Uma startup da Califórnia abriu reservas para um projeto que soa como ficção científica, mas já está sendo vendido como plano real: o que a empresa chama de “primeiro hotel na Lua”. A GRU Space começou a aceitar depósitos em meados de janeiro de 2026, com valores que variam de US$ 250 mil a US$ 1 milhão para garantir lugar numa lista de futuros hóspedes.
A promessa, por enquanto, é de longo prazo. O cronograma divulgado pela companhia aponta para uma primeira operação voltada a visitantes apenas em 2032.
Quem está por trás do projeto
A GRU Space diz ter sido fundada por Skyler Chan, formado em engenharia elétrica e ciência da computação na UC Berkeley. A empresa também destaca experiências anteriores do fundador, como trabalho com software automotivo na Tesla e participação em um projeto de impressão 3D financiado por NASA e testado em voo.
Como seria “se hospedar” na Lua
O conceito descrito pela startup é um habitat inflável pressurizado, pensado para suportar o ambiente lunar com camadas de proteção, incluindo mitigação contra micrometeoritos e medidas para lidar com temperatura extrema e radiação. No começo, a ideia é acomodar apenas quatro pessoas por vez.
A empresa vende a experiência como turismo espacial de alta exclusividade, com atividades na superfície e a proposta de transformar a hospedagem em um “destino”, não só uma viagem.
Um plano em etapas até 2032
O roteiro anunciado é incremental. A GRU Space fala em uma primeira missão de teste no fim da década para validar tecnologias essenciais e, depois, missões posteriores para escalar o sistema e preparar a chegada do habitat principal. O objetivo final seria pousar a estrutura completa em 2032.
O que precisa acontecer para isso não ficar só no papel
Mesmo para padrões ambiciosos do setor espacial, o projeto depende de várias peças externas.
A primeira é o custo e a disponibilidade de voos tripulados à Lua em rotina. Hoje, a indústria ainda está tentando retomar esse caminho. A NASA, por exemplo, trabalha no programa Artemis para estabelecer uma presença mais sustentável no satélite ao longo dos próximos anos, com conceitos como o Artemis Base Camp e infraestrutura de longa duração.

A segunda é infraestrutura. Energia, comunicação, logística de pouso, segurança e suporte de vida não são detalhes. São o projeto inteiro. Até iniciativas de grandes fornecedores para módulos habitáveis lunares ainda miram a década de 2030.
E a terceira é o ponto mais sensível: reservas com depósitos altos para um serviço que pode levar anos para existir. A GRU Space apresenta isso como “reserva” para um plano futuro, mas, para o consumidor, é o tipo de anúncio que merece cautela, leitura cuidadosa de termos e muita atenção ao que é promessa versus o que já é capacidade demonstrada.
No fim, a história é um retrato perfeito do momento atual: o turismo espacial virou um sonho comercial. Só que, quando o destino é a Lua, o caminho entre o anúncio e a realidade ainda é enorme.
Uma coisa é certa. Será um destino ótimo para terraplanistas!

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