção científica. Trata-se de um laser natural de micro-ondas tão intenso que recebeu o nome de gigamaser, o mais poderoso já observado. A descoberta foi feita com o radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, durante a busca por galáxias ricas em gás molecular.
O sinal foi detectado na frequência de 1667 megahertz e teve origem no sistema H ATLAS J142935.3 002836, um conjunto de galáxias em processo de fusão localizado a mais de 8 bilhões de anos luz da Terra. Isso significa que estamos vendo o fenômeno como ele era quando o universo tinha menos da metade da idade atual.

Masers são o equivalente cósmico de lasers, só que operam em comprimentos de onda muito maiores, cerca de 18 centímetros. Eles surgem quando moléculas de hidroxila, formadas por hidrogênio e oxigênio, amplificam ondas de rádio de forma extremamente organizada. Esse tipo de emissão já era conhecido como megamaser, mas a intensidade desse caso é tão absurda que os cientistas precisaram criar a categoria gigamaser.
A potência total do sinal é estimada em cerca de 100 mil vezes a de uma estrela comum, concentrada em uma faixa minúscula do espectro de micro-ondas. Tudo isso acontece em meio ao caos provocado pela colisão de galáxias, que comprime gás e poeira, acelera a formação de estrelas e alimenta o buraco negro central. Esse ambiente cria as condições ideais para que as moléculas entrem em perfeita sintonia e emitam radiação coerente.
Detectar algo assim a uma distância tão grande só foi possível graças a um alinhamento raro. Uma galáxia mais próxima ficou exatamente no caminho do sinal e atuou como uma lente gravitacional, amplificando as micro-ondas, como previsto pela teoria da relatividade de Einstein. Sem esse efeito, o gigamaser seria invisível até mesmo para o MeerKAT.

Além de impressionante, a descoberta é valiosa para entender a evolução do universo. Masers desse tipo funcionam como marcadores de grandes fusões galácticas, eventos que impulsionam o crescimento de buracos negros e explosões de formação estelar. O gigamaser oferece uma janela única para observar esses processos em uma época em que colisões entre galáxias eram muito mais comuns do que hoje.
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