Flashcart de Nintendo DS costuma seguir a mesma receita há anos. Coloca um microSD, escolhe um menu, roda seus apps e pronto. O DS Pico, também chamado de DSpico, tenta ir bem além disso. Ele encaixa no slot como um cartucho comum, mas por dentro usa um microcontrolador RP2040 da Raspberry Pi Foundation e foi desenvolvido ao longo de quatro anos pela LNH Team com uma proposta rara nesse nicho: ser totalmente aberto e modular.
Open source de verdade, do PCB ao casco
O projeto não libera só um “firmware” e pronto. A documentação e os repositórios incluem esquemas, software, arquivos de hardware e até designs do casco, stickers e box art. Na prática, isso permite estudar, modificar e até fabricar a placa e a carcaça, se você quiser montar uma unidade por conta própria ou adaptar o projeto.
Segundo a própria LNH Team, o firmware do DSpico chega a cerca de 6 MB/s de leitura no microSD, um número alto para o padrão de flashcarts do DS, e ainda mantém o consumo médio em torno de 57 mW, o que ajuda a preservar a bateria em sessões longas.
Ele também traz porta USB, usada para atualização de firmware e, dependendo do que você estiver rodando, pode abrir espaço para recursos extras e experiências via homebrew.

Compatibilidade ampla e com foco em DSi mode
Aqui está um dos pontos que mais chamam atenção. O DSpico foi pensado para funcionar no Nintendo DS e no Nintendo DSi, mas também pode ser usado em um Nintendo 3DS rodando em modo DSi. A ideia é oferecer uma base mais completa para jogos e homebrew, incluindo suporte a títulos com recursos “DSi enhanced” quando o console permite.
A equipe também menciona suporte a WRFUxxed, um exploit que permite usar recursos de DSi mode em consoles não modificados, além de compatibilidade com ntrboot.
Ao iniciar o cartucho, você pode usar o Pico Launcher, um menu próprio do projeto, feito para navegação rápida e visual limpo. Por baixo, o trabalho pesado fica com o Pico Loader, que é o carregador de ROMs e homebrew do ecossistema DSpico.
E se você já usa outros menus famosos, também dá para seguir por esse caminho. O DSpico pode trabalhar com alternativas como o TWiLight Menu++, que é bastante popular na cena de homebrew do DS.
Um flashcart que também vira plataforma de experimentos
Além do básico de rodar jogos e apps, o DSpico inclui uma porta de desenvolvimento com GPIO, incentivando acessórios e expansões. A própria comunidade costuma citar ideias como módulos adicionais e usos diferentes do USB, indo além do “só carregar game”.
O DSpico não é apenas mais um cartucho para microSD. Ele tenta “modernizar” o conceito de flashcart com uma base aberta, documentação pública e espaço para evolução comunitária. Isso faz diferença porque, quando um produto é fechado, ele pode simplesmente parar no tempo quando o fabricante perde interesse. No open source, a continuidade tende a ser maior, especialmente quando o projeto já nasce dividido em componentes bem definidos.
Só vale o lembrete padrão: flashcarts também são usados de formas indevidas. A parte legal da coisa é rodar homebrew e backups legítimos do que você possui. Dentro desse uso, o DS Pico se destaca como uma das propostas mais ambiciosas que o Nintendo DS já viu nos últimos anos.
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