A fotografia analógica vive um novo fôlego. E não é só nostalgia. Projetos independentes, impressoras 3D e a vontade de experimentar estão mudando o jogo. Um dos exemplos mais interessantes desse movimento é a Infidex 176 V, uma câmera panorâmica de filme criada do zero e totalmente imprimível em 3D.
Por trás da ideia está Denis Aminev, fotógrafo russo que buscava algo que o digital não entregava. Ele queria o impacto visual do cinema rodado em película. Principalmente o formato ultra‑wide, que prende o olhar logo no primeiro segundo.
Da frustração digital à câmera feita em casa
Aminev tentou caminhos comuns. Lentes anamórficas. Adaptadores. Cortes no enquadramento. Nada disso resolveu. A solução foi mais radical. Construir a própria câmera.
Em 2024, ele começou de forma simples, com câmeras pinhole. O resultado surpreendeu. Mesmo com ferramentas básicas, as imagens tinham caráter e presença. A partir daí, o projeto cresceu rápido.
Ele passou a desmontar câmeras antigas e substituir peças por componentes impressos em 3D. Em poucos meses, surgiu um protótipo funcional. Em agosto do mesmo ano, as versões quatro e cinco já estavam prontas. A Infidex 176 V nascia ali, com o projeto amadurecido.

O que torna a Infidex 176 V diferente
O nome é uma junção de infinity e double exposure. Não é por acaso. A câmera permite foco infinito e também brinca com exposições duplas, se o fotógrafo quiser arriscar.
Tudo foi pensado para ser acessível. As peças podem ser impressas em qualquer impressora 3D do tipo FDM, usando PLA ou material similar. Depois de imprimir, o processo é direto. Lixar, colar, adicionar alguns parafusos, molas, insertos de latão e dobradiças. Sem equipamentos caros ou industriais.
O filme usado é o clássico 35mm, ainda fácil de encontrar. Um rolo padrão de 36 poses rende cerca de 19 fotos panorâmicas no formato 72 x 24 mm. É um enquadramento extremo, com proporção próxima de 3:1. Algo raro mesmo entre câmeras panorâmicas tradicionais.

Lentes intercambiáveis e foco manual simples
Outro ponto forte é a flexibilidade. A Infidex aceita diferentes lentes. A mais comum é a 80mm f/2.8 da Mamiya C330, mas o projeto já funcionou com componentes de outras câmeras, como a Lomo Lubitel.
O foco é manual, feito girando o conjunto da lente em um helicoide. Simples e eficiente. Dá para fotografar desde paisagens abertas até cenas mais próximas, sem mistério.
Aminev também resolveu um problema clássico das câmeras artesanais. A entrada indesejada de luz. O projeto inclui soluções inteligentes de vedação que evitam vazamentos e preservam o contraste das imagens.

Resultados que surpreendem até os céticos
O fotógrafo Jace LeRoy foi um dos primeiros a montar a câmera após conhecer o projeto online. A expectativa era moderada. Mas os resultados falaram mais alto.
Os negativos saíram nítidos, bem definidos e com aquele visual cinematográfico que Aminev buscava desde o início. Jace testou vários filmes, como Kodak Gold 200, Portra 160, CineStill 800T e Kentmere 400. O desempenho se manteve consistente.
Algumas lentes podem gerar vinhetas, especialmente nas bordas. Ainda assim, o impacto visual compensa. Para muitos, isso faz parte do charme.

Um projeto aberto que conversa com o futuro
A Infidex 176 V é open source. Os arquivos estão disponíveis para quem quiser imprimir, montar e até modificar a câmera. Isso criou uma pequena comunidade em torno do projeto, com fotógrafos compartilhando ajustes, fotos e novas ideias.
Em um momento em que a fotografia digital busca cada vez mais perfeição, projetos como esse seguem o caminho oposto. Eles valorizam o processo, o erro e a experimentação.
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