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Os Pequenos Homens Livres, de Terry Pratchett, traz a magia do Discworld para uma nova geração

A Galera Junior trouxe uma novidade que vai fazer o coração dos fãs de fantasia bater mais forte, especialmente aqueles que, assim como eu, sentiam um vazio imenso nas prateleiras brasileiras quando o assunto era o vasto e hilário universo criado por Terry Pratchett. O selo do Grupo Editorial Record lançou no Brasil “Os pequenos homens livres“, uma obra que chega em uma nova edição e promete ser a porta de entrada definitiva para uma nova geração de leitores do Discworld, além de um prato cheio para os veteranos que ansiavam por mais histórias do mestre. Estamos falando do início da aclamada série Tiffany Dolorida, uma saga secundária dentro do universo criado por Terry Pratchett que, embora protagonizada por uma jovem bruxa em formação, carrega toda a profundidade filosófica e o humor ácido que consagraram o autor como uma das maiores mentes da literatura do século XX.

Os Pequenos Homens Livres Terry Pratchett

A trama nos apresenta Tiffany Dolorida, uma protagonista que foge completamente dos estereótipos de personagem escolhida que estamos acostumados a ver na literatura fantástica. Ela vive no Giz, uma região de terras calcárias onde o solo é macio e as tradições são duras, e decide que será uma bruxa não porque o destino mandou, mas porque é um ofício que exige responsabilidade e alguém precisa fazer com que ele aconteça. A genialidade de Pratchett brilha logo na premissa, quando seu irmão caçula é sequestrado pela malévola Rainha das Fadas, fazendo com que Tiffany não hesite em procurar por ele. Munida de uma frigideira de ferro fundido, porque espadas são difíceis de encontrar em uma fazenda, e com o seu bom senso, que no universo de Pratchett é muitas vezes mais poderoso que qualquer bola de fogo, ela parte em uma jornada de resgate que desafia a lógica dos contos de fadas tradicionais.

Os Pequenos Homens Livres Terry Pratchett

No entanto, Tiffany não está sozinha nessa empreitada contra um reino em que os sonhos e a realidade se confundem de forma perigosa. É aqui que entram as verdadeiras estrelas cômicas do livro, com os Nac Mac Feegle, ou “Os Pequenos Homens Livres”, que dão nome ao livro. Imaginem uma mistura de fadas, duendes e guerreiros escoceses em miniatura, com a pele azulada por tatuagens, cabelos ruivos desgrenhados e uma propensão incontrolável para beber, brigar e roubar tudo o que não estiver pregado no chão, e até o que estiver, caso eles tenham tempo para isso. Eles são a antítese dos elfos nobres e etéreos criados por Tolkien, numa tentativa de subverter sua referência, como seres barulhentos, leais à sua maneira e absolutamente hilários. A dinâmica entre a pragmática Tiffany e o caos encarnado dos Feegles cria o equilíbrio perfeito para sustentar a narrativa, misturando momentos de genuína tensão com gargalhadas altas.

Os Pequenos Homens Livres Terry Pratchett

O lançamento de “Os pequenos homens livres” pela Galera Junior complementa de forma brilhante o catálogo da editora com uma obra escrita por Pratchett pensando no público jovem, mas sem nunca subestimar a inteligência do leitor. A série de Tiffany Dolorida mergulha no folclore britânico, na mitologia das fadas e no conceito de responsabilidade pessoal, abrindo caminho para “Um Chapéu Cheio de Céu“, o segundo livro dessa série e que permite que o leitor entenda a versatilidade do Discworld, mundo plano criado pelo autor e que é sustentado por quatro elefantes em cima de uma tartaruga gigante, como um espelho distorcido e satírico da nossa própria realidade.

Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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