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Cientistas propõem reduzir população mundial para 4 bilhões até 2200

Um estudo publicado no periódico Sustainable Development reacendeu um debate delicado. Pesquisadores sugerem que a população mundial seja reduzida gradualmente para cerca de 4 bilhões de pessoas até o ano 2200. Atualmente, somos mais de 8 bilhões.

A ideia não é nova e sempre gera polêmica. Os autores argumentam que o crescimento populacional está diretamente ligado a problemas como emissão de carbono, consumo de água, perda de biodiversidade e exploração de recursos naturais. Eles analisaram dados de 1970 a 2020 e encontraram uma forte correlação entre o aumento da população e o agravamento desses oito indicadores ambientais.

A proposta, no entanto, não defende medidas coercitivas. Nada de controle populacional forçado ou políticas como o antigo “filho único” da China. Os cientistas apostam em educação, acesso à saúde reprodutiva e mais autonomia para as mulheres. Eles citam exemplos de países como Irã, Coreia do Sul e Costa Rica, onde a taxa de natalidade caiu drasticamente após a implementação de programas de planejamento familiar e educação para meninas.

Quando as mulheres podem decidir livremente sobre ter filhos, a taxa de fecundidade tende a cair para o nível de reposição ou abaixo dele, de forma natural. Atualmente, cerca de 200 milhões de mulheres no mundo ainda não têm acesso a serviços de planejamento familiar. Essa é uma das frentes que o estudo pretende atacar.

Os pesquisadores estimam que, no cenário mais favorável, a população poderia chegar a 6,9 bilhões em 2100 e a 4,1 bilhões em 2200. As consequências seriam significativas: as emissões de CO₂ cairiam pela metade e a produção de plásticos despencaria de 460 milhões para 54 milhões de toneladas. Isso daria aos ecossistemas naturais uma chance de se recuperar.

O cenário oposto, mantendo as tendências atuais, projeta 11,4 bilhões de pessoas no final do século e 21,2 bilhões em 2200. As consequências seriam catastróficas, com recursos naturais sob pressão insustentável e aumento drástico da poluição.

Claro que a ideia encontra resistência. Críticos apontam que o problema maior não é o número de pessoas, mas a distribuição desigual de recursos e o alto consumo dos países ricos. Eles lembram que os países de alta renda consomem, em média, 13 vezes mais energia por pessoa do que os de baixa renda. Para eles, reduzir a população sem mudar os hábitos de consumo não resolveria o problema.

Outro ponto de tensão é o impacto econômico. Uma população menor e mais velha traria desafios, como falta de mão de obra e pressão sobre os sistemas de previdência. Países como Coreia do Sul e Japão já enfrentam esses problemas hoje.

Os autores do estudo reconhecem a controvérsia. Mas insistem que estão propondo uma estratégia “pró-natureza e pró-humana”. Para eles, o objetivo é garantir que as próximas gerações possam ter qualidade de vida em um planeta saudável. A discussão, no mínimo, está longe de acabar.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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