Quando Interstellar chegou aos cinemas em 2014, o filme rapidamente se firmou como um dos trabalhos mais marcantes de Christopher Nolan. Misturando ficção científica, emoção e conceitos complexos sobre o tempo, a produção conquistou público e crítica. Mas o longa que chegou às telas quase foi bem diferente.
Antes de Nolan assumir a direção, o projeto estava nas mãos de Steven Spielberg. Agora, mais de uma década depois do lançamento, Nolan explicou como Interstellar se transformou após essa troca criativa.
A conversa que trouxe novas revelações
As revelações vieram durante uma sessão especial de perguntas e respostas com Timothée Chalamet, realizada antes de uma exibição do filme em IMAX 70mm no AMC Universal CityWalk, em Los Angeles. O encontro fez parte de uma retrospectiva e reuniu fãs interessados em entender os bastidores de um dos maiores épicos de ficção científica do cinema moderno.
Foi ali que Nolan revisitou o longo caminho até Interstellar ganhar sua forma definitiva.

A origem científica do projeto
Segundo Nolan, tudo começou com uma ideia do físico Kip Thorne, que apresentou o conceito a Spielberg e ao estúdio Paramount. A proposta era clara desde o início: criar um filme de ficção científica ancorado em ciência real, explorando o universo de forma plausível, sem abandonar o rigor científico.
Essa base nunca foi descartada, mesmo com as mudanças criativas que vieram depois.
O papel de Jonathan Nolan no roteiro
Enquanto Christopher Nolan ainda estava envolvido com a trilogia Batman, seu irmão Jonathan Nolan foi contratado para escrever o roteiro de Interstellar. O trabalho se estendeu por anos e passou por diversas versões. Ideias ambiciosas surgiam, eram reformuladas e ajustadas com o tempo.
No entanto, o projeto avançava de forma lenta. Nolan explicou que, enquanto Spielberg não estivesse pronto para filmar, o roteiro não ganhava o impulso necessário. Quando Spielberg decidiu seguir para outro filme, Interstellar ficou novamente disponível.
A entrada definitiva de Christopher Nolan
Foi nesse momento que tudo mudou. Christopher Nolan já acompanhava o projeto de perto e mantinha conversas frequentes com o irmão sobre o potencial da história. Ao mesmo tempo, ele próprio vinha desenvolvendo ideias relacionadas ao tempo, algumas ainda inacabadas e sem destino claro.
Ao perceber que o filme estava livre, Nolan sugeriu algo diferente. Em vez de começar do zero, ele propôs unir seus conceitos sobre tempo com a estrutura já existente de Interstellar. Jonathan Nolan aceitou a ideia, entendendo que o espírito do projeto continuaria fiel ao que o havia atraído desde o início.

O filme que nasceu dessa fusão
O resultado foi o Interstellar que o público conhece hoje. Uma história que vai além da exploração espacial tradicional e transforma o tempo em um elemento emocional central. A relação entre pai e filha, o sacrifício pessoal e a luta pela sobrevivência da humanidade passaram a guiar a narrativa, sempre apoiados em conceitos como relatividade e dilatação temporal.
A obsessão de Nolan pelo tempo deixou sua marca em cada ato do filme, tornando a experiência mais cerebral e, ao mesmo tempo, profundamente humana.
Spielberg versus Nolan: dois estilos, um legado
É impossível não imaginar como Interstellar teria sido sob a direção de Spielberg. Conhecido por histórias cheias de encanto e emoção direta, ele provavelmente teria seguido um caminho diferente. Nolan, por outro lado, levou o filme para um território mais filosófico, usando a ciência e o tempo como forças narrativas.
A troca de diretores não enfraqueceu o projeto. Pelo contrário, ajudou a definir sua identidade.
Um clássico moderno da ficção científica
Mais de dez anos após sua estreia, Interstellar segue sendo um dos filmes mais debatidos da carreira de Christopher Nolan. O sucesso crítico e comercial confirmou que a mudança de rumo foi decisiva para o impacto duradouro da obra.
Ouvir Nolan falar sobre essa transição torna o filme ainda mais interessante. É um lembrete de que, muitas vezes, a história por trás das câmeras pode ser tão fascinante quanto aquela que vemos na tela.
Veja mais sobre cinema!




