Quando Andor estreou no Disney+, ficou claro que Star Wars estava explorando um novo território. A série criada por Tony Gilroy deixou de lado o espetáculo dos Jedi e focou em política, opressão e no custo real da rebelião. Era uma história mais crua, mais humana e muito menos preocupada em agradar todos os públicos.
Por isso, ninguém imaginava que um dia esse universo se conectaria a Jar Jar Binks.
Mas aconteceu.
Um novo quadrinho da Marvel revelou que o personagem mais controverso da trilogia prequel pode ter tido um papel muito maior na história da rebelião do que se imaginava. E essa revelação conversa diretamente com elementos centrais apresentados em Andor.
A origem secreta da tecnologia vista em Andor
Em Andor, o público conhece a chamada rede Axis, uma célula rebelde operada por Luthen Rael e organizada nos bastidores por Kleya Marki. Um dos diferenciais do grupo é o uso de um sistema de comunicação altamente seguro, conhecido como rádio fractal.
Até então, a série dava a entender que Luthen havia descoberto essa tecnologia por meio de seu interesse em artefatos antigos e culturas esquecidas, algo coerente com sua fachada de negociante de antiguidades em Coruscant.
Mas o novo quadrinho Star Wars: Jar Jar Binks 1 muda completamente esse entendimento.
A edição, escrita por Marc Guggenheim em parceria com Ahmed Best, ator que interpretou Jar Jar nos filmes, revela que os primeiros rádios fractais surgiram ainda durante as Guerras Clônicas.
Jar Jar, Kelleran Beq e a resistência antes da Rebelião
A história mostra Jar Jar atuando ao lado do Mestre Jedi Kelleran Beq. Os dois passam a desconfiar das ações do Chanceler Palpatine e do uso cada vez mais amplo dos poderes de emergência, ironicamente concedidos com o apoio do próprio Jar Jar no Senado.
Durante uma missão no planeta Urubai, eles descobrem cristais raros capazes de alimentar um sistema de comunicação praticamente impossível de ser rastreado. Assim nasce o protótipo do rádio fractal.
O objetivo era simples e perigoso. Criar uma rede de comunicação segura para organizar resistência sem chamar a atenção de Palpatine.
Esse detalhe muda tudo.
Uma rede que antecede a Aliança Rebelde
O quadrinho sugere que essa tecnologia foi essencial para eventos decisivos da saga. Entre eles, a sobrevivência de Kelleran Beq durante a Ordem 66 e o resgate de Grogu do Templo Jedi, levando o jovem sensível à Força para fora de Coruscant em uma nave diplomática de Naboo preparada com antecedência.
Ou seja, os rádios fractais não eram apenas uma invenção experimental. Eles faziam parte de um movimento subterrâneo de resistência que existia muito antes da formação oficial da Aliança Rebelde.
E é aqui que Andor entra novamente em cena.
Naboo sempre esteve ali, mas ninguém percebeu
Desde a primeira temporada, Andor plantou pistas sutis ligadas a Naboo. A galeria de Luthen em Coruscant exibe artefatos associados à realeza do planeta e até à cultura Gungan. Na época, muitos interpretaram isso apenas como uma referência ao planeta natal de Palpatine.
Com o novo contexto, esses detalhes ganham outro peso.
A segunda temporada da série mostra, em flashback, Luthen testando Kleya ainda jovem em uma missão em Naboo, durante um atentado. É ali que a rede Axis começa a tomar forma.
Coincidência ou não, Naboo surge como ponto de origem tanto da tecnologia quanto da própria rede rebelde.

A reavaliação do legado de Jar Jar Binks
A ideia de que Jar Jar Binks pode ter ajudado a lançar as bases da infraestrutura de comunicação da rebelião muda completamente a percepção do personagem. Longe de ser apenas um alívio cômico, ele teria usado sua posição política e seu acesso aos círculos reais e Gungan de Naboo para movimentar peças longe dos holofotes.
Ele podia agir sem levantar suspeitas. E isso, em tempos de vigilância extrema, era uma arma poderosa.
Essa recontextualização também dialoga com a própria evolução de Star Wars como franquia. Criada inicialmente com foco em um público mais jovem, a saga hoje abriga histórias densas, políticas e moralmente complexas.
Andor provou isso. E agora um quadrinho resgata um personagem da era prequel para conectá-lo diretamente a esse lado mais sombrio da galáxia.
Um exemplo perfeito de narrativa transmídia
Esse cruzamento inesperado entre filmes, séries e quadrinhos mostra como Star Wars funciona como um verdadeiro universo transmídia. Histórias se complementam, se transformam e ganham novos significados com o tempo.
Pouca gente imaginava que Jar Jar Binks e Luthen Rael dividiriam algum tipo de DNA narrativo. Mas a conexão existe.
E, estranhamente, funciona muito bem.
Para um personagem que passou décadas sendo alvo de críticas, esse novo papel pode não apagar o passado, mas certamente adiciona camadas inesperadas. No fim das contas, até os nomes mais improváveis podem deixar marcas profundas na história da rebelião.
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