Finalmente a oportunidade definitiva para a nova geração ter contato com os jogos mais icônicos da história do gênero de ação cooperativos e competitivos. Super Bomberman Collection chega como uma espécie de cápsula do tempo bem polida, desenvolvida pela Red Art Games e publicada pela Konami, trazendo de volta a franquia Bomberman com um carinho e atenção quase arqueológica para o legado que esses títulos clássicos merecem.
A coleção reúne nada menos que sete jogos em 12 versões, lançadas no Japão, Europa e Estados Unidos, incluindo as inéditas localizações para o ocidente de Super Bomberman 4 e 5. Para quem acompanhou a série nos anos 1990, especialmente nos consoles da Nintendo, isso é muito mais que um remaster ou apenas uma simples coletânea por oferecer muito conteúdo e um resgate histórico importantíssimo.
Anos bombásticos de muitos labirintos
A série nasceu no final dos anos 1980 com Bomberman, para Famicom (NES), num jogo de fases com vista top-down em que um pequeno robô usa bombas como arma de defesa e ataque, com a missão de desbravar labirintos sempre sob ameaça de ser cercado e explodido. O sucesso foi tão grande que, em 1993, a Hudson Soft lançou Super Bomberman, elevando o conceito a um nível de produção muito mais refinado, com gráficos coloridos, inimigos mais carismáticos e, principalmente, a consolidação do modo multiplayer local, que virou referência de festa de console.

A partir desse ponto, a sequência tomou fôlego com Super Bomberman 2 e 3, ampliando o número de chefes, aprofundando a mecânica e transformando as partidas em verdadeiros duelos de estratégia entre amigos reunidos na frente da TV. Embora a série tenha passado por diferentes fases, com sucessos e experimentações menos acertadas nas gerações seguintes, a imagem de Bomberman ainda evoca, para muitos jogadores, aqueles dias de rodízio de controles, risadas altas e explosões em sequência.
As mecânicas centrais da franquia permanecem praticamente intocadas nesta coleção, em que você controla o Bomberman, um pequeno robô que planta bombas em um mapa fechado, com paredes destrutíveis e blocos fixos, e que precisa usar o tempo, o espaço e o posicionamento como principais armas. O objetivo nos jogos possui suas variações, mas basicamente se concentra em sobreviver, desbravar fases, destruir inimigos, coletar power-ups, e, eventualmente, derrotar um chefe ao final de cada mundinho após atravessar pelo menos quatro cenários.

As dezenas de power-ups, como aumentar o número de bombas que o personagem pode plantar ao mesmo tempo, aumentar o alcance do raio da explosão ou ganhar mobilidade especial, com patins ou atravessar paredes, são fundamentais para a evolução do jogo ao longo da franquia. Isso sem contar a adição das montarias que surgem a partir do terceiro jogo e permitem habilidades extras aos personagens, aumentando muito o nível estratégico e competitivo dos jogos.
Plantar bomba também é arte
A cada nova fase, o padrão de inimigos e do labirinto se torna mais complexo, exigindo uma combinação de reação rápida e leitura de mapa. Ainda hoje, independentemente da plataforma, jogar Bomberman é uma experiência muito próxima de um quebra‑cabeça em tempo real, em que você precisa pensar em cadeias de explosões, em corredores que funcionam como labirinto e até em ciladas intencionais, porém basta uma bomba mal posicionada para transformar se transformar em sua própria derrota.

A grande sacada da Super Bomberman Collection é, justamente, levar essa base de gameplay clássica para um contexto moderno, sem corromper a essência que fez a franquia famosa. Em vez de modernizar demais os controles ou acrescentar elementos que desequilibram a proposta original, o trabalho da Red Art Games parece priorizar fidelidade histórica com um conforto técnico inegável. A coleção inclui, por exemplo, o modo Boss Rush, para colocar o jogador numa sequência sucessiva de chefes para cada um dos cinco jogos em um desafio cronometrado.
Esse modo funciona tanto como treino de habilidade quanto uma espécie de arcade dentro de um jogo com um “quê” de arcade, elevando o nível de dificuldade e exigindo muita memorização de padrões de movimento dos chefes, além de controle no tempo de explosão das bombas. Outra novidade com foco no público mais jovem é a possibilidade de salvar e carregar o jogo a qualquer momento, o que é um luxo considerável para quem não tem tempo de terminar um jogo inteiro em uma única sessão. A função de rebobinar também aparece como um diferencial, permitindo que o jogador volte alguns segundos sempre que cometer um erro crítico.

Super Bomberman Collection mantém a direção de arte e trilha sonora para esta coletânea como elementos que sustentam a nostalgia sem entregar uma experiência datada. Visualmente, os jogos mantêm o estilo pixelado original, fiel ao que se via nos consoles de 8 e 16 bits, além de filtros de tela ajustáveis, que permitem ao jogador escolher entre uma imagem mais nítida e moderna ou algo mais parecido com a aparência de CRT antigo.
Pixel, trilha e muita nostalgia
As músicas e efeitos sonoros são os pontos altos desse resgate nostálgico, pois cada jogo da coleção traz de volta as trilhas clássicas, com músicas cheias de energia, ritmo acelerado e melodias que grudam na cabeça. A inclusão da Rádio BOMB permite ouvir as trilhas sonoras de cada título em modo livre, com a possibilidade de criar playlists pelas trilhas preferidas, num convite para quem gosta de apreciar jogos também como experiência musical, além de um recurso extra para estudo de design sonoro em cultura pop digital.

Para quem acompanha essa trajetória da franquia, Super Bomberman Collection é um dos lançamentos mais impactantes de 2026, pois consegue ser um resgate cuidadoso dessa série amada por muitos, além de abrir uma importante janela de acesso para novas gerações de jogadores que talvez nunca tenham tocado em um Super Nintendo, mas que conseguem experimentar o clássico jogo de batalha em grupo com todos os confortos modernos.
Essa coleção não tenta reinventar as fórmulas já estabelecidas e não acrescenta crossover desnecessário, muito menos se preocupa em transformar Bomberman em um jogo online infinito de conteúdos eternos, que talvez desagrade boa parte dos jogadores que não conseguem jogar o cooperativo e competitivo local. Talvez um sacrifício para respeitar a proposta original, mas que pode ser a crítica de muitos que dependem da jogatina online para alcançar essa opção multiplayer, mas que também vai contra a proposta original da franquia.

A Konami se preocupou em oferecer um jogo que funciona muito mais como um álbum de memórias bem organizado, com muito conteúdo informativo, numa biblioteca visual inédita e impecável, com páginas, artes, manuais e box art, além dos modos de jogo capazes de deixarem o jogador engajado por muitas horas, repetindo estágios, tentando novas combinações de poderes e desafiando chefes carismáticos.
Mais do que um simples “bundle com jogos clássicos”, Super Bomberman Collection é um convite para redescobrir a arte de destruir labirintos com bombas, em um tempo em que mecânicas simples, quando bem executadas, ainda conseguem oferecer experiências divertidas, profundas e que conectam as pessoas.
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Nota final: 5/5
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