Um dos jogos mais pesados da atualidade acabou de passar por uma experiência extrema. Modders conseguiram reduzir o tamanho de GTA 5 de cerca de 120 GB para apenas 2,5 GB. O resultado é curioso, estranho e até um pouco assustador. Mesmo assim, o jogo ainda funciona.
O projeto surgiu como um experimento técnico e também como um protesto silencioso contra o tamanho cada vez maior dos jogos modernos. Hoje, manter vários títulos AAA instalados virou um desafio, principalmente com o aumento no preço de SSDs e a corrida por armazenamento causada por data centers de inteligência artificial.
O que ainda funciona nesse GTA 5 ultraleve
Apesar dos cortes agressivos, muita coisa básica continua ali. É possível dirigir pelas ruas de Los Santos, trocar tiros, explodir coisas, pular de paraquedas e até pilotar aviões. Helicópteros ainda decolam e pairam no ar. O combate segue ativo, com tiros acertando alvos e explosões acontecendo quando deveriam.
Os carros, curiosamente, ainda se comportam de forma razoável. Dá para subir em calçadas, desviar do trânsito e acelerar sem grandes surpresas. O centro da cidade carrega rápido, sem engasgos longos ou telas de loading demoradas.
O maior problema aparece nas curvas mais fechadas. A taxa de quadros é muito baixa, às vezes em dígitos simples. Isso faz o controle responder com atraso. Uma virada brusca pode acabar em desastre sem aviso.

Os sacrifícios foram enormes
Para chegar aos 2,5 GB, os modders não economizaram nos cortes. A maioria das missões foi removida. O modo história praticamente deixou de existir. Grande parte dos arquivos de áudio também foi apagada. Em muitos momentos, dirigir pela cidade lembra um filme mudo, com silêncio quase total e apenas alguns ruídos ocasionais de motor ou pneus.
O mapa sofreu ainda mais. Regiões inteiras desapareceram. Em vários pontos, o chão virou uma superfície cinza e plana que pisca enquanto o jogador se movimenta. Texturas detalhadas deram lugar a polígonos simples. Árvores são apenas manchas verdes. Casas atravessam umas às outras sem qualquer lógica.
Os personagens também perderam identidade. O protagonista parece um boneco roxo, sem detalhes, com braços curtos e animações quebradas. NPCs se movem de forma estranha, com membros tremendo ou atravessando o próprio corpo.
Andar a pé e voar deixam tudo ainda mais estranho
Explorar o mapa a pé revela problemas ainda mais evidentes. Degraus das calçadas fazem o personagem tropeçar. Algumas animações travam no meio do movimento. Há momentos em que o personagem pula e simplesmente fica suspenso no ar por alguns segundos.
No ar, a experiência fica quase surreal. Blaine County vira um conjunto de colinas vazias. Vinewood aparece como um morro quase sem construções. O oceano simplesmente para na borda do mapa, como se não existisse além dali. Pousar aviões é sempre um risco, já que a pista pode desaparecer ou ser atravessada pelo avião.
Campos de golfe viram áreas irregulares sem forma definida. Quadras de tênis são apenas um retângulo verde, sem rede, sem marcações claras.

Por que alguém faria isso
A motivação principal não foi diversão. Foi espaço. Com jogos como GTA 5, Call of Duty e Cyberpunk 2077 ultrapassando facilmente a casa dos 100 GB, muitos jogadores precisam escolher o que manter instalado. Um único GTA 5 pode ocupar cerca de um décimo de um HD de 1 TB.
Esse “demake” não é uma versão recomendada para jogar de verdade. Ele funciona mais como uma prova de conceito. Mostra o quanto de um jogo AAA moderno é ocupado por texturas, áudios, mapas e detalhes visuais. O núcleo do gameplay, no fim das contas, ocupa uma fração mínima desse espaço.
Um experimento que levanta debates
O mod não tem lançamento oficial nem link público para download. Ele foi apresentado em vídeo pelo criador de conteúdo Synth Potato e rapidamente chamou atenção nas redes sociais.
Mesmo cheio de limitações, o projeto reacende uma discussão importante. Será que jogos do futuro poderiam oferecer downloads modulares. Gráficos em alta resolução como opcional. Idiomas separados. Mapas por demanda.
Esse GTA 5 de 2,5 GB não é bonito. Não é confortável. Mas prova que, tecnicamente, jogos gigantes podem ser muito menores do que parecem.
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