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Bananas contaminadas após desastre de Mariana podem afetar saúde infantil

Um estudo recente alerta que bananas cultivadas na região afetada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, podem conter níveis preocupantes de chumbo e outros elementos tóxicos. A pesquisa indica que frutas e alimentos como mandioca e cacau produzidos no município de Linhares podem apresentar concentrações acima dos limites estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, representando riscos especialmente para crianças.

As águas libertadas com o rompimento da barragem de Fundão em 2015 estavam carregadas de resíduos tóxicos provenientes das atividades mineiras. 

O desastre ocorreu em 2015, quando a barragem de rejeitos de mineração operada pela Samarco se rompeu, liberando mais de 50 milhões de metros cúbicos de lama tóxica na bacia do Rio Doce. A tragédia atingiu estados do Sudeste e Nordeste, provocou 19 mortes e causou destruição ambiental massiva, incluindo mortandade de peixes, perda de biodiversidade e devastação da vegetação nativa ao longo do rio.

Investigações apontaram que falhas estruturais e de drenagem, somadas a mudanças no projeto da barragem ao longo dos anos, contribuíram para o colapso. O fenômeno conhecido como liquefação, no qual materiais sólidos passam a se comportar como líquidos, teria sido determinante para o rompimento.

Após o desastre, as águas da enchente cobriram toda a região da bacia do Rio Doce, inundando terras agrícolas e prejudicando o ecossistema local. Agora, elas também podem estar tornando alguns alimentos tóxicos.

Os impactos do desastre continuam sendo observados quase uma década depois. Após a inundação das áreas agrícolas, os rejeitos ricos em metais pesados permaneceram no solo. Segundo pesquisadores brasileiros e espanhóis, esse material contém cádmio, cromo, cobre, níquel e chumbo, elementos potencialmente tóxicos que podem ser absorvidos pelas plantas e entrar na cadeia alimentar.

Os cientistas verificaram que bananas e mandioca acumulam esses contaminantes nas partes comestíveis, enquanto o cacau concentra altos níveis nas folhas, caules e frutos. Os níveis de cobre e chumbo encontrados ultrapassaram os valores considerados seguros, o que levou os pesquisadores a avaliar os riscos à saúde humana.

Os resultados indicam que adultos não apresentam risco imediato significativo. Entretanto, crianças de até seis anos podem estar vulneráveis ao consumir bananas cultivadas nesses solos contaminados. Isso ocorre porque o organismo infantil absorve mais substâncias tóxicas proporcionalmente ao peso corporal e possui sistemas de desintoxicação ainda imaturos.

A exposição crônica ao chumbo, mesmo em pequenas quantidades, está associada a danos neurológicos permanentes, incluindo redução do QI, dificuldades de atenção e distúrbios comportamentais. O cádmio pode comprometer a função renal e o desenvolvimento ósseo, enquanto o excesso de níquel e cobre pode causar problemas gastrointestinais, toxicidade hepática e reações alérgicas.

Os pesquisadores alertam que a ingestão prolongada de alimentos contaminados pode gerar efeitos cumulativos ao longo da vida. Com a expectativa média de vida no Brasil em torno de 75 anos, existe a possibilidade de danos celulares e aumento do risco de câncer decorrentes da exposição contínua.

Publicado na revista científica Environmental Geochemistry and Health, o estudo reforça a necessidade de monitoramento ambiental contínuo e políticas públicas que garantam segurança alimentar para as comunidades que vivem nas áreas afetadas por um dos maiores desastres ambientais da história do país.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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