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Skate Story traz um pacto de vidro entre skake e alma

Skate Story é uma experiência singular que desafia as convenções do gênero de esportes radicais, transportando o jogador para uma odisseia surreal onde cada manobra é uma questão de vida ou estilhaçamento. É pura poesia.

Tivemos acesso à versão do PS5 e exploramos como a obra do desenvolvedor independente Sam Eng, publicada pela renomada Devolver Digital, redefine o ato de andar de skate através de uma narrativa faustiana envolvente.

Lançado em 12 de dezembro de 2025, o título nos coloca na pele — ou melhor, no vidro — de um demônio frágil que firma um pacto com o Diabo para engolir a Lua, tudo isso embalado pela trilha sonora hipnótica de Blood Cultures.

A premissa que se distancia dos clássicos games inspirados no esporte

A premissa de Skate Story é tão afiada quanto os cacos que sobram do protagonista após uma falha. Você assume o controle de um demônio feito inteiramente de vidro e dor, aprisionado no submundo.

A liberdade é oferecida pelo próprio Diabo, mas o preço é uma tarefa hercúlea: skatar até a Lua e devorá-la. Essa narrativa não é apenas um pano de fundo estético; ela dita o ritmo e a tensão de todo o jogo.

A fragilidade do personagem principal transforma a mecânica de “bailing” (cair do skate) em algo visualmente impactante e tematicamente coerente. Cada erro resulta em uma explosão prismática de vidro, reforçando a ideia de que, neste mundo, a perfeição não é apenas uma busca por pontuação alta, mas uma necessidade de sobrevivência.

A atmosfera é densa, construída sobre uma estética psicodélica que mistura o grotesco com o belo, utilizando uma câmera baixa que amplia a sensação de velocidade e perigo iminente.

Jogabilidade diferenciada para um game peculiar

Skate Story se distancia dos simuladores tradicionais como Skate ou Session. Em vez de depender exclusivamente do movimento dos analógicos para simular o “flick” dos pés, o jogo adota um esquema de controles mais híbrido e rítmico.

A física e o peso do skate são palpáveis, exigindo que o jogador sinta a inércia do movimento. O sistema de truques baseia-se em combinações de botões e timing preciso, criando uma curva de aprendizado que é, ao mesmo tempo, acessível para novatos e profunda para veteranos.

Com uma progressão que desbloqueia mais de 70 movimentos ao longo da campanha, o jogo evita a sobrecarga inicial, ensinando o vocabulário do skate demoníaco gradualmente.

A resposta háptica do controle DualSense do PS5 adiciona uma camada extra de imersão, transmitindo a textura das superfícies infernais e o impacto aterrorizante de cada aterrissagem mal sucedida.

Batalhas contra chefões e liberdade para experimentar

Um dos elementos centrais do design de jogo é a mecânica de “stomp”. Diferente de outros jogos onde o foco é puramente a linha de manobras, aqui você deve encerrar combos com um pisão firme para “bancar” sua pontuação e, crucialmente, causar dano aos chefes.

Sim, Skate Story apresenta batalhas contra chefes, onde a agressividade do skate se traduz em combate rítmico. Esses segmentos exigem que o jogador mantenha o fluxo de manobras enquanto desvia de ataques, culminando em stomps estratégicos para derrotar as abominações que guardam as camadas do inferno.

Além disso, o jogo oferece “spots” livres, áreas abertas onde a criatividade reina, permitindo que o jogador respire entre os desafios mais intensos e experimente linhas complexas sem a pressão imediata de um chefe gigante ou de um abismo sem fim.

Visual lindo e trilha sonora hiptotizante

Visualmente, o título é um espetáculo à parte. A direção de arte aposta em uma geometria angular e texturas que lembram o brutalismo digital, banhadas por iluminação neon e efeitos de refração impressionantes.

A trilha sonora, composta pela banda Blood Cultures com faixas adicionais de John Fio, não é apenas um acompanhamento; ela é a pulsação do jogo. As batidas etéreas e os sintetizadores nostálgicos casam perfeitamente com a estética onírica, criando momentos de “flow” absoluto onde música, visual e movimento se fundem em uma experiência quase transcendental.

É raro encontrar um jogo onde o áudio e o visual estejam tão intrinsecamente ligados ao gameplay.

E quanto aos probleminhas?

Entretanto, a experiência não é isenta de falhas. A escolha artística pela câmera baixa, embora cinematográfica e imersiva, pode se tornar um obstáculo prático.

Em momentos de alta velocidade ou em espaços confinados, a visibilidade é comprometida, e os filtros de distorção “fisheye” (olho de peixe), somados à movimentação frenética, podem causar desconforto ou enjoo em jogadores mais sensíveis.

Felizmente, as opções de acessibilidade permitem ajustar alguns desses efeitos, uma recomendação valiosa para quem sente náuseas com facilidade.

Outro ponto que divide opiniões é a duração da campanha. Com cerca de 5 a 6 horas, Skate Story é uma experiência concisa, o que para alguns pode parecer pouco, especialmente considerando que o final tende a se arrastar um pouco mais do que o necessário, perdendo parte do ímpeto construído nas primeiras horas.

Há também alguns pequenos bugs recorrentes, onde o skate ou o personagem atravessam partes do cenário, resultando em quedas injustas para o abismo.

Embora não sejam frequentes a ponto de quebrar o jogo (“game-breaking”), essas inconsistências podem quebrar a imersão.

A performance geral, contudo, mantém-se estável, segurando a taxa de quadros necessária para que os reflexos rápidos do jogador não sejam prejudicados durante as manobras mais complexas.

A narrativa, entregue majoritariamente via texto, é outro ponto alto que merece destaque. O roteiro é carregado de uma melancolia irônica, com diálogos que oscilam entre o existencialismo profundo e o humor absurdo.

Os NPCs que habitam o submundo, de almas perdidas a burocratas infernais, adicionam cor e contexto a este universo bizarro. Não há dublagem, o que pode afastar quem prefere narrativas mais cinematográficas tradicionais, mas a qualidade da escrita compensa o silêncio das vozes.

A história de um demônio feito de vidro tentando alcançar algo tão inatingível quanto a Lua ressoa como uma metáfora poderosa para a própria prática do skate: a persistência diante da dor e a beleza encontrada na tentativa, mesmo quando o resultado é se espatifar no chão.

Conclusão

Skate Story é muito mais do que um simples jogo de esporte; é uma peça de arte interativa que usa o skate como linguagem para falar sobre vulnerabilidade e determinação.

Sam Eng e a Devolver Digital entregaram um título que, apesar de seus pequenos tropeços técnicos e de câmera, oferece uma das experiências mais originais da geração atual.

O equilíbrio entre desafio e acessibilidade permite que tanto skatistas virtuais experientes quanto novatos curiosos encontrem prazer no deslizar sobre o asfalto infernal. Se você consegue perdoar algumas arestas não polidas em troca de estilo, atmosfera e uma trilha sonora inesquecível, Skate Story é uma adição obrigatória à sua biblioteca do PS5.

É um lembrete brilhante de que, às vezes, é preciso se quebrar em mil pedaços para finalmente alcançar o que se deseja.

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Nota final: 4/5


























Avaliação: 4 de 5.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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