Renan Carvalho, o autor que conquistou leitores brasileiros com o aclamado “Dez Mil Sóis“, retorna às prateleiras em janeiro de 2026 com um novo desafio literário. Desta vez, o escritor que se especializou em entrelaçar narrativas épicas com referências da cultura pop traz “Cabeça na Nuvem“, uma aventura que promete discutir temas urgentes e contemporâneos através de uma jornada envolvente. O livro já está disponível nas principais plataformas de vendas, através do selo Outro Planeta, conhecida por sua aposta em romances nacionais direcionados ao público juvenil e de crescimento literário.

A proposta de “Cabeça na Nuvem” é ousada e relevante. Em um momento onde pais e educadores enfrentam dilemas cada vez mais complexos em relação ao consumo de telas, Renan encontrou um caminho criativo para abordar a questão. A obra não vem como um texto moralizador que condena a tecnologia ou internet, mas como uma narrativa que celebra a imaginação e a criatividade enquanto questiona hábitos de consumo digital. Ao colocar um garoto com poderes extraordinários dentro de um universo digital como protagonista, o autor cria um espaço de diálogo onde jovens leitores podem refletir sobre suas próprias relações com as telas e com o mundo online, tudo isso de forma lúdica e envolvente.
No coração da história está Max, um personagem central que carrega uma habilidade extraordinária: a consciência S. Este é um poder tão raro que poucos conseguem compreender seu alcance. Max possui a capacidade de reprogramar a Nuvem, um universo completamente digital onde tudo é possível e onde as regras da realidade física não se aplicam. Este mundo onírico digital se torna o palco para uma aventura que mistura games, inteligência artificial e os desafios que cercam as crianças contemporâneas. Quando Patrono, um novo programa administrador da Nuvem, sofre um colapso catastrófico e se transforma em um vilão perigoso, milhões de crianças ficam presas nesse universo virtual. Entre elas está o irmão mais novo de Max, e este fato transforma o jovem protagonista na única esperança de resgate para todas aquelas crianças desaparecidas no mundo digital.

O que diferencia “Cabeça na Nuvem” é a abordagem multidimensional do problema, pois não se trata apenas de uma narrativa de heróis contra vilões, embora esses elementos existam. É, fundamentalmente, uma história sobre cooperação, empatia e a importância de se reconhecer que as diferenças entre as pessoas são justamente aquilo que as torna mais fortes quando unidas por um objetivo comum. Max não enfrenta os desafios da Nuvem sozinho. Ele contará com uma equipe de jogadores fora dos padrões, garotos e garotas que, no mundo real, são apenas Joana, Danilo, Balu e Kim, mas que na Nuvem se transformam em heróis extraordinários. Joana se torna Dojo Girl, uma faixa-preta determinada e destemida. Danilo é Speedan, um corredor com pulmões de aço capaz de velocidades impossíveis. Balu se transforma em Boliche, um gigante quase indestrutível cuja força bruta é contrabalançada por um coração gentil. E Kim é Queen Killer, uma atiradora com a mira tão infalível quanto seu espírito de liderança. Juntos, eles formam a resistência contra Patrono, um coletivo onde cada habilidade é essencial e onde falhar em confiar um no outro significa perder a guerra.
Renan Carvalho explica em suas próprias palavras a motivação por trás deste novo projeto. Segundo o autor, um dos maiores desafios enfrentados por pais e educadores contemporâneos é justamente o consumo crescente em telas entre os jovens. “Cabeça na Nuvem é uma forma de abordar a tecnologia por meio da leitura, estimulando a imaginação e usando as referências dos games para formar novo leitores”, complementa Carvalho. Para o autor, o livro oferece uma porta de entrada para crianças e adolescentes que crescem rodeados por controladoras, consoles, aplicativos e redes sociais, permitindo que encontrem em narrativas literárias elementos que resoam com suas experiências cotidianas. O livro destaca, ainda, a importância do pensamento crítico, incentivando jovens leitores a questionar não apenas o que consomem, mas também como consomem e qual impacto isso gera em suas vidas e relacionamentos.

Em outra reflexão do autor, Carvalho revela ainda mais sobre seu processo criativo: “Cabeça na Nuvem mistura minha paixão pelos games e minha preocupação com o uso cada vez mais constante da internet e das redes sociais. É uma metáfora para os desafios tecnológicos que enfrentamos, e uma forma de engajar os jovens com a leitura, usando algo que eles gostam e se identificam.” Esta afirmação aponta para uma estratégia narrativa deliberada e bem pensada. Carvalho não está tentando afastar jovens da tecnologia ou dos games, mas sim criar um espaço onde esses elementos culturais são celebrados enquanto serve como veículo para discussões profundas sobre cidadania digital.
O livro é indicado para crianças e adolescentes a partir de dez anos, uma faixa etária onde as questões em torno de autorregulação e consumo de tecnologia começam a ganhar importância vital no desenvolvimento social e intelectual. Contudo, suas temáticas mais profundas e sofisticadas o tornam interessante também para leitores mais velhos e adultos que desejam compreender melhor as dinâmicas do mundo digital em que vivemos.
“Cabeça na Nuvem” chega em um contexto em que a indústria editorial brasileira cada vez mais reconhece a importância de literatura juvenil que não apenas entretenha, mas que também promova reflexão crítica. O livro não é uma tentativa de substituir a tecnologia pela leitura, nem pretende ser uma crítica às gerações digitais. Pelo contrário, é uma celebração da criatividade e imaginação que a tecnologia pode ativar, simultaneamente reconhecendo os desafios reais que ela coloca. Para educadores, pais, adolescentes e qualquer pessoa interessada em ficção de qualidade com mensagens relevantes, “Cabeça na Nuvem” de Renan Carvalho é uma leitura imprescindível.




