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Ilusão de ótica dos 9 pontos roxos confunde e revela como seu cérebro enxerga as cores

Uma nova ilusão de ótica está chamando atenção ao brincar com algo que parece simples à primeira vista, mas revela um mecanismo bem mais complexo da visão humana. A imagem mostra nove pontos dispostos em um quadrado, todos na mesma tonalidade, mas muita gente jura que não está vendo isso. Dependendo de onde o olhar se fixa, apenas um ponto parece realmente roxo, enquanto os outros ao redor passam a ser percebidos como azulados. O resultado é um efeito curioso, quase hipnótico, que transforma uma figura estática em uma experiência visual surpreendente.

A explicação por trás da ilusão envolve a maneira como nossos olhos e nosso cérebro trabalham juntos para interpretar as cores. O engenheiro biomédico Hinnerk Schulz Hildbrandt, responsável por desenvolver a imagem, detalha que a percepção cromática não é uma simples leitura das ondas de luz que chegam até a retina. Na prática, o cérebro constrói essa percepção ativamente, combinando sinais recebidos pelos cones, as células responsáveis por detectar cores, com o contexto visual ao redor. Por isso, ainda que todos os nove pontos tenham exatamente a mesma cor, o cérebro acaba fazendo ajustes que alteram a forma como eles são percebidos.

Boa parte desse fenômeno tem relação com os três tipos de cones presentes nos olhos humanos. Cada grupo é mais sensível a determinadas faixas do espectro luminoso. Existem cones voltados para comprimentos de onda mais longos, associados aos tons avermelhados, outros mais ligados aos comprimentos médios, relacionados a verdes e amarelos, e um terceiro grupo mais sensível às faixas curtas, que captam melhor os tons azulados. O detalhe é que esses cones não estão distribuídos de maneira uniforme. Na região central da visão, conhecida como fóvea, os cones ligados ao azul são muito mais raros. Isso significa que, justamente onde enxergamos com mais nitidez, nossa capacidade de perceber certos tons azulados é menor.

Esse desequilíbrio ajuda a entender por que a ilusão funciona tão bem. Quando a pessoa olha diretamente para um dos pontos, o cérebro reforça a sensação de que ele é mais roxo para diferenciá lo do fundo, enquanto os outros pontos ao redor acabam sendo empurrados visualmente para uma aparência mais azul. É um jogo entre limitação fisiológica e interpretação mental. O efeito muda em tempo real conforme os olhos se movimentam, criando a sensação de que as cores estão se transformando, mesmo sem sofrer nenhuma alteração real na imagem.

Então, como exatamente isso funciona? Bem, existem três tipos de cones – ou seja, células detectoras de cores, em nossos olhos: cones L, cones S e cones M. Essas letras representam longo, curto e médio, ninguém disse que os neuroanatomistas eram criativos na nomenclatura e refletem a quais comprimentos de onda cada um é sensível: os cones L captam melhor os tons vermelhos; os cones S, os azuis; e os cones M são mais sensíveis aos verdes e amarelos intermediários.  Mas esses três tipos de cones estão longe de estar distribuídos igualmente no olho. Eles não apenas aparecem em números extremamente diferentes, com os cones L e M superando os cones S em uma proporção de cerca de 10 para 1, como também estão distribuídos de forma desigual por todo o olho. “Na fóvea, a área da visão mais nítida, os cones L e M estão presentes em alta densidade, permitindo a percepção de detalhes e a discriminação de cores mais precisas”, escreveu Schulz-Hildebrandt. “Os cones S […] estão quase completamente ausentes no centro absoluto da fóvea.”

Outro conceito importante para entender essa brincadeira visual é o chamado contraste simultâneo. Em situações assim, o cérebro ajusta a leitura de uma cor com base nas tonalidades vizinhas, tentando destacar elementos e organizar melhor a cena. É o mesmo tipo de mecanismo que ajuda a explicar outras ilusões famosas da internet, como imagens em que duas áreas idênticas parecem ter cores completamente diferentes. No caso dos nove pontos, o fundo levemente azulado e os círculos em tom semelhante fazem o cérebro exagerar as diferenças para facilitar a separação entre figura e fundo.

Mais do que um truque curioso para viralizar nas redes, a ilusão também reforça uma ideia fascinante sobre a visão humana. O que enxergamos não é uma reprodução fiel e objetiva do mundo, mas uma interpretação elaborada pelo cérebro o tempo todo. Em outras palavras, nossos olhos captam sinais, mas quem realmente monta a imagem final é a mente. E é justamente aí que esse tipo de ilusão se torna tão interessante, porque mostra de forma simples e impactante como até algo aparentemente óbvio, como a cor de nove pontos roxos, pode ser muito mais relativo do que parece.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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