Todo fenômeno cultural cria um multiverso próprio. E um dos “e se” mais famosos do cinema continua sendo o mesmo: Sean Connery quase virou Gandalf em O Senhor dos Anéis, mas recusou. Agora, Peter Jackson voltou ao assunto e deixou claro por que, no fim das contas, ele acha que foi melhor assim.
A história não é nova. Connery foi sondado antes da trilogia começar a ser filmada e, por anos, o motivo da recusa circulou como lenda. A versão mais repetida é simples e até meio engraçada: ele não se conectou com o material. Não entendeu o tom, não “pegou” o espírito da coisa. Esse detalhe já apareceu em relatos antigos atribuídos ao próprio ator e também foi relembrado em matérias mais recentes sobre o tema.
O que mudou agora é o olhar do diretor. Em entrevista ligada ao aniversário de 25 anos de A Sociedade do Anel, Jackson comentou que consegue imaginar um cenário em que Connery não teria a mesma paciência e disposição que Ian McKellen demonstrou no set.
A ideia não é desmerecer Connery como ator, e sim falar de “combinação de projeto”. A trilogia foi longa, pesada, cheia de efeitos, ajustes e cenas complexas. Ter alguém que compra a briga junto e topa o processo inteiro faz diferença.
E é aí que entra McKellen. O Gandalf que a gente conhece tem calor, humor e uma presença quase acolhedora, mesmo quando a situação está desabando. Jackson também brincou com o contraste, sugerindo que McKellen foi mais “parceiro” do que Connery seria, e até soltou uma piada sobre horários e compromissos que poderiam atrapalhar um cronograma tão intenso.
Essa recusa de Connery virou ainda mais curiosa com o tempo porque O Senhor dos Anéis não era um sucesso garantido quando foi planejado. Era caro, ambicioso e “fantasia épica” ainda não tinha o mesmo peso comercial que ganharia depois. Então, no momento da decisão, dizer não talvez parecesse bem menos absurdo do que parece hoje.
Também vale lembrar que a franquia é um cemitério de quase escolhas. Vários nomes grandes passaram perto e seguiram outro caminho, por agenda, por insegurança com o projeto ou simplesmente por não bater com a visão do filme. Isso alimenta o fascínio da trilogia, porque dá a sensação de que ela poderia ter sido um filme completamente diferente com pequenas mudanças de rota.
E enquanto esse assunto volta a circular, a Terra Média também está de olho no futuro. A Warner já tem um próximo filme live action engatilhado. The Lord of the Rings: The Hunt for Gollum está programado para chegar aos cinemas em 17 de dezembro de 2027, com Andy Serkis dirigindo e retornando ao papel, e Peter Jackson envolvido na produção ao lado de Fran Walsh e Philippa Boyens.
No fim, a recusa de Connery virou um daqueles acidentes felizes da cultura pop. Porque, quando você reassiste, fica difícil imaginar Gandalf com outra energia. E talvez essa seja a melhor prova do ponto de Jackson: às vezes, o papel não precisa do maior nome. Precisa do nome certo.
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