The Adventures of Elliot: The Millennium Tales chega como uma das apostas mais interessantes da Square Enix para 2026, porque pega a linguagem visual de HD-2D que já virou marca da casa e eleva para um território mais direto, mais ágil e mais aventureiro. O resultado é um RPG de ação que parece feito tanto para fãs de Octopath Traveler e Bravely Default quanto para quem quer ver esse estilo artístico funcionando em combates em tempo real.
A trama coloca Elliot e sua companheira fada Faie em uma jornada por quatro eras, atravessando a Doorway of Time para quebrar uma maldição ligada à Princesa Heuria, de Huther. O ponto de partida é clássico, mas a graça está na escala temporal, pois o jogo não quer só contar uma aventura de estrada para apostar na construção da história de um mundo inteiro por meio de eras diferentes, da reconstrução ao nascimento dessa civilização.
Uma jornada por quatro eras
Essa estrutura dá ao enredo uma ambição rara dentro de um jogo no estilo “zelda like”, porque cada período oferece muito além de cenários diferentes, mas também mudanças no tom e na leitura daquele mundo. Você vai explorar ruínas, conhecer mitos e presenciar contrastes sociais que enriquecem a fantasia, embora o grande destaque fica por conta da construção narrativa que se desenvolve ao redor dos personagens ao longo das quatro eras visitadas: o Nascimento da Civilização, a Idade das Trevas, o Presente, e a Era de Ouro.

A maior novidade de The Adventures of Elliot é simples de explicar e difícil de acertar, pois esse novo título HD-2D da Square Enix troca o ritmo dos turnos por ação em tempo real. Em vez de esperar a próxima janela de comando, o jogador ataca, reposiciona e reage o tempo todo, com Elliot podendo empunhar até duas armas e alternar entre sete tipos diferentes, enquanto Faie entra como suporte estratégico com habilidades mágicas.
Isso muda bastante a identidade do projeto por trazer um combate que deixa de ser um exercício de planejamento estático e passa a exigir leitura de arena, troca rápida de equipamento e uso inteligente da mobilidade, o que aproxima o jogo mais de aventuras de ação do que dos RPGs tradicionais da própria Square Enix. Longe de ser um hack and slash, você precisa pensar antes de apertar o botão para não cair em erros que podem levar à derrota.

O salto mais evidente para o estilo HD-2D é justamente a tentativa de provar que essa linguagem visual não precisa ficar presa ao combate por turnos, muito menos ao estilo dos JRPGs. Isso sem contar que a exploração dos cenários é extremamente agradável, principalmente pela mecânica de ataques acumulados sem sofrer dano, que aumenta o drop de itens ao derrotar inimigos.
Desas maneira, The Adventures of Elliot ocupa um espaço ao conseguir ser um RPG de ação acessível, mas com densidade suficiente para premiar experimentação. O sistema de magicite reforça isso ao permitir personalizar armas com diferentes combinações de efeitos, criando variações reais de estilo de jogo em vez de só subir números de ataque. Isso sem contar as habilidades de Faie para atacar, interagir com o mundo, resolver puzzles e até mesmo criar uma cópia de Elliot.

Essa flexibilidade é importante porque ajuda o jogo a escapar da armadilha da ação genérica com skin de RPG, pois os desenvolvedores se preocuparam em oferecer múltiplas armas, ferramentas de exploração e suporte de Faie com usos tanto ofensivos quanto utilitários. As mecânicas de jogo acompanham o uso dos tipos de golpe e as possibilidades de combinar seus equipamentos com os demais elementos de combate.
HD-2D além dos turnos
O que surpreende é como a Claytechworks conseguiu unir a narrativa, mecânicas e uma jogabilidade simples, muito inspirada em The Legend of Zelda para entregar um jogo viciante. Combates responsivo, troca rápida de armas, exploração mais aberta e uso constante das habilidades de Faie para atravessar obstáculos, resolver puzzles e ganhar vantagens táticas em combate. Tudo isso surge ao longo de uma excelente história, sem enrolar ou com etapas introdutórias lentas, mantendo o engajamento desde o início.

Visualmente, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales parece ser exatamente o tipo de vitrine que o estilo HD-2D precisava para continuar evoluindo. A mistura de luz, profundidade e detalhamento dos cenários é impressionante e permite a criação de ambientes belíssimos, além de interessantes e extremamente cuidadosos, especialmente pelas dungeons, criando uma composição de atmosfera perfeita.
Já a parte sonora, a trilha sonora de Tomohiro Nakamachi e Yuto Moritani consegue criar o contraste entre fantasia épica e leveza aventureira, algo que acaba sendo reforçado através dos diálogos mais leves e divertidos, além da ambientação que agrada em qualquer área visitada. No fim, a combinação do capricho visual acompanha a epicidade da trilha, consolidando uma assinatura muito forte da Square Enix dentro desse estilo de RPG que vem sendo publicado anualmente e abre espaço para uma nova série de jogos.

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales tem aquela cara de um experimento que deu muito certo, que não quer apenas repetir a fórmula da Square Enix, mas ampliar o que o HD-2D pode ser. Essa evolução dos turnos pela ação em tempo real é o tipo de risco que pode dividir opiniões, mas entrega um “zelda like” para agradar uma grand parcela de jogadores que normalmente o RPG tende em afastar. Tudo isso com uma apresentação caprichada, uma base mecânica simples e interessante, e uma história bem construída.
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Nota final: 5/5
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