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caos e personalidade em metroidvania que mistura plataforma, tiro e ficção científica

ChainStaff chega como um daqueles jogos de plataforma repleto de ação que não se contentam em ser só retrô com um “quê” moderno, ele quer ser veloz, agressivo e inventivo ao mesmo tempo.

O novo jogo da Mommy’s Best Games mostrou uma identidade muito própria, apoiada por uma ideia central simples e brilhante, em que sua arma também funciona como gancho, lança, escudo e ferramenta de travessia.

A arma do caos e estrela do show

A premissa já entrega o tom absurdo (no bom sentido) que move a aventura. A Terra foi tomada por Esporos Astrais, a vida foi deformada em monstros e o protagonista ainda precisa lidar com um alienígena grudado na cabeça, que é ao mesmo tempo maldição e a fonte de seu poder e vida. A partir daí, a narrativa acompanha a jornada desse supersoldado em busca de militares perdidos em cenários hostis, colocando o jogador diante de escolhas morais que vão definir boa parte do percurso, escolhendo entre resgatar esses companheiros ou devorá-los para ganhar poder.

ChainStaff

O grande mérito de ChainStaff é não desperdiçar essa premissa e, em vez de tratar a história como mero enfeite, o jogo usa a própria bizarrice do enredo para justificar a escalada de violência, o humor ácido e a sensação constante de estar preso a uma relação tóxica com a criatura que vive na sua cabeça. As cenas animadas ajudam a dar ritmo entre os níveis e reforçam o clima de série B espacial, com cara de quadrinho pulp e filme de ficção científica dos anos 1980.

Entre as novidades mais interessantes está justamente o jeito como o jogo explora o gênero plataforma de ação clássico sem depender de complicação excessiva. Em cada fase, a movimentação, o tiro e o uso do ChainStaff se cruzam com naturalidade, criando um loop em que o jogador está sempre alternando entre atacar, se reposicionar e improvisar soluções de travessia. Isso dá ao jogo uma fluidez rara, porque a arma principal não é só arma: ela é também extensão do desenho de fase.

ChainStaff

O nível de estrutura também chama atenção, com mais de nove fases totalmente artesanais, pensadas como etapas densas e autorais, com backtracking curto e bem amarrado, quase como uma pequena Metroidvania encaixada dentro de um plataforma de ação que consegue ir direto ao ponto. Esse tipo de desenho funciona bem porque evita excesso de dispersão e faz cada retorno parecer uma consequência natural do domínio do mapa, não uma obrigação burocrática.

Salvar ou devorar? Eis a questão!

Na prática, a jogabilidade é o ponto em que ChainStaff mais chama atenção, exigindo reflexo, leitura de cenário e precisão, mas sem ser extremo. Ele também premia quem entende o tempo de cada transformação da arma e usa isso com criatividade. O gancho serve para cruzar abismos, alcançar pontos de apoio e criar rotas improvisadas, enquanto o lado ofensivo mantém o combate sempre ameaçado por inimigos mutantes e chefes que ocupam a tela com imponência.

ChainStaff

As opções de upgrades, quase que num formato de árvore de habilidades, também ajudam a sustentar a campanha ao longo das quase 10 horas da primeira vez que jogamos. A existência de caminhos diferentes de evolução já sugere uma camada de rejogabilidade que vai além da curiosidade, porque altera a maneira como o jogador encara confrontos e exploração. No Switch 2, isso rende ainda melhor porque a cadência da experiência combina bem com sessões menores, sem perder o senso de progressão, além de explorar muito bem o modo portátil para sessões rápidas em qualquer lugar.

A possibilidade de escolhas é outro ponto forte, ainda que ChainStaff não queira transformar isso num drama pesado. A decisão entre salvar soldados ou consumir seus corpos para obter melhorias cria uma tensão moral que conversa diretamente com o tema do jogo, e não apenas com um sistema de pontuação escondido. Como são 6 finais diferentes, o resultado final depende de como o jogador equilibra compaixão, oportunismo e sobrevivência, o que dá peso real às rotas escolhidas.

ChainStaff

No visual, ChainStaff é muito seguro do que quer ser, trazendo uma arte totalmente desenhada à mão reforçando a recusa de qualquer aparência genérica, e a própria apresentação visual evoca capas de disco, ficção científica trash e quadrinhos musculosos dos anos 70 e 80. A trilha sonora acompanha essa ambição com mais de 30 faixas originais de metal e rock clássico, assinadas por Deon van Heerden, compositor de Broforce, alternando riffs pesados, passagens sintéticas e melodias mais leves para costurar o exagero da ação.

ChainStaff deixa uma impressão muito positiva justamente por saber unir diversão, desafio, personalidade e mecânica. Ele não tenta reinventar o gênero, mas usa uma ideia central extremamente bem pensada para dar frescor a uma fórmula conhecida, e faz isso com energia, humor e excelente senso de ritmo.

ChainStaff

Esse é mais um daqueles jogos que ganham força por consistência, em que cada fase, cada escolha e cada uso do ChainStaff empurra o jogador para frente sem quebrar o encanto da proposta. É um lançamento que merece atenção não só por ser competente, mas por lembrar como o gênero ainda pode surpreender quando alguém decide tratar uma mecânica central como a alma de tudo. Se a proposta era entregar um plataforma de ação brutal, estiloso e com cara de obra autoral, a Mommy’s Best Games acertou em cheio.

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Nota final: 5/5


























Avaliação: 5 de 5.

Acesse o site oficial do jogo.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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