Pegar um café para viagem parece inofensivo. Mas um novo estudo sugere que os copos plásticos podem estar adicionando um “ingrediente” indesejado à bebida: microplásticos liberados pelo calor.
A pesquisa analisou dados de dezenas de trabalhos e ainda fez testes práticos com copos usados em cafeterias. O resultado é direto: quanto mais quente o líquido, maior tende a ser a liberação de partículas.
O que o estudo encontrou
O trabalho, publicado em acesso aberto no periódico Journal of Hazardous Materials: Plastics, reuniu uma meta análise de 30 estudos e 237 observações, além de um experimento próprio comparando dois tipos comuns de copos: copos plásticos de polietileno (PE) e copos de “papel” com revestimento plástico (PE coated).
Na meta análise, os autores observaram que a liberação de microplásticos em recipientes feitos de PE, PET, PP e PS aumenta de forma significativa com a temperatura. Os números variaram muito entre estudos, indo de centenas a mais de 8 milhões de partículas por litro, dependendo do material e do método usado.
Um detalhe importante: o tempo que a bebida fica no copo não parece ser o principal vilão. A tendência é que o “pico” aconteça mais por causa do choque inicial do líquido quente no plástico.
O teste com 400 copos e duas temperaturas
Para sair da teoria e ir para a prática, a equipe coletou 400 copos em Brisbane e testou as amostras em 5°C (bebida gelada) e 60°C (bebida quente).
Duas tendências ficaram claras:
A primeira é que o material importa. Os copos “de papel” com revestimento plástico soltaram menos microplásticos do que copos totalmente plásticos, nas duas temperaturas.
A segunda é que o calor acelera o processo. No caso dos copos de PE, a liberação subiu 32,7% quando a temperatura passou de 5°C para 60°C.
Os autores também destacam que a superfície interna dos copos totalmente plásticos pode ser mais “rugosa”, com micro irregularidades que facilitam o desprendimento de partículas, algo que o calor tende a piorar.
E o risco para a saúde
Aqui vale frear a ansiedade. A ciência ainda está tentando entender quanto microplástico realmente fica no corpo, por quanto tempo e com quais efeitos. E, para complicar, uma investigação recente mostrou que parte das detecções em órgãos humanos pode ter sido influenciada por falsos positivos e contaminação de amostras, o que reacendeu o debate sobre métodos e controles de laboratório.
Ou seja, o estudo dos copos chama atenção para uma fonte potencial de exposição, mas isso não significa que já exista uma resposta fechada sobre impacto direto na saúde.
Como reduzir a exposição sem abandonar o café
Se a ideia é ser prático, algumas escolhas simples já ajudam:
Um copo reutilizável de vidro, cerâmica ou inox evita esse tipo de liberação típica de plásticos.
Se for usar descartável, os dados do estudo sugerem que copos de papel com revestimento plástico tendem a soltar menos partículas do que copos totalmente plásticos.
E, quando der, evite despejar líquido muito quente direto em recipientes plásticos. A temperatura é o gatilho principal.
No fim, a mensagem não é pânico. É consciência. Microplásticos estão por toda parte, e entender de onde eles vêm no dia a dia é parte do caminho para produtos melhores e escolhas mais inteligentes.
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