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Astrônomos detectam explosão de rádio mais distante já vista, a mais de 10 bilhões de anos-luz

Astrônomos detectaram a mais distante explosão rápida de rádio já registrada, um fenômeno conhecido como FRB, sigla em inglês para Fast Radio Burst. Batizado de FRB 20240304B, o evento aconteceu em uma galáxia extremamente distante e enviou seu sinal pelo Universo durante mais de 10 bilhões de anos antes de finalmente ser captado na Terra.

A descoberta foi liderada pelos pesquisadores Manisha Caleb e Themiya Nanayakkara, da Universidade de Sydney, e representa um salto importante em relação ao recorde anterior. A distância estimada do novo FRB é mais que o dobro da alcançada pelas explosões rápidas de rádio anteriormente identificadas.

O sinal foi associado a uma galáxia com um desvio para o vermelho, conhecido como redshift, de 2,148. Esse valor indica que a luz emitida pelo evento foi fortemente esticada pela expansão do próprio Universo durante sua viagem. Em outras palavras, estamos observando hoje uma explosão que aconteceu em uma época em que a Terra sequer existia.

As FRBs estão entre os fenômenos mais intensos já observados no cosmos. Elas aparecem como pulsos extremamente rápidos de ondas de rádio, muitas vezes durando apenas uma fração de segundo, mas podem liberar nesse intervalo uma quantidade gigantesca de energia, equivalente ao que o Sol produziria durante vários dias.

Apesar de serem conhecidas há quase duas décadas, as FRBs ainda guardam muitos mistérios. Os astrônomos acreditam que pelo menos parte delas esteja relacionada a objetos extremamente compactos e energéticos, como magnetares, estrelas de nêutrons com campos magnéticos absurdamente fortes. Ainda assim, a diversidade desses eventos indica que pode haver mais de um mecanismo capaz de produzi-los.

O que torna o FRB 20240304B especialmente interessante, porém, não é apenas sua distância. A galáxia que o abriga é consideravelmente menor e menos massiva do que muitas das galáxias associadas a FRBs observadas anteriormente. Isso pode ajudar os pesquisadores a entender melhor em quais ambientes esses eventos extremos conseguem surgir e como suas fontes evoluíram ao longo da história cósmica.

Existe ainda outro motivo para os astrônomos comemorarem a descoberta. Ao atravessar o espaço entre sua galáxia de origem e a Terra, o sinal de rádio passou por enormes quantidades de matéria espalhada pelo Universo. Esse percurso altera as características do sinal de maneira que pode ser analisada pelos cientistas.

Por isso, as FRBs funcionam como uma espécie de lanterna cósmica. Ao estudar como seus sinais foram modificados durante a viagem, os pesquisadores conseguem investigar a matéria que normalmente seria extremamente difícil de observar diretamente, incluindo o gás existente entre as galáxias.

A descoberta do FRB 20240304B mostra que essa técnica pode ser aplicada a uma época muito mais antiga do Universo do que se imaginava. Quanto mais distante é a explosão observada, mais para trás no tempo os astrônomos conseguem enxergar e maior é a quantidade de matéria cósmica que seu sinal atravessou.

O evento, portanto, não é apenas o novo recordista de distância entre as FRBs conhecidas. Ele também pode se transformar em uma ferramenta para reconstruir a distribuição da matéria no Universo primordial e entender como o cosmos mudou ao longo de bilhões de anos.

O mais impressionante é pensar que o sinal começou sua viagem há mais de 10 bilhões de anos. Naquele momento, o Sistema Solar ainda estava muito longe de existir. Bilhões de anos depois, uma pequena parte daquela explosão atravessou o espaço e acabou sendo registrada por instrumentos aqui na Terra, permitindo aos cientistas estudar um acontecimento ocorrido em uma época quase inimaginavelmente distante do nosso presente.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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