A ligação entre Sam Raimi e Stephen King é uma daquelas histórias de bastidor que parecem lenda, mas ajudaram de verdade a mudar o rumo do terror no cinema. Raimi nunca dirigiu uma adaptação de King, mas sempre fez questão de lembrar que o escritor foi uma peça decisiva para o começo da sua carreira, quando The Evil Dead ainda era visto como “exagerado demais” para muita gente do mercado.
O assunto voltou à tona agora porque Raimi está divulgando seu novo filme, Send Help, lançado nos cinemas dos EUA em 30 de janeiro de 2026.
Quando ninguém queria comprar o filme, King apareceu no momento certo
Em entrevista recente, Raimi contou que, no começo dos anos 80, ele e seus parceiros estavam tentando vender o filme no mercado de Cannes em uma época em que o terror mais gráfico assustava distribuidores. Segundo ele, praticamente “ninguém tocava” no longa. Até que King assistiu a uma sessão e gostou muito do que viu.
A partir daí, veio o empurrão que faz diferença quando um nome grande resolve recomendar algo por gosto puro. King publicou um elogio na revista Twilight Zone, e a frase acabou virando munição de marketing e de prestígio para um filme independente que precisava ser levado a sério.
O elogio mais lembrado é direto e pesado para qualquer diretor estreante: King disse que ainda era cedo para chamar Raimi de gênio, mas que ele tinha feito “o filme de terror mais ferozmente original de 1982”, sem dúvida.

A reação em cadeia: atenção, negociação e distribuição
Esse tipo de endosso não só atrai curiosos, como também destrava conversa com compradores. E foi aí que as coisas começaram a andar. O próprio histórico do filme costuma apontar que a repercussão do texto ajudou a abrir portas e, depois, a New Line Cinema acabou adquirindo os direitos de distribuição nos EUA.
Hoje, isso parece inevitável, porque The Evil Dead virou clássico e referência. Mas, naquele período, a aposta era arriscada e o projeto não tinha cara de “produto seguro”. O tipo de filme que precisava de alguém influente dizendo: isso aqui vale seu tempo.
Curiosidade: Raimi já apareceu em adaptações de Stephen King
Mesmo sem comandar uma adaptação como diretor, Raimi tem uma história curiosa com esse universo. Ele aparece como ator em duas minisséries baseadas em King: The Stand e The Shining.
O ponto mais legal aqui é o que ela mostra sobre “cadeia de influência” antes da era de recomendação infinita em rede social. King já tinha peso suficiente para mudar a percepção de um projeto só por falar bem, e Raimi ainda trata isso como um divisor de águas.
No fim, é um lembrete simples: às vezes um clássico não nasce clássico. Ele só precisa sobreviver ao momento certo, com a pessoa certa assistindo na hora certa.
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