O mercado brasileiro de quadrinhos asiáticos continua em expansão e a Editora Comix Zone lançou um dos títulos mais aguardados pelos fãs brasileiros de ficção científica e horror corporal. Após o sucesso de crítica e vendas de Yan, o autor taiwanês Chang Sheng retorna ao catálogo da editora com Baby, uma obra premiada que promete consolidar de vez a presença do artista no Brasil.

A nova série chega completa em três volumes, num box com artes belíssimas, e traz uma narrativa densa que mistura sobrevivência, mutações mecânicas e um futuro distópico assustadoramente bem desenhado.
O despertar do Dia da Extinção
A trama de Baby nos transporta diretamente para o dia 1º de dezembro de 2043, uma data marcada nos registros ficcionais da obra como o fatídico Dia da Extinção. Nas ruas devastadas de Taiwan, a humanidade enfrenta uma ameaça sem precedentes na forma de um parasita misterioso conhecido apenas pelo nome que dá título ao mangá. Esses organismos têm a capacidade aterrorizante de transformar seres humanos em monstros mecânicos letais, provocando um massacre em escala global e empurrando nossa espécie para a beira do colapso total em pouquíssimo tempo.

No centro desse caos conhecemos Elisa, uma sobrevivente que carrega uma marca única desse novo mundo. Após ser atacada por um desses mutantes, um exemplar de Baby se alojou em sua mão esquerda, mas, por algum motivo desconhecido, ela não foi completamente transformada em um híbrido mecânico. Um ano após o evento inicial, movida pela necessidade de entender sua condição e o destino do planeta, ela decide abandonar a segurança relativa das ruínas urbanas em busca de respostas. Se você curtiu o clima denso e a arte detalhada de Yan, com certeza você vai curtir o peso desta nova publicação.
O encontro que pode mudar o futuro
A jornada de Elisa toma um rumo decisivo quando, ferida e exausta, ela cruza o caminho de um esquadrão de resgate em uma missão de alto risco. O grupo tem o objetivo secreto de escoltar uma jovem enigmática chamada Alice até o que se acredita ser o último refúgio seguro dos seres humanos.

Quando o esquadrão se vê encurralado por hordas de mutantes, fica claro que a presença de Alice não é meramente acidental e que ela pode ser a peça central para desvendar a verdadeira origem dos parasitas. A narrativa se constrói sobre esse mistério, questionando a identidade da jovem e o que realmente causou o fim da civilização como a conhecemos. Assim como em Yan, nem tudo parece ser o que realmente é e as surpresas vão sendo apresentadas em camadas enquanto as páginas passam cada vez mais rápido.
A maestria narrativa de Chang Sheng
Falar de Baby é também falar da trajetória impressionante de seu criador. Nascido em Taiwan em 1968, Chang Sheng trilhou um caminho incomum no mundo dos mangás, tendo trabalhado por 15 anos na publicidade antes de se dedicar integralmente aos quadrinhos aos 35 anos de idade. Essa bagagem anterior reflete diretamente em sua técnica, que utiliza um estilo visual realista para reinterpretar temas clássicos da fantasia e da ficção científica. O autor é conhecido por colocar mulheres fortes como protagonistas de suas histórias, fugindo de estereótipos comuns do gênero e focando em complexidade psicológica.

A importância cultural de Chang Sheng é reconhecida internacionalmente com uma estante de prêmios invejável. Baby, inclusive, foi a obra que lhe rendeu o Golden Comic Awards em 2011, consolidando sua popularidade tanto em Taiwan quanto no exigente mercado japonês. Além disso, o autor coleciona honrarias como o Bronze Award no Japan International Manga Award por Oldman e o Grand Prize no Kyoto International Creators Award por The Hidden Level. Ter essa obra publicada no Brasil é um passo importante para diversificar as referências dos leitores brasileiros, apresentando um legado artístico que já foi traduzido para diversos idiomas como francês, italiano e russo.

A chegada de Baby pela Comix Zone, em três volumes impecáveis com marca-páginas, capa e sobre-capa, além de um box exclusivo, representa mais do que apenas um lançamento de nicho, é a afirmação de que a produção taiwanesa possui uma qualidade técnica e narrativa que rivaliza com os maiores clássicos do gênero produzidos em qualquer lugar do mundo.

Com uma edição física cuidada e a promessa de uma história fechada já publicada totalmente, o título se torna obrigatório para quem busca uma leitura madura, visualmente impactante e repleta de camadas filosóficas sobre a relação entre o homem e a tecnologia. Prepare-se para descobrir que, no futuro de Chang Sheng, a sobrevivência é apenas o primeiro passo para entender o que ainda nos torna humanos.




