A turbulência interna na Ubisoft acaba de ganhar um novo e sério desdobramento. Sindicatos franceses que representam trabalhadores da companhia decidiram, de forma unânime, aprovar uma greve marcada para os dias 10, 11 e 12 de fevereiro de 2026. A paralisação surge como resposta direta ao chamado “reset” anunciado pela empresa, uma reestruturação profunda que já começa a impactar estúdios, projetos e, sobretudo, pessoas.

De acordo com informações publicadas pelo jornal francês Les Echos, organizações como STJV, Solidaires Informatique, CFE-CGC, CGT e Printemps Écologique uniram forças na decisão. Embora a mobilização tenha início na França, a intenção dos sindicatos é ir além de um protesto local. O movimento busca apoio internacional e pretende articular ações conjuntas com trabalhadores de outros países onde a Ubisoft mantém operações, ampliando a pressão e a visibilidade do caso.
O principal motivo da greve está no novo plano de austeridade anunciado pela empresa, que prevê a redução de cerca de 200 milhões de euros em custos fixos ao longo dos próximos dois anos, além de regras mais rígidas para o trabalho remoto. Essas medidas já começaram a sair do papel. A Ubisoft confirmou a proposta de cerca de 200 desligamentos apenas em sua sede em Paris, por meio de demissões voluntárias e acordos de rescisão mútua.
Para os sindicatos, no entanto, esse número pode ser apenas o começo. As estimativas apontam que até 20% da força de trabalho da sede parisiense pode ser afetada, o que representaria cerca de 5% de todos os funcionários da Ubisoft na França. O clima de incerteza cresce à medida que a reestruturação avança e deixa marcas claras, como o cancelamento do remake de Prince of Persia: The Sands of Time e de pelo menos outros cinco projetos que acabaram engavetados.

Internamente, a empresa vem reorganizando sua estrutura em torno de um novo modelo operacional, com foco em grandes aventuras de mundo aberto, experiências nativas de games como serviço e a centralização de suas principais franquias em cinco grandes “creative houses”. No mercado financeiro, os reflexos já são visíveis: as ações da Ubisoft sofreram uma queda histórica, atingindo o menor valor em mais de dez anos.
A decisão dos funcionários de cruzar os braços funciona como um sinal de alerta não apenas para a Ubisoft, mas para toda a indústria de games. Mais do que números em planilhas, o que está em jogo é a quebra de confiança, a insegurança no emprego e a percepção de que os custos de escolhas estratégicas mal-sucedidas estão recaindo sobre quem está na linha de frente da produção. Agora, a grande questão é se a Ubisoft vai apostar em um diálogo real com seus trabalhadores ou se continuará tratando o silêncio como estratégia.
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