Chega aos cinemas brasileiros em 10 de setembro o filme live-action de Blue Lock, adaptação do mangá, publicado pela Editora Panini, e anime sensação, disponível na Crunchyroll, sobre um futebol egoísta, distribuída no Brasil pela Sato Company.
Com direção de Yusuke Taki e roteiro de Tetsuo Kamata, o longa produzido pelo estúdio CREDEUS aposta em fidelidade à obra original, elenco carismático e uma estética que mistura esporte e tensão de sobrevivência para entregar uma experiência que agrada tanto fãs quanto curiosos.
300 atacantes e um único objetivo
A história acompanha a seleção japonesa de futebol em busca de se reerguer após uma derrota vexatória na Copa de 2018. A solução encontrada pela Confederação Japonesa de Futebol é criar o projeto Blue Lock, um programa que reúne os 300 jogadores de base mais promissores do país em uma instalação de treinamento de última geração. Ali, eles são submetidos a um rigoroso processo competitivo com um único objetivo: encontrar o artilheiro capaz de liderar o time nacional rumo à glória.

O protagonista é Yoichi Isagi, um jovem atacante que vê seu sonho ganhar um novo rumo depois de uma derrota decisiva. Convocado para o Blue Lock, ele precisa abandonar a ideia de trabalho em equipe tradicional e abraçar uma filosofia baseada no ego, no instinto e na capacidade de superar os adversários para se tornar o melhor centroavante do Japão.
Uma boa adaptação fiel à obra original
Transformar um anime de sucesso em live-action é sempre um desafio, especialmente quando a produção envolve futebol, personagens carismáticos e uma identidade visual marcada por exageros e efeitos. Blue Lock consegue driblar boa parte dessas dificuldades e entrega uma adaptação que respeita a obra original, entende sua essência e faz os personagens parecerem tão vivos quanto já eram no anime.

Para quem já acompanha o anime ou o mangá, uma das maiores surpresas está na fidelidade da adaptação. Diversas cenas, situações e momentos conhecidos pelos fãs foram transportados para o live-action de maneira bastante cuidadosa. A produção não tenta simplesmente copiar o anime quadro a quadro, mas consegue reproduzir a essência da história e entregar momentos que certamente vão provocar aquele sentimento de reconhecimento em quem já conhece os personagens.
O filme cobre aproximadamente a primeira metade da primeira temporada, chegando até o episódio 12, sendo bem fiel ao anime e ao mangá. Alguns cortes de sequências ou falas foram feitos, mas nada que realmente afete a experiência do espectador. Por outro lado, o longa adiciona algumas poucas informações que ficaram de fora do anime, mas que no geral não fazem muita diferença para a narrativa.

No Brasil o mangá é publicado pela Editora Panini e atualmente encontra-se no volume 36, em uma parte da história que marca o início da aguardada Copa do Mundo Sub-20, com a primeira partida da seleção do Japão enfrentando a campeã africana, a Nigéria. E a Mundos Infinitos é a melhor opção para você comprar suas edições, pelo site ou loja física em São Paulo, para acompanhar a jornada de Isagi e os demais “guerreiros da estreia”, buscando demonstrar os resultados de seus rigorosos treinamentos, com cada egoísta buscando marcar seu próprio gol.
Do campo de futebol para a batalha
Uma das preocupações naturais em Blue Lock era saber se o futebol funcionaria bem em uma produção live-action, e para a nossa surpresa a resposta é muito positiva, pois as partidas são dinâmicas, físicas e possuem uma energia que combina bastante com a proposta da obra. Os atores demonstram preparo físico e conseguem transmitir a sensação de que aqueles personagens realmente estão disputando cada lance como se suas carreiras dependessem daquela jogada.

A direção também entende que não faria sentido tentar transformar Blue Lock em um filme esportivo completamente realista. A obra original sempre utilizou recursos visuais para representar a percepção dos jogadores, seus instintos e a maneira como enxergam o campo. O live-action abraça essa característica e utiliza efeitos e elementos visuais para representar essa experiência, resultando em uma mistura interessante entre futebol e a estética exagerada do anime.
O campo deixa de ser apenas um lugar onde os personagens disputam uma partida e passa a funcionar praticamente como um campo de batalha. Cada movimento, cada leitura do adversário e cada oportunidade de gol ganha um peso muito maior. As famosas peças de quebra-cabeça associadas a Isagi estão presentes no filme e ajudam a representar a maneira como o personagem observa o campo, conecta informações e encontra novas possibilidades durante as partidas, embora sua utilização seja mais contida e menos impactante visualmente em comparação com o anime.

Ver Isagi, Bachira, Nagi, Ego e tantos outros personagens saindo das páginas do mangá e das telas do anime para serem interpretados por atores reais poderia facilmente resultar em algo muito artificial, porém o elenco consegue de atores consegue fazer essa transição funcionar de maneira impressionante.
Fumiya Takahashi assume o papel de Isagi e constrói muito bem a evolução do personagem. No começo, encontramos um jovem ainda tentando entender seu próprio potencial, enquanto aos poucos sua percepção do jogo e sua vontade de vencer começam a mudar. A atuação acompanha essa transformação sem exageros. Já Kaito Sakurai entrega um Bachira extremamente carismático. A personalidade excêntrica e imprevisível do personagem poderia facilmente ficar exagerada demais no live-action, mas o ator consegue trazer essa energia para as cenas sem transformar Bachira em uma caricatura.

Outro destaque é Koga Yudai, que interpreta Seishiro Nagi. A maneira mais fria e despreocupada do personagem é muito bem reproduzida, fazendo com que Nagi seja facilmente reconhecido pelos fãs. E não poderia faltar Masataka Kubota como Ego Jinpachi sendo a escolha mais certeira, pois ele consegue transmitir a personalidade excêntrica, fria e provocadora de Ego, tornando suas aparições algumas das mais interessantes do filme.
Além deles, o longa reúne outros nomes também conhecidos dos doramas japoneses e do universo Tokusatsu, algo que certamente será um atrativo adicional para quem acompanha a cultura pop japonesa. O elenco está incrível e, principalmente, combina muito com os personagens que interpretam. Não se trata apenas de caracterização ou figurino, mas que existe um cuidado em reproduzir comportamentos, expressões e personalidades que os fãs já conhecem do anime e do mangá.
Visual carismático ao som de Ado
Os efeitos especiais estão muito bem feitos e recriam bem os momentos mais absurdos dos jogos, principalmente os chutes que são os momentos de maior destaque na obra. A direção consegue recriar bem toda a tensão em volta desses momentos e fazer o espectador vibrar quando o gol é feito e se frustrar quando ele falha. A caracterização e o figurino são outros pontos positivos, sendo bem fiéis à estética do anime ao manter a essência da obra e agregando na performance dos atores em cena.

A trilha sonora também tem um papel importante na construção da atmosfera do filme, contando com um dos grandes destaques a música “Monstruo”, de Ado, uma das grandes vozes do J-Pop atual. Conhecida por sua potência vocal e por músicas que transitam por diferentes estilos dentro da música japonesa, a cantora empresta sua intensidade à produção, e a faixa combina perfeitamente com a energia e a tensão de determinados momentos do filme, deixando as cenas ainda mais eletrizantes.
Por fim, se existe algum problema nesse filme talvez seja ele terminar quando a história está começando a ficar ainda mais interessante. Ou na verdade essa seja uma decisão acertada da direção, pois o filme acaba quando as rivalidades começam a crescer, os jogadores passam a compreender melhor suas próprias habilidades e Isagi começa a enxergar o futebol de uma maneira diferente. Quando estamos completamente envolvidos com Blue Lock os créditos começam a subir e surge a pergunta mais importante: “quando vem o próximo filme?”

Blue Lock entrega um live-action fiel, eletrizante e muito bem conduzido, com excelentes atuações, boas sequências de futebol e uma adaptação visual que consegue preservar a identidade do anime. Mais do que isso, o filme consegue despertar no público aquela vontade genuína de continuar acompanhando essa história.




