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crie, combine e destrua nesse roguelite com feitiços infinitos

Echoes of Mystralia chega com uma proposta ambiciosa de ser um roguelite de ação em que o verdadeiro protagonista não é só o herói, mas parte do feitiço que você mesmo constrói. Desenvolvido e publicado pela Borealys Games, o título coloca você na pele de Mazarim, um aprendiz guardião do Ciclo das Memórias, num mundo de fantasia em que a magia não vem pronta e precisa ser tecida peça por peça a partir de fragmentos.

A história parte de um evento catastrófico, em que uma fenda gigantesca se abre sobre Mystralia e ameaça sugar o planeta com tentáculos sombrios. A deusa dragão conhecida como Atemporal encarrega Mazarim de explorar as terras, enfrentar as Sombras do Passado e ajudar os sobreviventes a recuperar suas memórias perdidas. Ao longo da jornada, você encontra aliados, antagonistas e os poderosos Guardiões de cada região, todos marcados pela corrupção do Esquecimento.

Quando a magia vira quebra-cabeça

O enredo não tenta ser o centro absoluto da experiência, mas funciona como um fio condutor que dá sentido às corridas e às escolhas de rota. Há diálogos em abundância, quadros desenhados à mão para NPCs e para o protagonista, e um tom que lembra animes de fantasia, com vozes dramáticas e frases que soam como profecias em construção. É um pano de fundo eficaz para quem busca ação rápida, mas que também reserva espaço para quem gosta de garimpar detalhes de lore entre as missões dos aldeões.

Echoes of Mystralia

Como roguelite, Echoes de Mystralia segue a fórmula clássica em que você avança por áreas, limpa salas de inimigos, coleta recompensas e segue até o chefe. Se morrer, volta ao Templo do Ciclo, gasta moedas em melhorias permanentes e tenta de novo. A diferença está na forma como o jogo estrutura o mapa-múndi entre as corridas. Ao final de cada região, você escolhe entre dois ou três caminhos, cada um com recompensas diferentes: encontros de história, upgrades, desafios ou a luta direta contra o guardião. Antes de entrar, ainda dá para decidir qual tipo de prêmio você quer priorizar, o que adiciona uma camada estratégica à navegação.

A progressão permanente é representada pelo sistema de Lótus, que usa flores coletadas para melhorar atributos fixos, como vida, velocidade e dano, com custos crescentes a cada upgrade. Há também santuários espalhados pelas áreas, alguns pedindo que você acenda uma vela com o elemento correto, outros exigindo ondas extras de inimigos, e pequenos quebra-cabeças de luz que formam figuras ao conectar círculos. Essas pausas de lógica são um respiro bem-vindo no meio do combate frenético.

Muito além de apenas correr e morrer

O grande destaque de Echoes de Mystralia é a evolução do premiado sistema de criação de feitiços de Mages of Mystralia. No centro da mecânica está o Coração do Guardião, um painel onde você encaixa Memórias para definir o comportamento da magia. Cada feitiço começa com uma forma base e ganha camadas de efeitos conforme você organiza os blocos de memória em slots específicos. O resultado é uma combinação quase infinita de possibilidades, com raios que viram tornados congelantes, bolas de fogo que deixam rastro de queimadura, projéteis que retornam como bumerangues e disparam esferas secundárias ao atingir o alvo.

Echoes of Mystralia

As Memórias funcionam como atributos e gatilhos que definem elemento, tipo de dano, trajetória, área de efeito, condições de ativação e até como o feitiço se move. Algumas são comuns, outras raras, e você pode trocar e reorganizar os modificadores a qualquer momento, desde que sobreviva ao combate. Para fortalecer um modificador específico, porém, é preciso encontrar duas Memórias idênticas, o que introduz um elemento de sorte que pode frustrar ou recompensar, dependendo do RNG da corrida. A sensação é de um laboratório de magia onde você testa combinações até achar a sinergia que casa com seu estilo, seja focado em dano em área, controle de grupo ou mobilidade.

Na prática, o sistema entrega o que promete, com excelente variedade de builds e a possibilidade de reinventar sua abordagem a cada tentativa. No início das runs, você não tem muitas escolhas, mas conforme acumula mais Memórias do que consegue equipar, será possível refinar o conjunto, descartando habilidades que não estão funcionando e apostando em combos que exploram sinergias entre elementos e gatilhos. É um ciclo vicioso (no bom sentido), em que você cria um feitiço, testa no campo, retorna, ajusta e repete até dominar a arte de tecer a magia da memória.

Echoes of Mystralia

Em termos de jogabilidade, Echoes de Mystralia é um RPG de ação isométrico e de ritmo acelerado, em que você tem dois feitiços equipados por vez, alternando entre eles com botões dedicados no controle ou teclas no teclado, e desce para Mystralia para enfrentar ondas de inimigos. O combate exige movimento constante, posicionamento e leitura de padrões de ataque, especialmente a partir da segunda região, onde a dificuldade dá um salto considerável. Inimigos mais fortes e chefes podem ser brutais se você não estiver com a build ajustada, o que pode afastar jogadores menos pacientes, mas também funciona como incentivo para explorar mais a fundo o sistema de upgrades e o mapa de habilidades.

Os controles respondem bem, com o jogo mantendo fps consistentes. Há um tempo de carregamento inicial um pouco longo e travadinhas ocasionais durante a partida, mas nada que os desenvolvedores não consigam resolver isso em patches futuros. No geral, a sensação é de um jogo feito para sessões curtas e intensas, perfeito para jogar no dia a dia corrido e com tempo mais limitado, desde que você esteja preparado para morrer algumas vezes e aprender com cada erro.

De graphic novel a anime

A direção de arte é um dos pontos altos. Cada região tem esquema de cores e tema próprios, com cenários que misturam beleza e decadência, mostrando os resquícios de um mundo que foi corroído pelo Esquecimento. Os feitiços ganham animações elaboradas que variam conforme os modificadores aplicados, e os inimigos, desde criaturas das sombras até minibosses e guardiões, apresentam designs diversificados e ataques visualmente distintos. Os quadros de diálogo em estilo de graphic novel dão um charme extra, reforçando a identidade de fantasia épica com toque de anime.

Echoes of Mystralia

A trilha sonora equilibra momentos de alta intensidade durante as batalhas e ambientes mais relaxantes nas explorações, com um motivo recorrente de cordas dedilhadas que soa como uma assinatura musical do jogo. As vozes, por sua vez, entregam as falas com a dramaticidade esperada do gênero, soando como dublagem de anime de fantasia: às vezes beirando o exagero, mas sempre coerente com o tom do mundo. Para quem tem ouvido sensível a sotaques, é um alívio ouvir vozes que soam naturais em vez de tentativas forçadas de sotaques britânicos.

Echoes of Mystralia é um roguelite de ação que cumpre o que promete ao colocar o poder da magia literalmente nas mãos do jogador. O sistema de criação de feitiços é profundo o suficiente para sustentar horas de experimentação, o mapa de rotas oferece escolhas significativas e a progressão permanente garante que cada corrida contribua para o longo prazo. Talvez a dificuldade assuste em certos momentos e o mapa demore um pouco para ser assimilado, mas são obstáculos que se tornam menores com a prática. Para quem curtiu Hades e busca algo parecido, mas com uma proposta mais interessante e diferente, este é um título que merece atenção.

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Nota final: 4/5


























Avaliação: 4 de 5.

Acesse o site oficial do jogo.

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Fagner Lopes

CEO Presidente e fundador da Obewise Entertainment Network, escritor, biomédico e amante de jogos eletronicos, mais precisamente DOTA 2. Redator do site e artista na Obewise Radio Network.

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