A Marvel sempre apostou alto na criação de novos personagens. Nem todos funcionam. Alguns acabam esquecidos. Outros se tornam alvo de rejeição direta dos fãs. Knull, o Deus dos Simbiontes e antigo Rei de Preto, entrou facilmente nesse segundo grupo e se tornou o vilão mais odiado. Criado como uma entidade primordial e ultra poderosa, ele chegou com grande impacto nas histórias do Venom, mas nunca caiu no gosto do público.
Desde sua estreia, Knull foi visto como exagerado, excessivamente sombrio e vazio de personalidade. Era forte demais, cruel demais e, para muitos leitores, parecia deslocado dentro do próprio Universo Marvel. Mesmo sendo o centro de um dos maiores eventos do personagem Venom, o vilão acabou sendo mais criticado do que celebrado.

Agora, a Marvel decidiu mudar esse cenário. Em Knull 1, o personagem retorna completamente reimaginado pelas mãos de Al Ewing. A ideia não foi suavizar Knull ou dar a ele um arco emocional tradicional. Pelo contrário. A nova abordagem abraça exatamente aquilo que sempre incomodou, o fato de ele representar o vazio absoluto.
Após ser derrotado e perder o posto de Rei de Preto, Knull é trazido de volta quando o equilíbrio do universo exige que alguém ocupe esse papel. Antes de recuperar seu poder, ele é capturado por Hela, a deusa asgardiana da morte, que tenta drená-lo para assumir o controle dos simbiontes. É nesse ponto que a história revela uma virada importante. O passado de Knull não estava errado, apenas distorcido pelo próprio olhar dele. Na verdade, ele foi escolhido pelos Celestiais para existir como o Deus do Vazio, uma peça essencial na ordem do universo.
A partir daí, o roteiro encontra sua maior força. Knull escapa de sua prisão usando o próprio conceito de nada como arma. Sua cela estava vazia porque ele é o nada. Ele desaparece, reaparece em espaços igualmente vazios e atravessa o domínio de Hela recuperando simbiontes e eliminando obstáculos. Não é apenas força bruta. É conceito em ação.

Essa mudança resolve dois problemas antigos do personagem. Knull deixa de ser apenas um vilão edgy e poderoso sem profundidade. Ele passa a ter uma função clara dentro da mitologia Marvel. Sua ausência de personalidade não é mais um defeito. É parte da sua natureza. Ele não precisa de grandes motivações. Ele é o vazio, e o vazio não precisa de justificativa.
Além disso, seus poderes finalmente refletem quem ele é. Antes limitado ao controle de simbiontes e escuridão, Knull agora manipula a própria ideia de inexistência. Essa abordagem mais conceitual torna o personagem mais criativo e muito mais interessante de acompanhar nas páginas.

Com essa reinvenção, a Marvel conseguiu algo raro. Transformou um dos personagens mais criticados dos últimos anos em uma ameaça que faz sentido, respeita a lógica do universo e ainda desperta curiosidade. Knull não foi consertado tentando ser algo que nunca foi. Ele foi aprimorado ao assumir completamente o que sempre representou.
Knull 1 já está à venda nos Estados Unidos e marca um novo começo para o Deus do Vazio. Pela primeira vez, o personagem parece realmente pertencer ao Universo Marvel.
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