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Trauma e cérebro em modo alerta: vídeo explica por que algumas pessoas vivem em constante alerta

Um vídeo recente do canal Kai Psychology está chamando atenção por explicar, com animação simples e linguagem direta, como experiências traumáticas podem deixar o cérebro “preso” em um estado constante de alerta. A ideia é fácil de reconhecer: mesmo quando está tudo calmo por fora, a pessoa segue escaneando o ambiente, prevendo problemas e se preparando para o pior.

O ponto central do vídeo é que isso não é “frescura” nem um traço de personalidade aleatório. É uma adaptação de sobrevivência. Em contextos de estresse crônico, especialmente na infância, o cérebro aprende que relaxar pode ser perigoso, então ele prioriza velocidade e prevenção.

O que acontece no cérebro quando o perigo vira rotina

A explicação passa pelo sistema de detecção de ameaça, com destaque para a amígdala, estrutura ligada ao processamento de medo e sinais de perigo. Em pessoas com histórico de trauma e estresse prolongado, estudos descrevem mudanças em circuitos que envolvem amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal, regiões que participam de memória, regulação emocional e tomada de decisão.

Em termos práticos, isso pode aparecer como hiperalerta, sobressalto fácil, dificuldade para “desligar” e sensação de cansaço que descanso sozinho não resolve. Hiper-vigilância é um sintoma comum em quadros como o TEPT (PTSD), e costuma andar junto com um corpo em modo “luta ou fuga” por tempo demais.

Quando a criança vira “o adulto da sala”

Um dos trechos mais fortes do vídeo conecta hiper-vigilância com a experiência de crianças que crescem sentindo que precisam cuidar do clima emocional da casa. Elas viram especialistas em ler microexpressões, prever humor, evitar conflito e “manter a paz”. Isso pode parecer maturidade, mas frequentemente tem custo alto: necessidades próprias ficam para depois e o cérebro aprende a viver em prontidão.

Na psicologia, esse padrão é muitas vezes discutido como parentificação, quando a criança assume responsabilidades emocionais ou práticas que não deveriam ser dela. Revisões científicas descrevem a parentificação como um fenômeno real, com efeitos variados e, em muitos casos, associação com sobrecarga e sofrimento psicológico na vida adulta.

Por que “ser o forte” pode virar exaustão

O vídeo também fala do adulto que vira o suporte emocional de todo mundo. É o “resolvedor”, o confiável, o que sempre aguenta. Só que, por trás disso, pode existir um cérebro treinado para antecipar ameaça e evitar colapso a qualquer custo. Com o tempo, esse estado de alerta constante favorece ansiedade, irritabilidade, burnout e desconexão do próprio corpo.

O que fazer se você se reconheceu nisso

O vídeo não é diagnóstico, mas ajuda a dar nome ao que muita gente sente. Se isso atrapalha sua vida, vale buscar apoio profissional. Terapias baseadas em evidência para trauma e ansiedade costumam trabalhar regulação emocional, segurança no corpo e redução da hiper-vigilância ao longo do tempo.

Se você estiver em sofrimento intenso ou em risco imediato, procure ajuda agora. No Brasil, o CVV atende 24h pelo 188.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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