Quase todo mundo conhece a curiosidade clássica de De Volta Para o Futuro: antes de Michael J. Fox virar Marty McFly, quem estava no papel era Eric Stoltz. O que muita gente não tinha ouvido com tantos detalhes é como esse período foi tenso no set, pelo menos na lembrança de Thomas F. Wilson, o Biff Tannen.
Em uma participação recente no podcast Inside of You, apresentado por Michael Rosenbaum, Wilson contou que Stoltz estava em uma abordagem “muito pesada” de atuação pelo método e que isso respingava direto no clima de bastidores.
“Me chamem de Marty” e o clima fora das câmeras
Segundo Wilson, Stoltz queria que todos o chamassem de “Marty”, literalmente todo mundo, do cabeleireiro ao diretor. A intenção seria “encarnar” o personagem o tempo inteiro. Só que, na prática, isso teria feito o ator tratar Wilson de forma bem ruim, como se a rivalidade entre Marty e Biff precisasse continuar mesmo quando a câmera parava.
Wilson faz questão de dizer que respeita Stoltz e a carreira dele, mas afirma que, naquela época, a experiência foi desagradável. E ainda aponta algo que ele chama de “método seletivo”: Stoltz mantinha uma relação amistosa com Lea Thompson no set, embora Marty devesse ficar desconfortável ao redor da personagem dela no filme.

Por que a troca aconteceu de verdade
A substituição de Stoltz por Michael J. Fox já é um fato bem documentado e, ao longo dos anos, a explicação mais repetida é que a produção percebeu que o tom do filme pedia mais leveza e timing de comédia.
Uma análise da Syfy lembra que o próprio diretor Robert Zemeckis descreveu Stoltz como um ótimo ator, mas “mal escalado” para o que o filme precisava, e cita relatos de bastidores sobre essa diferença de vibração.
Wilson também descreve o choque quando tudo parou e ele achou que o filme inteiro ia ser cancelado. Até ser chamado para uma reunião e descobrir que, na verdade, quem estava chegando era Michael J. Fox. Para ele, a mudança foi imediata: Fox entendia o “vibe” do projeto e parecia entrar em cena para construir junto, não para “viver um experimento” paralelo.
Fox e Stoltz chegaram a conversar décadas depois
Outro detalhe curioso é que essa história ganhou nova vida nos últimos meses porque o próprio Michael J. Fox voltou ao assunto no livro Future Boy, que revisita o período em que ele gravava Family Ties de dia e filmava De Volta Para o Futuro à noite. A People também contou que Fox se encontrou com Stoltz muitos anos depois e descreveu a conversa como positiva, num clima de “mitologia” ao redor do que aconteceu.
No fim, o que fica é mais uma peça de bastidor para um filme que já tem décadas de histórias por trás. E também um lembrete de como decisões de elenco e de tom podem mudar tudo. Em De Volta Para o Futuro, mudaram mesmo.
Veja mais sobre cinema.




