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a nova corrida da Bungie pelo futuro dos shooters

Há um certo senso de destino em ver a Bungie revisitar o nome Marathon. O estúdio, que no passado ajudou a definir o gênero de tiro em primeira pessoa, retorna a um universo que, embora soe familiar, surgiu completamente redesenhado para os tempos atuais.

Com o novo Marathon, a Bungie tenta unir tradição e modernidade, entregando uma experiência que honra suas origens, mas também reflete a constante transformação do cenário multiplayer. Lançado para PlayStation 5, Xbox Series e PC, o jogo chega como um dos títulos mais ambiciosos da companhia desde Destiny 2, agora buscando conquistar um público que vive imerso na adrenalina dos combates competitivos.

Imersão sombria de Tau Ceti IV

Na pele de um Corredor, o jogador é lançado em uma colônia distante, o planeta Tau Ceti IV, uma paisagem hostil e misteriosa que esconde os rastros de uma expedição desaparecida há um século. A missão é explorar ruínas, invadir instalações esquecidas e coletar artefatos que possam revelar o que realmente ocorreu naquele lugar. Marathon não entrega sua história de maneira direta e a narrativa acontece nas entrelinhas, nas ruínas corroídas, nas mensagens de rádio interceptadas e nas sombras que sussurram sobre uma catástrofe esquecida. É o tipo de construção narrativa que recompensa o olhar atento, típica da Bungie, que prefere provocar a curiosidade em vez de entregar respostas prontas.

Marathon

O enredo não quer ser um pano de fundo; ele é o próprio combustível da experiência. Cada incursão em Tau Ceti IV funciona como uma nova tentativa de desvendar os segredos da colônia e de compreender a natureza dos Corredores, esses exploradores movidos pela ganância, pela sobrevivência ou simplesmente pela busca de sentido em um mundo que parece se desfazer diante dos olhos. O jogador se torna parte de uma corrida existencial, e essa busca constante cria uma atmosfera que oscila entre o esplendor da ficção científica e o desespero pós-humanista.

Ao olhar para as inovações trazidas por Marathon, é possível perceber a ambição de reformular o modo como entendemos os jogos de tiro modernos. A Bungie se propôs a reinventar o estilo PvPvE, combinando combates entre jogadores e inimigos controlados pela inteligência artificial dentro de cenários imprevisíveis. A sensação é de participar de um ecossistema vivo, onde a ação nunca segue um mesmo padrão. A cada exploração, eventos emergentes alteram a dinâmica das missões, obrigando o jogador a se adaptar, repensar estratégias e reagir diante da incerteza. Esse é um diferencial importante, pois onde outros jogos desse estilo apostam na repetição e no grind, Marathon se alimenta do inesperado.

Marathon

No campo do gênero extraction shooter, que se tornou uma febre nos últimos anos com títulos como Escape from Tarkov e The Cycle: Frontier, o novo projeto da Bungie tenta reconquistar o espaço com estilo e precisão. Aqui, o loop de jogo é dominado pela tensão: explorar, lutar, coletar, decidir entre o risco e a segurança. A cada missão, o jogador carrega equipamentos de valor variável e precisa decidir o momento certo de extrair o saque para não perder tudo. O conceito é simples, mas o que o diferencia é a fluidez com que o sistema se encaixa à estrutura de combate da Bungie. A morte não é apenas um fracasso, mas um aprendizado constante. O jogador sente o peso de suas escolhas, mas também a satisfação de traçar novas estratégias com base nas derrotas anteriores.

O gênero extraction shooter sob uma nova luz

A jogabilidade de Marathon, testada no PS5, é um lembrete de por que o estúdio ainda é referência quando o assunto é tiroteio preciso e responsivo. Os controles são firmes, o tempo de resposta é impecável e o design das armas transmite a poderosa sensação de impacto que já se tornou uma assinatura da Bungie. As seis armações de Corredor oferecem estilos diversos de jogo, permitindo que cada jogador molde sua própria abordagem. Existem classes especializadas em destruição direta, em reconhecimento do terreno ou em estratégias de rapina, e todas trazem ferramentas úteis para o trabalho em equipe. Jogar em grupo é quase um laboratório tático com cada partida se transformando em um experimento diferente sobre como combinar habilidades e improviso sob pressão.

Marathon

O visual de Marathon é uma das experiências mais singulares do jogo. Tau Ceti IV é ao mesmo tempo belo e perturbador, um espetáculo de arquitetura brutalista envolto em néons frios e superfícies metálicas que refletem um passado glorioso agora corroído pela decadência. Cada cenário parece ter sido projetado para evocar sensações contraditórias, do fascínio e desconforto, imensidão e confinamento, tecnologia e ruína. O planeta torna-se um personagem em si, vivo e hostil, repleto de áreas que parecem respirar através da luz e do som. A Bungie mostra, mais uma vez, que entende o poder da ambientação na construção da imersão.

A trilha sonora reforça esse estado emocional. Em vez de melodias épicas e grandiosas, Marathon aposta em uma sonoridade eletrônica minimalista, com sintetizadores pulsantes que se misturam ao som metálico dos passos e dos disparos. Há momentos em que a música praticamente desaparece, substituída por um silêncio opressivo que faz o jogador sentir o peso da solidão. Quando o perigo se aproxima, a batida se encaixa no ritmo da ação, criando um fluxo intenso que combina com o estado de alerta constante do jogador. É uma escolha estética inteligente, que conecta o emocional e o mecânico de maneira orgânica.

Marathon

Marathon representa, portanto, uma nova tentativa da Bungie de expandir sua própria linguagem. O jogo olha para o passado com respeito, mas avança em direção a um futuro mais arriscado, que exige engajamento, paciência e senso estratégico. Ele não tenta repetir o sucesso de Destiny 2, tampouco se acomoda na sombra dos jogos que popularizaram o gênero de extração.

Em vez disso, propõe uma experiência que desafia o jogador não apenas a vencer combates, mas a compreender um mundo em ruínas e descobrir qual papel desempenha nesse ciclo de sobrevivência. Ainda há aspectos que podem ser refinados, especialmente no ritmo das partidas e na progressão sazonal, mas é inegável que a Bungie demonstra confiança, domínio técnico e uma clara visão de futuro.

Marathon

Marathon é o tipo de jogo que prende pela intensidade da imersão. Ele faz o jogador sentir que cada passo em Tau Ceti IV pode ser o último, mas também o mais importante. E talvez seja exatamente essa sensação, de estar sempre à beira da descoberta e do perigo, que torne essa nova corrida tão irresistível.

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Nota final: 3/5


























Avaliação: 3 de 5.

Acesse o site oficial do jogo.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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