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Novo estudo do Sudário de Turim revela DNA inesperado e reforça suspeitas sobre autenticidade

O Sudário de Turim, peça de linho que muitos fiéis associam ao corpo de Jesus Cristo, voltou ao centro das discussões depois de uma nova análise de DNA revelar detalhes curiosos sobre sua história. Embora o estudo tenha identificado vestígios biológicos interessantes no tecido, os próprios resultados acabam fortalecendo ainda mais as suspeitas de que a relíquia seja, na verdade, uma fabricação medieval.

De acordo com o texto, o sudário só aparece de forma documentada entre 1353 e 1357, quando estava em posse do cavaleiro francês Geoffroi de Charny. Nem mesmo naquela época sua origem era aceita sem questionamentos. Em 1389, por exemplo, o bispo de Troyes chegou a afirmar que a peça havia sido pintada de forma engenhosa, dizendo inclusive que existia testemunho do artista responsável pela imagem. Ainda assim, ao longo dos séculos, o objeto continuou atraindo devoção e chegou a ser visitado por diferentes papas, incluindo Francisco, em 2015.

O Sudário de Turim está preservado, desde 1578, na capela real da Catedral de San Giovanni Battista, em Turim, Itália.

O problema para quem defende a autenticidade do sudário é que os testes científicos feitos até hoje não têm colaborado muito com essa versão. Datações por carbono realizadas em amostras do tecido indicaram que ele foi produzido entre 1260 e 1390, período que coincide justamente com a época em que a peça surgiu no registro histórico. Agora, uma pesquisa mais recente, ainda sem revisão por pares, analisou amostras coletadas em 1978 e encontrou DNA de várias espécies vegetais, animais e humanas.

Entre os materiais identificados estavam vestígios de cenoura selvagem, laranja, banana e amendoim. Esse ponto chamou atenção porque parte desses elementos está ligada a períodos posteriores ao tempo em que Jesus teria vivido. Os pesquisadores destacam, por exemplo, que o DNA de cenoura encontrado no tecido se aproxima mais de variedades desenvolvidas na Europa entre os séculos 15 e 16. Laranjas e bananas também chegaram ao continente europeu durante a Alta e a Baixa Idade Média, o que torna mais difícil sustentar a ideia de que o pano seja um artefato funerário do século 1.

Outro aspecto que pesou contra a narrativa tradicional foi justamente o que não apareceu. Segundo o estudo, há predominância de espécies agrícolas mediterrâneas, mas ausência de flora típica do Oriente Médio, o que levanta novas perguntas sobre o local em que o sudário teria sido produzido ou utilizado. Em vez de reforçar a ligação com a Judeia antiga, o conjunto das evidências parece apontar para um contexto histórico e geográfico bem diferente.

No campo animal, os cientistas encontraram traços de porcos, ovelhas, cabras, galinhas, coelhos, cavalos, além de cães e gatos domésticos. Para os autores, isso pode indicar uma origem mediterrânea para a peça ou, no mínimo, contaminações acumuladas ao longo de seu transporte e exposição em diferentes regiões. Também surgiram surpresas na análise do DNA humano: mais de 55% das linhagens identificadas foram associadas ao Oriente Próximo, enquanto menos de 6% teriam origem na Europa Ocidental. Outro dado inesperado foi a presença significativa de linhagens indianas, algo que os pesquisadores relacionam a possíveis rotas comerciais antigas envolvendo linho ou fios vindos de áreas próximas ao Vale do Indo.

No fim das contas, o novo estudo não encerra o mistério do Sudário de Turim, mas deixa a história ainda mais intrigante. Em vez de confirmar a relíquia como autêntica, a análise amplia as dúvidas e sugere que o tecido pode ser uma falsificação bastante complexa, marcada por séculos de contato humano, circulação entre regiões e acúmulo de vestígios biológicos. Mesmo assim, justamente por carregar tantas camadas históricas, o sudário continua sendo um objeto fascinante para a ciência, para a religião e para a curiosidade pública.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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