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Astronautas chineses colhem tomates no espaço e avançam na agricultura orbital

A estação espacial chinesa Tiangong voltou a chamar atenção ao mostrar que é possível cultivar alimentos frescos fora da Terra. Astronautas a bordo do laboratório orbital colheram uma safra considerada abundante de tomates cultivados em microgravidade, marcando mais um passo importante nos experimentos de agricultura espacial da China.

Embora seja menor que a Estação Espacial Internacional, a Tiangong oferece uma estrutura robusta para pesquisa. O complexo em formato de T conta com três módulos, dois laboratórios científicos e capacidade para até seis taikonautas. Em breve, a estação ainda deve receber um telescópio espacial de grande porte, ampliando seu papel científico em órbita baixa.

Os tomates foram cultivados em um sistema aeropônico desenvolvido especificamente para o ambiente espacial. Em vez de solo, as raízes das plantas recebem uma névoa de água com nutrientes, o que reduz drasticamente o consumo de recursos. Imagens divulgadas mostram videiras carregadas de pequenos tomates vermelhos e amarelos, iluminadas por painéis de LED de espectro completo, com as raízes visíveis através de janelas de inspeção.

Segundo a imprensa estatal chinesa, a colheita foi registrada e os frutos foram separados e armazenados para análise. O experimento faz parte de um esforço maior para entender como plantas se desenvolvem no espaço e como esses sistemas podem ser usados em missões de longa duração, especialmente em viagens para a Lua ou Marte.

Os tomates são apenas o começo. A equipe já planeja testar o cultivo de trigo, cenouras e até plantas medicinais comestíveis. A ideia é ampliar o leque de alimentos que podem ser produzidos em órbita e validar tecnologias de suporte à vida baseadas em sistemas bioregenerativos.

A Tiangong já teve sucesso com outras culturas. Alfaces cultivadas no espaço e até cebolinhas fazem parte de experimentos anteriores, mostrando que o cultivo contínuo de vegetais em microgravidade é viável. Esses resultados se somam a pesquisas semelhantes realizadas há anos na Estação Espacial Internacional.

A NASA, por exemplo, estuda tomates cultivados na ISS para observar como plantas se adaptam geneticamente às condições espaciais. Em 2023, um episódio curioso chamou atenção quando um tomate “desaparecido” foi encontrado meses depois, inocentando o astronauta Frank Rubio, que havia sido brincando acusado de tê-lo comido.

Além do valor nutricional, há benefícios menos óbvios. A própria NASA já destacou que cuidar de plantas no espaço ajuda no bem-estar psicológico dos astronautas, melhora o humor e aumenta a qualidade de vida durante missões longas.

Com a colheita de tomates na Tiangong, a China reforça sua ambição de dominar tecnologias essenciais para a exploração do espaço profundo. O que hoje parece um simples “jardim orbital” pode, no futuro, ser a base da alimentação de humanos em viagens cada vez mais distantes da Terra.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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