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Yuga Labs encerra disputa com Ryder Ripps e põe fim a um dos casos mais caóticos da era NFT

A Yuga Labs finalmente colocou um ponto final em uma das batalhas judiciais mais emblemáticas e confusas deixadas pela febre dos NFTs. A empresa por trás do Bored Ape Yacht Club chegou a um acordo com o artista Ryder Ripps e o empresário do setor cripto Jeremy Cahen, encerrando uma disputa que se arrastava havia anos e que se tornou uma espécie de símbolo do colapso e dos excessos daquele mercado.

Os detalhes do acordo não foram revelados, mas a informação que veio a público indica que Ripps não poderá mais usar marcas e imagens pertencentes à Yuga Labs. O desfecho encerra uma novela jurídica que acompanhou de perto a ascensão meteórica e a posterior derrocada do universo dos NFTs, especialmente do Bored Ape Yacht Club, coleção que virou febre em 2021 e chegou a movimentar valores milionários no auge da euforia digital.

A confusão começou quando Ryder Ripps, figura conhecida tanto pelo trabalho artístico quanto por ações provocativas, passou a afirmar que a Yuga Labs teria inserido referências racistas e mensagens extremistas na identidade visual dos Bored Apes. Ele chegou a publicar um site com acusações pesadas contra a empresa e seus fundadores, sustentando a ideia de que a coleção carregava simbologias problemáticas. A partir daí, em parceria com Jeremy Cahen, lançou o projeto RR/BAYC, descrito na época como uma obra de apropriação artística e protesto.

A Bored Ape Yacht Club NFT. Source: Yuga Labs

Na prática, o projeto oferecia NFTs que reutilizavam as imagens dos macacos do Bored Ape Yacht Club, com a proposta de ressignificar o conteúdo como crítica e comentário satírico. Os compradores pagavam cerca de 200 dólares em ether para cunhar versões ligadas à iniciativa. Para a Yuga Labs, no entanto, aquilo não era protesto artístico, mas sim uso indevido de marca, confusão comercial e exploração direta da popularidade da coleção original.

Foi então que a empresa decidiu processar Ripps e Cahen com uma lista extensa de acusações, incluindo infração de marca, concorrência desleal, enriquecimento ilícito, publicidade enganosa e cybersquatting. A ação rapidamente ganhou tons ainda mais extravagantes, tanto pelas alegações envolvidas quanto pelo comportamento das partes durante o processo. Em documentos judiciais, o próprio juiz descreveu a condução da defesa como evasiva e obstrutiva, além de criticar declarações ofensivas e difamatórias feitas contra a Yuga Labs, seus fundadores e seus advogados.

Em fevereiro de 2024, a justiça havia decidido a favor da Yuga Labs e determinado que os réus pagassem cerca de 9 milhões de dólares. Naquele momento, a empresa chegou a tratar a vitória como algo maior do que um simples triunfo corporativo, dizendo que o resultado também representava um recado importante para o setor web3 contra falsificadores e golpistas. Só que a história ainda estava longe de acabar.

Ripps e Cahen seguiram recorrendo da decisão até o caso chegar à Corte de Apelações do Nono Circuito. Em julho do ano passado, conseguiram reverter a decisão anterior, o que levou à determinação de um novo julgamento com júri. Isso reacendeu a disputa e indicava que a batalha ainda poderia se prolongar por mais tempo. No fim, porém, esse novo julgamento nunca aconteceu.

Um documento protocolado em 7 de abril de 2026 no Tribunal Distrital da Califórnia informou que as partes haviam chegado a um acordo para resolver todas as reivindicações do processo. Com isso, a disputa foi oficialmente encerrada antes de voltar ao tribunal. Segundo relatos divulgados na imprensa internacional, Ripps reafirmou que os termos são confidenciais, enquanto a Yuga Labs preferiu não comentar publicamente o conteúdo do acerto.

Enquanto toda essa guerra judicial se desenrolava, o Bored Ape Yacht Club foi perdendo espaço no noticiário e também no imaginário coletivo que antes tratava os NFTs como o futuro inevitável da internet. Ainda assim, a marca continuou tentando sobreviver em novas frentes, como a experiência de metaverso Otherside, lançada para manter o projeto relevante em um cenário bem menos empolgado do que o de 2021.

No fim das contas, esse acordo não apaga o caos que cercou o caso, mas fecha um dos capítulos mais curiosos, barulhentos e simbólicos da era NFT. Entre arte conceitual, acusações graves, disputas de marca e milhões de dólares em jogo, a batalha entre Yuga Labs e Ryder Ripps virou um retrato quase perfeito de um mercado que misturou hype, dinheiro fácil, ego e controvérsia em doses difíceis de separar.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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