Se você gosta de arte suja, energética e cheia de linhas, o nome Jonathan Wayshak provavelmente já cruzou seu feed. O artista americano virou referência por um traço carregado de nanquim, com cross hatching denso, monstros “questionáveis” e uma vibe que parece sair direto do encontro entre horror, sci fi e underground comix.
Wayshak não desenha para “ficar bonito”. Ele desenha para incomodar um pouco. E é isso que torna o trabalho dele tão fácil de reconhecer, mesmo quando ele pula de criaturas grotescas para personagens gigantes da Marvel.

“Rabiscos com atitude” e um processo que parece improviso controlado
Uma das marcas do Wayshak é publicar páginas de sketchbook, doodles e comissões que passam a sensação de velocidade. Muita coisa parece nascer no improviso, com foco em gesto, textura e manchas, como se a ideia fosse capturar energia antes de polir qualquer coisa. Essa “pegada de rascunho”, só que com acabamento de quem domina o caos, é parte do charme.
Na bio oficial, ele se descreve como artista e ilustrador baseado em San Jose, na Califórnia. E no perfil do Thinkspace, aparece também a informação de que ele atua como freelancer desde 1996, com trabalhos que vão de desenho a pintura.

Monstros, mutantes e comissões da Marvel
Quem acompanha o artista sabe que ele alterna entre criaturas originais e personagens conhecidos. No próprio site, ele mantém posts e arquivos de arte ligados a temas como Hulk e Arma X, reforçando esse lado “quadrinhos mainstream com sangue nos olhos”.
Ao mesmo tempo, o que mais chama atenção é como ele puxa tudo para o território dele. Mesmo um personagem famoso ganha cara de pesadelo, com musculatura distorcida, sombra pesada e aquela textura de tinta que parece grudar no papel.
Cul De Sac e o lado autoral com clima de pesadelo
No lado de HQs, Wayshak é o artista de Cul De Sac, série publicada pela Bad Idea e escrita por Mike Carey. O primeiro número saiu em agosto de 2025 e o projeto ganhou destaque justamente por combinar história de tensão com uma arte agressiva, cheia de contraste.
O próprio Wayshak também vem mostrando páginas e trechos da série nas redes, o que ajuda a entender como o traço dele funciona em narrativa, não só em ilustração solta.

Heavy Metal e até arte para Fortnite
O estilo dele também conversa bem com antologias e publicações que gostam de exagero visual. A Heavy Metal chegou a divulgar arte do Wayshak em posts oficiais, apontando presença em edições recentes da revista.
E tem um lado menos óbvio: ele também fez trabalho para jogo. Em 2025, ele comemorou no Instagram a chegada de uma arte de loading screen desenhada por ele em Fortnite, mostrando como o traço “grimy” dele consegue funcionar até em vitrine mainstream.
É o tipo de arte que parece resistir à pasteurização. Em uma era em que muita ilustração digital fica lisa demais, Wayshak entrega textura, erro bonito, excesso de linha e uma sensação de perigo visual. Você olha e entende que aquilo foi feito por uma mão, não por um preset.
Para quem curte quadrinhos alternativos, horror e monstros com personalidade, é um prato cheio. E para quem só quer ver “tinta bruta” bem feita, também.












Veja mais desenhos!




