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Roblox: defensora parental nega problemas e responsabiliza pais por segurança das crianças

A plataforma Roblox voltou ao centro das controvérsias nos Estados Unidos em meio a processos judiciais e críticas crescentes sobre a proteção de menores. Em meio a esse cenário turbulento, a empresa anunciou a contratação da especialista em segurança infantil Elizabeth Milovidov como nova defensora parental. A escolha parecia indicar uma tentativa de responder às preocupações públicas, mas uma entrevista recente acabou gerando ainda mais questionamentos sobre o compromisso da companhia com o tema.

Nos últimos anos, o Roblox tem sido alvo de ações legais movidas por estados e famílias que acusam a plataforma de não oferecer salvaguardas adequadas contra predadores e conteúdos impróprios. O serviço reúne mais de 140 milhões de usuários no mundo, sendo cerca de 73% menores de 18 anos. Apesar de os casos relatados não configurarem uma epidemia, eles são graves e levantam dúvidas sobre a eficácia das medidas de proteção adotadas pela empresa.

Após quase duas décadas de operação, o Roblox passou a implementar ferramentas de verificação etária e controles parentais mais robustos. Agora, alguns recursos exigem confirmação de idade e contas de usuários com menos de 13 anos podem ser vinculadas às dos responsáveis. Ainda assim, especialistas consideram as medidas insuficientes. Crianças continuam podendo criar contas em poucos minutos, sem e-mail ou telefone, e os mecanismos disponíveis podem ser facilmente burlados. Para usuários acima de 13 anos, praticamente não há restrições.

Nesse contexto, a chegada de Milovidov foi vista inicialmente como um passo positivo. Doutora com pesquisas sobre a mercantilização infantil no ambiente digital e experiência como consultora de segurança online, ela parecia representar o reconhecimento de que havia um problema sério a enfrentar. No entanto, a percepção mudou após uma entrevista em que suas respostas demonstraram desconhecimento sobre as críticas à plataforma e até minimização de casos documentados de abuso.

Durante a conversa, a especialista afirmou ouvir de alguns pais que os temores seriam exagerados e que aqueles que jogam com os filhos não percebem riscos reais. Questionada sobre episódios comprovados, ela argumentou que a internet, por natureza, expõe crianças a perigos e que o foco deveria estar no estabelecimento de limites e diálogo familiar, comparando o problema a situações de bullying em diferentes ferramentas digitais.

A entrevistadora insistiu em saber se os problemas relatados eram reais, e Milovidov evitou responder diretamente, reiterando que a solução passa pelo envolvimento dos pais na experiência online dos filhos. Em vários momentos, ela defendeu que responsáveis acompanhem as atividades das crianças no jogo como principal medida de proteção, mesmo diante de questionamentos sobre falhas estruturais da própria plataforma.

Quando confrontada com casos de sequestro envolvendo crianças que tiveram contato inicial com criminosos no Roblox, a especialista destacou que as vítimas posteriormente migraram para outras plataformas, sugerindo que os riscos não se limitam ao jogo. A resposta foi vista como tentativa de relativizar a responsabilidade da empresa.

Outro ponto que gerou surpresa foi a admissão de que ela não se considera uma especialista técnica, apesar de ocupar um cargo voltado à segurança digital. Ao comentar os sistemas de moderação, afirmou que as ferramentas conseguem barrar muitos casos problemáticos e que isso a tranquiliza, ainda que incidentes graves continuem sendo relatados.

Ao final da entrevista, questionada sobre como definir sucesso em sua função, Milovidov não apresentou metas claras. Ela voltou a mencionar a criação de um conselho de pais e iniciativas de alfabetização digital, sugerindo ações educativas e campanhas de conscientização, mas sem detalhar estratégias concretas ou prazos.

A repercussão negativa reacendeu críticas à postura do Roblox, que vem sendo acusado de minimizar riscos enquanto transfere parte da responsabilidade aos responsáveis. Para muitos observadores, mais do que reconhecer falhas, o público espera ver medidas firmes e liderança preparada para lidar com os desafios de segurança infantil em um ambiente virtual frequentado por milhões de jovens.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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