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Tubarão misterioso é filmado pela primeira vez nas águas geladas da Antártica e surpreende cientistas

Um encontro inesperado nas profundezas quase congeladas do oceano Antártico deixou cientistas fascinados e reforçou o quanto ainda sabemos pouco sobre os mares do nosso próprio planeta. Pela primeira vez, um tubarão foi registrado em vídeo nas águas próximas ao continente gelado, um avistamento raro que os pesquisadores classificaram como um verdadeiro espetáculo da natureza.

O registro aconteceu durante uma expedição conduzida pelo Minderoo-UWA Deep-Sea Research Centre em parceria com a Inkfish Expeditions. A equipe posicionou câmeras e iscas no fundo do mar próximo às Ilhas Shetland do Sul, cerca de 120 quilômetros ao norte da Península Antártica, com o objetivo de documentar a biodiversidade local. Após recuperar os equipamentos e analisar as imagens, os cientistas foram surpreendidos pela aparição silenciosa de um grande tubarão passando lentamente diante da câmera nas águas escuras e geladas.

Segundo o professor Alan Jamieson, diretor do centro de pesquisa, o momento foi inesquecível. A missão buscava registrar desde pequenos crustáceos até peixes da região, mas a aparição inesperada de um tubarão de grande porte transformou a experiência em algo extraordinário e reforçou o fascínio que o oceano profundo ainda exerce sobre a ciência.

Pelo comportamento lento e pelo corpo robusto, os pesquisadores identificaram o animal como pertencente à família Somniosidae, conhecida popularmente como tubarões-dorminhocos. Esses predadores vivem em águas profundas e frias e são famosos por sua longevidade e ritmo de vida extremamente lento. Espécies como o tubarão-da-Groenlândia habitam o Ártico, enquanto o tubarão-dorminhoco-do-sul é associado a regiões mais frias do hemisfério sul. Até agora, porém, não havia evidências de que esses animais se aventurassem tão ao sul.

A equipe acredita que o exemplar filmado seja um tubarão-dorminhoco-do-sul (Somniosus antarcticus), embora a taxonomia do grupo ainda gere debates científicos. Há incertezas sobre a distinção entre espécies dentro do gênero e muitos dados históricos são antigos, o que reforça a necessidade de análises genéticas modernas para esclarecer a classificação.

O avistamento também chama atenção porque a fauna antártica costuma apresentar adaptações extremas ao frio, como proteínas “anticongelantes” no sangue. O tubarão foi observado a cerca de 490 metros de profundidade, onde a temperatura da água gira em torno de 2 °C, uma camada relativamente mais quente que pode funcionar como corredor natural para esses animais explorarem regiões mais austrais.

Embora raro, o encontro não significa necessariamente que o tubarão estivesse perdido ou explorando territórios desconhecidos. Os cientistas acreditam que esses predadores possam frequentar a região com mais frequência do que se imagina, mas sua baixa densidade populacional e a dificuldade de pesquisa em ambientes extremos tornam os registros extremamente incomuns.

Após cerca de 400 horas de filmagens subaquáticas, apenas um indivíduo foi observado, reforçando o caráter esquivo da espécie e a vastidão ainda inexplorada do oceano profundo. O registro representa não apenas uma descoberta surpreendente, mas também um lembrete poderoso de que os mistérios do fundo do mar continuam longe de serem totalmente compreendidos.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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