Durante anos, o streaming de anime ficou praticamente dividido entre Netflix e Crunchyroll. Agora, esse cenário começa a mudar. A Prime Video, da Amazon, deixou claro que quer disputar esse espaço de forma agressiva e global. E os títulos anunciados mostram que isso não é só discurso de marketing.
Segundo informações reveladas ao Deadline, o vice‑presidente da Prime Video para APAC e ANZ, Gaurav Gandhi, afirmou que o objetivo da plataforma é se tornar o “destino preferido para anime no mundo”.
Clássicos gigantes puxam a nova fase do Prime Video
Durante o evento Prime Video Presents: International Originals, Gandhi destacou três projetos que lideram essa nova ofensiva:
O remake de Fist of the North Star (Hokuto no Ken), produzido pela TMS Entertainment, marca os 40 anos do mangá e terá exibição mundial exclusiva no Prime Video.
O novo anime de Ghost in the Shell, produzido pelo estúdio Science SARU, chega em 2026 com uma abordagem mais próxima do mangá original de Masamune Shirow.
A segunda temporada de From Old Country Bumpkin to Master Swordsman, que já figurou no Top 10 da plataforma em mais de 45 países.
Esses anúncios colocam a Prime Video diretamente na briga por franquias históricas do anime.

O catálogo vai além dos grandes anúncios
Engana‑se quem acha que o investimento para por aí. A Prime Video também abriga exclusividades importantes no Ocidente, como:
City the Animation, indicado a Anime do Ano em 2025.
O retorno de Panty & Stocking With Garterbelt, um dos títulos mais cult da animação japonesa.
A antologia Tatsuki Fujimoto: 17‑26, que adapta os primeiros mangás do criador de Chainsaw Man.
Além disso, dois pesos‑pesados do gênero mecha já são exclusivos da plataforma: Rebuild of Evangelion e Mobile Suit Gundam GQuuuuuuX, ambos associados ao legado criativo de Hideaki Anno.
Ainda longe de bater Netflix e Crunchyroll
Apesar do crescimento rápido, a Prime Video ainda não é uma plataforma definitiva para fãs de anime. Netflix e Crunchyroll continuam liderando com catálogos muito mais amplos e acordos exclusivos com algumas das maiores franquias do momento.
Séries como Jujutsu Kaisen, Demon Slayer, Solo Leveling e várias produções sazonais continuam concentradas nesses serviços. Para alcançar esse volume, a Prime Video precisaria de anos de investimento contínuo.
O problema dos dubladores e a reação dos fãs
Outro ponto sensível é a forma como a Amazon vem lidando com dublagens. A introdução de dublagens geradas por IA em alguns projetos causou forte rejeição de fãs e profissionais da área. O tema virou debate dentro da indústria e colocou a Prime Video em posição delicada quando o assunto é confiança do público otaku.
Esse detalhe pode pesar contra a plataforma, mesmo com um catálogo cada vez mais forte.
Dinheiro nunca foi o problema da Amazon
Por outro lado, a Prime Video conta com algo que poucos concorrentes têm. O poder financeiro da Amazon. A empresa já mostrou em outras áreas que está disposta a investir pesado quando decide dominar um mercado.
Se o ritmo de aquisições e produções exclusivas continuar, a Prime Video pode não substituir Netflix ou Crunchyroll tão cedo. Mas já é clara como a maior ameaça real ao duopólio do anime no streaming.
Para os fãs, isso significa mais concorrência, mais opções e possivelmente melhores produções no futuro. A guerra do anime no streaming acabou de ficar muito mais interessante.
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