Particularmente admiro o trabalho de Clive Barker desde criança. Sim, nada apropriado. Mas cresci nos anos 80 curtindo toda a cultura pop, de Freddy Kruegger, Jason, slashers, e HellRaiser entrou nesse meio. Desde então, qualquer coisa relacionada a Clive Barker me chama a atenção. Desde games, filmes e até os livros do autor.
Dito isso, o universo perturbador de Clive Barker finalmente ganha um novo destaque nos videogames. Lançado em 8 de outubro de 2026, Clive Barker’s Hellraiser: Revival aposta no terror explícito, em criaturas grotescas e na atmosfera macabra que tornou a franquia conhecida.
Desenvolvido e publicado pela Saber Interactive, o jogo combina ação em primeira pessoa, sobrevivência e exploração. A proposta é transportar os jogadores para um pesadelo repleto de violência, mistérios e encontros com os temidos Cenobitas, os “soldados” de Pinhead, o famoso vilão com pregos espetados na cabeça.
O resultado é uma adaptação que demonstra respeito pelo material original, mas também apresenta problemas que impedem a experiência de alcançar todo o seu potencial.

Uma história sombria no universo de Hellraiser
A trama acompanha Aidan Lynch, que precisa resgatar sua namorada, Sunny, depois que ela entra em contato com a Configuração Gênese, uma misteriosa caixa de quebra cabeças que abre caminho para o Labirinto.
O protagonista acaba envolvido nos planos de Pinhead e precisa enfrentar um culto dedicado aos Cenobitas para tentar salvar a mulher que ama.
A narrativa explora elementos característicos da obra de Clive Barker, como a relação entre dor e prazer, os limites da experiência humana e a transformação do sofrimento em algo perturbadoramente fascinante.
A presença de Pinhead também é um dos principais atrativos. O personagem retorna com a voz de Doug Bradley, ator associado ao icônico antagonista nos filmes originais.
Em vez de transformar os Cenobitas em simples monstros, Hellraiser: Revival procura preservar o caráter enigmático dessas figuras. Essa abordagem ajuda a aproximar o jogo das raízes da franquia e oferece aos fãs referências que vão além da violência gráfica.

A Configuração Gênese é o grande diferencial
A caixa misteriosa não serve apenas para movimentar a história. Ela também influencia diretamente a jogabilidade.
Além de utilizar armas convencionais, Aidan pode recorrer aos poderes sobrenaturais do artefato para interagir com o ambiente e enfrentar inimigos. Entre as possibilidades estão manipular objetos, lançar elementos do cenário contra adversários e utilizar habilidades associadas ao fogo.
Essa combinação cria oportunidades para variar os confrontos e diferencia o jogo de experiências de terror que dependem exclusivamente de armas de fogo.
A exploração também tem papel importante. O Labirinto apresenta corredores claustrofóbicos, armadilhas e espaços que desafiam a percepção do jogador. Alterações no ambiente ajudam a construir sequências desconfortáveis, enquanto os quebra cabeças oferecem momentos de respiro entre os combates.
Visualmente, o jogo encontra seus momentos mais interessantes justamente nesses cenários. A direção artística explora imagens grotescas e situações extremas para construir um mundo que parece ter saído diretamente dos pesadelos de Clive Barker, os quais retrata claramente um inferno.
Desde o início, o jogador pode esperar, cena a após cena, ficarem mais grotescas à medida que a história avança. São membros, torsos abertos, peles esticadas, entre diversos outros elementos gore característicos da série a todo momento.
Combate irregular prejudica a experiência
Apesar das boas ideias, Hellraiser: Revival não mantém o mesmo nível de qualidade em todos os aspectos.
O combate tradicional é um dos pontos mais problemáticos. As armas de fogo e os ataques corpo a corpo podem transmitir pouca força, reduzindo o impacto dos confrontos. Parece que nosso alcance com as armas e embates fazem com que os inimigos sejam de “papel”. Ou seja, não há peso ou impacto em cada pancada, ou em cada tiro desferido. A inteligência artificial dos inimigos também apresenta limitações, com adversários que nem sempre reagem de maneira convincente.
O gerenciamento de recursos acrescenta uma camada de sobrevivência, mas nem sempre consegue transformar a escassez em tensão interessante. Quando os confrontos parecem desequilibrados ou pouco refinados, a dificuldade pode gerar frustração em vez de medo.
A violência explícita, por sua vez, merece um destaque à parte. O título aposta em imagens gráficas, mutilações e cenas perturbadoras para reproduzir o desconforto característico de Hellraiser. Não é uma experiência indicada para todos os públicos, especialmente para quem prefere jogos de terror mais sutis.

Hellraiser: Revival vale a pena?
Clive Barker’s Hellraiser: Revival tem uma proposta interessante e entende boa parte do que torna a franquia especial. A atmosfera, o design dos Cenobitas e a utilização da Configuração Gênese ajudam a construir uma identidade própria.
O problema é que essas qualidades convivem com combates pouco refinados e questões técnicas que enfraquecem a experiência.

Para os fãs de Clive Barker, o jogo oferece uma oportunidade de explorar esse universo de maneira mais interativa, com uma história inédita e situações que aproveitam o potencial visual do Labirinto. Certamente os fãs são mais ligados à história e ambientação, então o jogo pode cair como uma luva para eles.
Já quem procura um survival horror com mecânicas extremamente polidas pode encontrar motivos para hesitar. Nesse caso, vale conferir a demonstração gratuita disponível no Steam antes de comprar a versão completa.
No fim, Hellraiser: Revival é uma adaptação que acerta ao preservar a identidade perturbadora da franquia, mas ainda tropeça na execução. Seu maior mérito está em transformar o universo de Pinhead em um lugar que os jogadores podem explorar. Sua maior fraqueza está em fazer essa exploração funcionar tão bem quanto sua direção artística promete.
##
Nota final: 4/5
Visite o site oficial do jogo!
Veja mais sobre games!




