Geek

Cannabis pode ajudar no tratamento da gordura no fígado, aponta estudo

Compostos derivados da cannabis podem abrir um novo caminho no combate à doença hepática gordurosa não alcoólica, condição bastante comum e ligada a problemas metabólicos como obesidade, resistência à insulina e pressão alta. A descoberta vem de uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, que analisaram os efeitos dessas substâncias em camundongos com quadro semelhante ao da doença em humanos. O trabalho indica que o canabidiol, mais conhecido como CBD, e o canabigerol, o CBG, ajudaram a melhorar o funcionamento do fígado e favoreceram o processamento de gorduras no órgão.

A estudante de doutorado Radka Kočvarová está trabalhando no projeto.

A condição, que também vem sendo associada ao nome doença hepática esteatótica ligada à disfunção metabólica, atinge uma parcela expressiva da população adulta e preocupa médicos e pesquisadores por não afetar apenas o fígado, mas também por impactar o metabolismo do corpo como um todo. Segundo os autores, estudos anteriores já apontavam que compostos não psicoativos da cannabis poderiam reduzir inflamações hepáticas e frear o avanço do problema, mas ainda havia dúvidas sobre como esse processo ocorria na prática. Foi justamente isso que a nova pesquisa tentou esclarecer.

Para chegar aos resultados, os cientistas dividiram os animais em grupos e administraram CBD, CBG ou uma substância controle ao longo de quatro semanas. Antes disso, os camundongos haviam passado por uma dieta capaz de induzir obesidade, simulando um cenário favorável ao desenvolvimento da doença. Depois, os pesquisadores analisaram sangue, fígado, músculos e outros órgãos para entender como o organismo respondia aos compostos.

O canabidiol (CBD) e o canabigerol (CBG) aliviam a esteatose hepática em camundongos obesos, direcionando o tamponamento energético para a fosfocreatina e aumentando a degradação e o transporte de lipídios lisossômicos. Esses efeitos estão associados ao aumento da atividade da creatina quinase e dos níveis de ácido lisobisfosfatídico (LBPA), evidenciando um mecanismo hepatoprotetor dos fitocanabinoides em condições de lipotoxicidade até então desconhecido.

Entre os achados mais importantes, o estudo mostrou que os canabinoides elevaram os níveis de creatina e fosfocreatina, moléculas ligadas ao armazenamento e fornecimento de energia para as células. Na prática, isso pode significar que o fígado ganha uma espécie de reserva energética para lidar melhor com o estresse provocado por uma alimentação rica em gordura. Além disso, os cientistas observaram a recuperação da atividade de enzimas chamadas catepsinas, fundamentais para quebrar gorduras nocivas e resíduos metabólicos. Tanto o CBD quanto o CBG ajudaram a restaurar esses níveis, mas o CBG apresentou desempenho ainda mais forte em vários dos parâmetros analisados.

Os pesquisadores acreditam que essa combinação de efeitos pode tornar esses compostos candidatos promissores para futuras terapias voltadas ao tratamento da gordura no fígado. Ainda assim, o próprio estudo faz uma ressalva importante. Os resultados foram obtidos apenas em camundongos, o que significa que ainda não dá para afirmar que o mesmo benefício ocorrerá em seres humanos. Por isso, a próxima etapa será aprofundar as investigações para entender se o mecanismo também funciona em pacientes e como ele poderia ser aplicado de forma segura na medicina. O trabalho foi publicado no British Journal of Pharmacology.

Veja mais Ciência!

Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios